1 E estas são algumas das halachot que disseram no sótão de Chananiá ben Chizkiá ben Guryon, quando subiram para visitá-lo.
2 Contaram-se, e Beit Shamai superou Beit Hilel em número, e dezoito coisas decretaram naquele dia.
Esta Mishná não introduz uma nova proibição de Shabat, mas relata um episódio histórico da autoridade legislativa dos Sábios — cujo fundamento bíblico é o princípio de seguir a maioria.
Por que esta Mishná gira em torno deste versículo. O relato do sótão de Chananiá ben Chizkiá ben Guryon é o exemplo clássico do princípio "seguir a maioria para decidir" (Shemot 23:2) aplicado às disputas entre as escolas de Beit Shamai e Beit Hilel. Em geral, a tradição relata que Beit Hilel era mais numerosa e que a lei costuma seguir sua opinião; mas naquele dia específico, no sótão de Chananiá, compareceu um número excepcional de discípulos de Beit Shamai, que superaram os de Beit Hilel na contagem — e por isso, naquele único dia, prevaleceu a opinião mais rigorosa de Beit Shamai em dezoito questões, a maior parte delas relativa a leis de pureza ritual e à separação em relação aos gentios. A Guemará observa que esse foi "um dia difícil para Israel como o dia em que foi feito o bezerro de ouro" — pela dureza dos decretos impostos.
Como o princípio desta Mishná — a autoridade da maioria dos Sábios em cada geração — foi codificado pelo Rambam.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
Chananiá ben Chizkiá ben Guryon, de abençoada memória, era um dos senhores da sabedoria e grande em sua geração; e os sábios de sua geração tinham dúvidas sobre o livro de Yechezkel, e ele, jovem ainda, dedicou-se a esclarecer seu sentido, isolando-se num sótão para compor o comentário — e os Sábios, que a paz esteja sobre eles, costumavam visitá-lo com frequência.
E não restou naquela geração ninguém apto a decidir a lei que não estivesse presente naquela reunião; e contaram-se, e Beit Shamai era mais numeroso — e o Nome disse "seguir a maioria para decidir" (Shemot 23:2), como já estabelecemos no princípio desta nossa obra. E Beit Shamai concordou inteiramente com estes dezoito decretos naquele dia. E além destes dezoito, concordaram Beit Shamai e Beit Hilel, naquele mesmo dia, em outras dezoito halachot, sem qualquer discordância entre eles — apenas nas dezoito aqui mencionadas houve disputa, e não se contaram para saber a opinião da maioria de outra forma, senão por essa contagem.
"E estas são algumas das halachot": entre elas, "não se catam piolhos, nem se lê à luz da vela", conforme ensinado na Mishná anterior — pois esses decretos fazem parte dos dezoito decretados naquele dia.
"No sótão de Chananiá ben Chizkiá": onde os Sábios procuravam esconder (retirar de circulação) o livro de Yechezkel, pois suas palavras pareciam contradizer as palavras da Torá — por exemplo, "toda carniça e animal dilacerado, seja de ave ou de animal, não comerão os sacerdotes" (Yechezkel 44), o que sugeriria que apenas os sacerdotes não comem, mas Israel comeria; e Chananiá ben Chizkiá se isolou no sótão e ali permaneceu, e esclareceu o livro de Yechezkel.
"E dezoito coisas decretaram naquele dia": pois discordaram Beit Shamai e Beit Hilel, e realizaram uma contagem, e Beit Shamai foi mais numerosa, e decidiram segundo sua opinião, conforme está escrito (Shemot 23): "seguir a maioria para decidir."
"Contaram-se e superaram" — vieram a uma contagem, e constatou-se que os de Beit Shamai eram mais numerosos.