Isola-se termicamente com peles, e movem-se elas mesmo sem terem sido destinadas antes de véspera para esse fim. Isola-se com tosquia de lã, mas não se movem elas — a não ser que tenham sido destinadas de véspera para a hatmaná. Como se procede para remover a panela isolada em tosquia sem mover a lã diretamente? Toma-se a cobertura que está sobre a panela, e elas as tosquias caem por si — um "mover indireto", que é permitido.
Rabi Elazar ben Azaryá diz: quando o material isolante está num cesto, inclina-se ele para o lado e toma-se a panela — sem levantar o cesto — pois, caso contrário, poderia tomá-la de outro modo e não conseguir devolvê-la ao mesmo lugar, desfazendo a cova formada pela panela. Mas os Sábios dizem: toma-se a panela normalmente e devolve-se.
Se não a cobriu desde de dia ainda antes do Shabat, não deve cobri-la depois de escurecer. Mas se já a cobriu e ela se descobriu, é permitido cobri-la novamente, pois isso não é considerado um novo ato de hatmaná.
No Shabat, enche-se o jarro de água fria e coloca-se debaixo do travesseiro, ou debaixo da almofada — para que a água se esfrie ou se aqueça levemente, sem que isso seja considerado hatmaná.
Esta última Mishná do Perek Dalet encerra o tema da hatmaná com o cuidado de não desfazer o isolamento e não recomeçá-lo depois que o Shabat já começou — sempre em torno da mesma proibição central de acender ou avivar o fogo.
Por que esta Mishná gira em torno deste versículo. O verbo shamor ("guardar") é entendido pelos Sábios como a fonte das mitzvot lo taasê (proibições ativas) do Shabat, incluindo as cercas protetoras que os Sábios erigiram ao redor delas. A regra de que não se pode cobrir novamente uma panela depois de escurecer — mesmo com um material perfeitamente permitido — é exatamente uma dessas cercas: o ato de cobrir com a intenção de isolar termicamente é, em si, o gesto que caracteriza a hatmaná, e permiti-lo no Shabat abriria a porta para que alguém, buscando o mesmo efeito, viesse a usar material proibido ou a mexer no fogo. Já a permissão de recolocar uma cobertura que caiu por acidente mostra que a proibição recai sobre o ato deliberado de iniciar a hatmaná, não sobre a mera continuidade de algo já isolado antes do Shabat — a essência de "guardar" o Shabat tal como ele foi encontrado ao anoitecer.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam — a lista de materiais que não aumentam o calor, e a permissão de recobrir uma panela que se descobriu.
O que os grandes comentadores dizem sobre a diferença entre peles e tosquia de lã quanto ao mover, a lógica por trás da cautela de Rabi Elazar ben Azaryá, e o sentido de encher o jarro para debaixo do travesseiro.
Shlachin são peles — como no Targum de "e esfolará o holocausto" que traduz "veyishlach". E gizê tzemer (tosquia de lã) é conhecido — trata-se da lã recém-tosquiada, ainda não fiada. E disseram "não se movem elas" quando não foram destinadas para a hatmaná; mas se as reservou para isolar com elas, é permitido movê-las.
E a disputa é a seguinte: Rabi Elazar ben Azaryá entende que é preciso ter cuidado no momento de retirar a panela do cesto onde se isolou, para não desfazer o lugar da panela — por isso inclina o cesto de lado antes de retirá-la. Mas os Sábios não exigiram isso; disseram que se toma a panela normalmente e se devolve — e se a cova se desfez, não se devolve. E a halachá segue os Sábios.
"E movem-se elas": as peles, tanto se isolou com elas quanto se não isolou, pois servem para se reclinar sobre elas.
"Mas não se movem elas": a tosquia de lã, pois é muktzê para fiar e tecer — seu uso próprio é matéria-prima, não objeto de uso direto — a não ser que tenha sido destinada para a hatmaná.
"Rabi Elazar ben Azaryá diz": tem receio de que, ao tomar a panela sem inclinar o cesto, caiam os flocos de lã de um lado e de outro dentro da cova onde está a panela.
"E os Sábios dizem: toma-se": a panela, e se os flocos não caíram e a cova não se desfez, devolve-se a panela ao seu lugar... E a halachá segue os Sábios.
"Curtidor era ele" — Rashi identifica, num episódio narrado pela Guemará logo antes desta mishná, um Sábio que era curtidor de peles de ofício, o que explica sua familiaridade com o termo shlachin. "E disse" — isso ocorreu num dia comum da semana. "Trouxeram peles e nos sentamos sobre elas" — daí se aprende que ele não se incomodava em usar peles de trabalho para se sentar, confirmando que as peles servem para uso direto e por isso podem ser movidas livremente.
"Toma-se a cobertura" — disso se conclui que também nesses materiais com os quais se isolou termicamente, proibiram movê-los diretamente, sendo permitido apenas por meio da cobertura — um mover indireto, retirando-se o pano de cima e deixando cair o material isolante por si mesmo.