A mulher não sai ao domínio público com a agulha perfurada — a agulha comum de costura, com furo, pois esta não é adorno, mas utensílio de trabalho — nem com anel que tem selo nele — pois este é um utensílio de gravar, não meramente um adorno — nem com kulyar, nem com kovelet — um recipiente pequeno de prata ou ouro contendo perfume, usado pelas mulheres para adoçar o hálito — nem com frasco de óleo de bálsamo — um tipo de perfume nobre. E se ela saiu com estes ao domínio público, é responsável por trazer oferenda de pecado — palavras de Rabi Meir, que considera estes itens não como adornos, mas como carga genuína. E os Sábios isentam quanto ao kovelet e ao frasco de óleo de bálsamo — pois, em sua opinião, estes são adornos, e portanto não violam fundamentalmente a proibição da Torá de carregar no domínio público.
Após a lista de itens cuja violação não gera responsabilidade por oferenda de pecado (mishnayot 1-2), esta Mishná apresenta a lista simétrica: itens cuja saída constitui violação plena da proibição bíblica de hotzaá, pois não são adornos, mas utensílios ou cargas.
Por que esta Mishná gira em torno deste princípio. Embora o versículo citado trate especificamente de acender fogo, os Sábios o tomaram, junto com a proibição geral de "nenhuma obra" (Shemot 20:10), como base para toda a estrutura das trinta e nove melachot, entre elas a hotzaá. A diferença entre esta Mishná e as duas anteriores é central: ali, os itens listados eram adornos genuínos, proibidos apenas por decreto rabínico — daí a isenção de oferenda de pecado; aqui, a agulha perfurada e o anel com selo são utensílios funcionais que a mulher usa como se vestisse, mas que a Torá considera carga real, tornando sua saída uma transgressão plena da melachá bíblica de transferir objetos entre domínios.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam — a distinção entre utensílio de trabalho e adorno, e por que a halachá segue os Sábios quanto ao kovelet e ao frasco de bálsamo.
O que os grandes comentadores dizem sobre a diferença entre agulha perfurada e sem furo, o significado do kulyar e do kovelet, e por que a halachá segue os Sábios.
Depois que a Mishná terminou de mencionar as coisas que, se saiu com uma delas, não se torna responsável por oferenda de pecado, segundo a opinião de todos, começou a mencionar as coisas que, se saiu com uma delas, se torna responsável por oferenda de pecado; e por isso não as uniram a este primeiro tipo na mesma lista.
E kulyar é como um anel que envolve toda a cabeça, e na linguagem dos Sábios o chamam de outro nome equivalente. E kovelet é um pequeno utensílio de prata ou ouro, no qual se coloca um perfume bom, com que as mulheres se enfeitam.
E paliton é o almíscar — que é o musk — e semelhantes, dos tipos de perfume. E a halachá segue os Sábios.
"Com agulha perfurada": a que costuram com ela, pois não é adorno; e a mulher é responsável por oferenda de pecado ainda que a carregue em suas vestes e não na mão, pois até um artesão que carrega algo à maneira de seu ofício é responsável por oferenda de pecado.
"Com kulyar": utensílio que a mulher arredonda em sua cabeça como uma espécie de anel que circunda a cabeça toda, e é carga, pois a maioria das mulheres não sai com ele.
"Com kovelet": um laço de prata ou de ouro em que se amarra um perfume, para afastar o mau odor que há na mulher.
"De paliton": almíscar, que chamam de "musco". "E os Sábios isentam": pois em sua opinião são adornos; mas de antemão ela não deve sair com eles, temendo que os retire e mostre a outra. E a halachá segue os Sábios.
"Nossa Mishná: 'com kulyar'" — este termo é explicado na Guemará, e da mesma forma o termo "kovelet".
"Paliton" — traduzido para o francês medieval como "balsamum", que é o óleo do bálsamo — uma resina aromática valiosa.