1 Desce-se o sacrifício pascal ao forno perto do anoitecer. E acende-se o fogo na fogueira do Beit HaMokedh.
2 E nos demais lugares, a não ser que haja tempo de o fogo pegar na maior parte dela. Rabi Yehudá diz: com brasas, qualquer quantidade basta.
Esta última Mishná do Perek Alef encerra a série sobre o fogo, com o caso excepcional do serviço do Templo e a base geral da proibição de acender.
Por que esta Mishná gira em torno deste versículo. A proibição de acender fogo em "todas as vossas moradas" é entendida pelos Sábios como referindo-se especificamente às moradas do povo — excluindo o Templo, onde o serviço do altar exige fogo contínuo, inclusive no Shabat, conforme o princípio de que "não há Shabat no Templo" quanto ao serviço propriamente dito. Por isso o sacrifício pascal, quando sua véspera coincide com a véspera de Shabat, pode ser baixado ao forno perto do anoitecer, mesmo que seu assamento continue depois de escurecer — e o fogo da fogueira do Beit HaMokedh, onde os sacerdotes se aqueciam, pode ser aceso da mesma forma, pois os sacerdotes, diligentes em seu ofício, não virão a mexer nas brasas de modo proibido. Já nos demais lugares, fora do Templo, vale a exigência comum: que o fogo já tenha pegado na maior parte da fogueira antes do anoitecer.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam — a lei segue Rabi Yehudá quanto às brasas.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta última Mishná do Perek Alef.
"Meshalshelin" quer dizer pendurar/descer ao anoitecer, quando o dia quatorze de Nissan cai na véspera de Shabat — e não decretamos temendo que se mexa nas brasas para apressar o cozimento, porque os membros do grupo são diligentes.
E "Beit HaMokedh" é explicado no tratado Tamid — era uma câmara chamada "câmara do Beit HaMokedh", onde havia uma fogueira sempre acesa.
E a lei não segue Rabi Yehudá, que disse que basta que o fogo pegue nas pontas dos carvões ao anoitecer, sem necessidade de pegar na maior parte deles — [nota: aqui o comentário do Rambam registra a opinião, mas a codificação prática segue Rabi Yehudá, como o próprio Rambam estabelece no Mishné Torá].
"Desce-se o sacrifício pascal": seus fornos tinham a boca voltada para cima, e desciam o assado para dentro — por isso a Mishná usa o termo "descer". "Perto do anoitecer": e embora normalmente não se comece a assar sem tempo suficiente, aqui é permitido, pois os membros do grupo pascal são diligentes e se lembram uns aos outros, não vindo a mexer nas brasas.
"E nos demais lugares": a pessoa precisa acender sua fogueira enquanto ainda é dia, de modo que o fogo pegue na maior parte dela.
"Mesmo com brasas, qualquer quantidade": e a lei segue Rabi Yehudá, pois não há quem discorde dele — brasas já acesas não se apagam sozinhas, e não se teme que venham a mexer nelas.
"Desce-se o sacrifício pascal" — e continua a assar depois de escurecer; e embora normalmente não se assa sem tempo suficiente, aqui é permitido, pois os membros do grupo são diligentes.
"E acende-se o fogo" — pouco a pouco, na madeira da fogueira do Beit HaMokedh que ficava na Azará (átrio do Templo).
"E nos demais lugares" — é preciso acender a fogueira enquanto ainda é dia, para que o fogo pegue na maior parte dela.
"Rabi Yehudá diz" — se a fogueira for de brasas, não é preciso que o fogo pegue nelas senão em qualquer quantidade, pois elas continuam ardendo por si mesmas, já que não costumam apagar-se sozinhas, e não é preciso mexer nelas.