Não se coloca um utensílio debaixo da vela para nele recolher o óleo que goteja. E se o colocou desde de dia ainda antes do Shabat, é permitido deixá-lo ali. Mas não se aproveita desse óleo, pois ele não está entre o que foi preparado de véspera para uso.
Movem-se velas novas, mas não as velhas. Rabi Shimon diz: todas as velas se podem mover, exceto a vela que está acesa no Shabat mesmo.
Coloca-se um utensílio debaixo da vela para recolher centelhas. E não se coloca nele água, pois isso apaga a centelha e é como apagar o fogo.
Esta última Mishná do Perek Guimel volta o olhar para a vela de Shabat — tema central do Perek Bet — sob a ótica do princípio de muktzê (o que fica "separado", isto é, indisponível para uso no Shabat).
Por que esta Mishná gira em torno deste versículo. Embora mover um utensílio não seja em si uma das trinta e nove categorias de melachá, os Sábios decretaram a categoria de muktzê para afastar a pessoa de ações que poderiam levar à violação de uma melachá real — neste caso, apagar a vela (categoria de mechabê) ou usar algo que foi "separado" de antemão para um uso proibido no Shabat (acender). O óleo que goteja de uma vela já acesa foi implicitamente reservado apenas para queimar, e por isso é proibido tanto movê-lo quanto beneficiar-se dele. Da mesma forma, uma vela velha e suja é evitada por repugnância (muktzê machamat mius), e uma vela acesa é proibida por receio de que, ao movê-la, se venha a apagá-la sem querer.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam — o princípio de que um utensílio que se tornou proibido no crepúsculo permanece proibido durante todo o Shabat.
O que os grandes comentadores dizem sobre a lógica do muktzê, a disputa de Rabi Shimon, e a permissão de recolher centelhas sem água.
A razão pela qual proibiram colocar um utensílio para recolher óleo no Shabat é que esse óleo que goteja da vela foi proibido para se beneficiar dele no Shabat, pois não está entre o que foi preparado [de véspera para uso].
E a razão da proibição de mover uma vela velha é que ela é repugnante, e isso se chama "muktzê por repugnância". Rabi Shimon não se preocupa com nenhum tipo de muktzê, e por isso permite todas as velas, exceto as acesas — por decreto, por receio de que se venha a apagá-las.
"Utensílio sob a vela para recolher o óleo": que goteja — pois o óleo é muktzê, e é proibido "anular" um utensílio de seu uso normal, como se o fixasse no lugar grudando-o com barro, o que se assemelha a uma melachá.
"Coloca-se um utensílio sob a vela": no Shabat, para recolher as centelhas de chama que gotejam da vela, para que não se incendeie o que está embaixo — pois as centelhas não têm substância real [o suficiente para tornar o utensílio muktzê].
"Mishná: não se coloca" — no Shabat.
"Utensílio sob a vela" — para recolher nele o óleo que goteja, pois o óleo é muktzê; e considera-se que um utensílio só pode ser movido no Shabat para servir a algo que também pode ser movido, ou, alternativamente, que é proibido "anular" um utensílio de seu uso normal.
"É permitido" — deixá-lo ali [se colocado antes do Shabat].
"Não se aproveita" — não se beneficia [do óleo recolhido].