Quando a carne se decompôs, recolhem os ossos e os enterram em seu lugar. E os parentes vêm e perguntam pelo bem-estar dos juízes e pelo bem-estar das testemunhas, como que dizendo: "não guardamos nada contra vós em nosso coração, pois julgastes um julgamento verdadeiro." — Depois de sepultado no cemitério reservado do tribunal, o corpo do executado permanecia ali até que a carne se decompusesse por completo. Somente então os ossos eram recolhidos e transferidos para seu lugar definitivo de sepultura — entendido, segundo os comentadores, como a sepultura ancestral da família, já que a restrição de não enterrá-lo junto a seus antepassados dizia respeito apenas ao corpo, não aos ossos já decompostos. Nesse momento, os parentes do falecido tomavam a iniciativa de procurar os próprios juízes que o haviam condenado e as testemunhas que haviam deposto contra ele, para lhes desejar paz — um gesto público e deliberado de reconciliação, que declarava não haver ressentimento algum contra eles, pois o julgamento que proferiram fora verdadeiro e justo.
E não guardavam luto, mas se afligiam, pois a aflição está apenas no coração. — Fecha-se o perek com uma distinção técnica entre dois estados emocionais reconhecidos pela halachá: o luto formal — com seus ritos externos e visíveis de pesar — não era observado pelos parentes do executado, de modo que sua desonra pública servisse, ela mesma, como parte da expiação de sua transgressão. Mas isso não significa ausência de sentimento: a aflição interior, o pesar contido apenas no coração, sem expressão ritual externa, continuava plenamente presente — pois, como a mishná mesma explica, esse tipo de aflição não depende de rito algum, residindo unicamente no íntimo de quem a sente.
Rambam esclarece que a visita dos parentes aos juízes e testemunhas ocorre logo após o próprio julgamento ser concluído com a sentença de morte, e explica por que os parentes de um executado pelo tribunal não observam o luto formal: os pecados do executado só se consideram plenamente expiados quando sua carne já se decompôs, e a obrigação de guardar luto, segundo a halachá, começa apenas no momento em que a sepultura é fechada — momento em que, no caso do executado, ele ainda não é considerado plenamente objeto de luto. E, uma vez que a obrigação de luto foi assim afastada naquele primeiro momento, ela permanece afastada — "uma vez que foi excluída, permanece excluída."
Bartenura confirma que, uma vez decomposta a carne, considera-se que o executado já obteve expiação plena por sua morte e pela desonra que sofreu — e que os ossos, nesse momento, são finalmente enterrados nas sepulturas ancestrais da família, já que a restrição de não sepultá-lo junto a seus antepassados vale apenas para o corpo, não para os ossos. Sobre a ausência de luto formal, traz duas explicações: a primeira, de que a própria desonra pública do executado já lhe serve de expiação, e por isso o luto — outra forma de honra — não se aplicaria a ele; a segunda, de que a obrigação de luto tecnicamente começa apenas quando a sepultura é fechada, e como naquele momento inicial a expiação do executado ainda não estava completa, a obrigação de luto foi excluída desde o início, e permanece excluída mesmo depois, quando os ossos são finalmente sepultados.
Rashi confirma diretamente a explicação de que a ausência de luto formal serve para que a própria desonra do executado funcione como parte de sua expiação — pois observar luto pleno seria, paradoxalmente, uma forma de honra que não convém a quem foi morto pelo tribunal. E precisa que a aflição interior, a aninut, não depende de nenhum rito externo — não é impedida por essa ausência de luto formal, pois seu lugar é unicamente o coração de quem a sente.