Houve um episódio em que os homens de Teveria trouxeram um cano de água fria para dentro de um canal de água quente das fontes termais. Disseram-lhes os Sábios: se a água passou pelo cano em Shabat, é como água quente aquecida no Shabat — proibida para banho e para beber; se passou em Yom Tov, é como água quente aquecida em Yom Tov — proibida para banho, mas permitida para beber.
Do muliar já removido das brasas, bebe-se dele no Shabat. Do antiqui, ainda que removido, não se bebe dele.
Esta Mishná aplica o princípio de bishul (cozinhar) — incluindo aquecer água — a um caso histórico concreto envolvendo as fontes termais naturais de Teveria.
Por que esta Mishná gira em torno deste versículo. As águas termais de Teveria são naturalmente quentes, sem que ninguém acenda fogo algum — e por isso, tomadas por si só, não violam a proibição de melachá. O problema surgido no episódio histórico é que os homens de Teveria fizeram passar água fria por um cano imerso nessas águas termais, de modo que a água fria saía aquecida do outro lado — criando a aparência de estar "aquecendo" água ativamente em Shabat, mesmo sem fogo humano envolvido. Os Sábios decretaram que essa água teria o status de água efetivamente aquecida no Shabat (proibida até para beber), por temor de que se confundisse com água aquecida por fogo comum. O muliar e o antiqui são recipientes de cobre com câmaras de brasas: a diferença de desenho entre eles determina se, mesmo removidas as brasas, o calor residual continua "cozinhando" a água — o que tornaria proibido bebê-la no Shabat.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam — o princípio de que trazer água fria para dentro de água quente, mesmo termal, é como aquecê-la ativamente.
O que os grandes comentadores dizem sobre o episódio de Teveria e a diferença técnica entre o muliar e o antiqui.
As águas termais de Teveria são conhecidas por serem, todas elas, naturalmente quentes por natureza.
O muliar é um recipiente de cobre: acende-se o fogo em seu interior, e ao redor do fogo há uma câmara externa que se enche de água; quando se removem as brasas do muliar na véspera de Shabat, essa água é permitida para se beber no Shabat.
Já no antiqui, mesmo quando se removem as brasas do lado onde está a água, o cobre continua aquecido e mantém seu calor no Shabat, como se o fogo ainda estivesse debaixo dele.
"Cano": tubo pelo qual se faz correr a água, que estava submerso nas águas termais de Teveria e se aquecia com a força dessas águas quentes.
"Muliar": a Guemará explica — água por dentro e brasas por fora; é um recipiente com um pequeno compartimento junto à sua parede externa, conectado a ele, onde se colocam as brasas, e a água fica no seu compartimento maior. Se removeram as brasas ainda de dia, bebe-se da água do compartimento maior no Shabat.
"Antiqui": recipiente de cobre com duas bases, com a água em cima e o fogo embaixo, entre as duas bases; por isso, mesmo removidas as brasas na véspera, a água continua se aquecendo no Shabat, e por isso não se bebe dela.
"Para dentro de um canal de água quente" — e as águas termais de Teveria não são derivados do fogo, e ainda assim [os Sábios] as proibiram; e nisso até Rabi Yossi concorda.
"Pois se assemelha a enterrar [hatmaná]" — pois é como enterrar água dentro de água.