Todo aquele que multiplica os exames é louvável. Houve um caso em que Ben Zakai examinou pelos caules dos figos. — Depois das sete chakirot fixas da mishná anterior, o tribunal podia — e devia — ir além, multiplicando perguntas sobre os pormenores do evento testemunhado, na esperança de expor alguma contradição entre as testemunhas. A mishná ilustra esse princípio com um caso concreto: as testemunhas afirmavam que o réu havia cometido o crime debaixo de uma figueira, e Ben Zakai — identificado pelos comentadores como um sábio que ainda estudava diante de seu mestre, e não Rabán Yochanan ben Zakai, que viveria depois da destruição do Templo — interrogou-as sobre a espessura dos caules dos figos daquela árvore específica, um detalhe tão minucioso que dificilmente duas testemunhas que não tivessem realmente presenciado o fato juntas concordariam nele.
E que diferença há entre inquirições e exames? Nas inquirições, se um diz "não sei", o testemunho deles é anulado. Nos exames, se um diz "não sei" — e mesmo se dois dizem "não sabemos" — o testemunho deles permanece válido. Tanto nas inquirições quanto nos exames: quando se contradizem um ao outro, o testemunho deles é anulado. — Aqui está a razão técnica de toda a distinção: a hazamá — o mecanismo pelo qual outra dupla de testemunhas refuta a primeira, provando que ela não poderia ter estado no local no momento afirmado — só é possível quando o tempo e o lugar do evento estão fixados com precisão absoluta, o que é exatamente a função das sete chakirot. Se uma testemunha responde "não sei" a qualquer uma delas, esse tempo ou lugar nunca fica estabelecido, e a hazamá se torna impossível para toda a dupla — por isso todo o testemunho cai. Já as bedikot, por mais numerosas que sejam, não têm essa função: seu único papel é revelar contradição entre as testemunhas, de modo que um "não sei" nelas apenas encerra aquela pergunta específica, sem comprometer o restante. Mas se, em qualquer uma das duas categorias, as testemunhas efetivamente se contradizem — uma afirmando o oposto da outra —, todo o testemunho cai, pois a contradição por si só já revela que ao menos uma delas não está dizendo a verdade.
Rambam traz um dado histórico notável, colhido da própria Guemará: o Ben Zakai desta mishná não é Rabán Yochanan ben Zakai — que ainda era um jovem estudante diante de seu mestre Hilel, o Ancião, quando o episódio ocorreu — mas o próprio Hilel quem conduziu o exame; foi Ben Zakai quem sugeriu, como estudante, que se perguntasse sobre a forma dos caules dos figos: se eram longos ou curtos, grossos ou finos — tudo com o propósito de prolongar o interrogatório das testemunhas. Sobre a diferença técnica, Rambam explica o princípio fundamental que rege toda hazamá: nenhum testemunho é válido se não puder, em princípio, ser refutado por outra dupla, e essa refutação exige que o tempo e o lugar do evento estejam plenamente estabelecidos — exatamente o papel das sete chakirot. Por isso um "não sei" nelas anula tudo, enquanto nas bedikot, que nada têm a ver com a fixação de tempo e lugar, o mesmo "não sei" é inofensivo.
Bartenura confirma que Ben Zakai era, na época do episódio, um discípulo que ainda julgava diante de seu mestre — daí o apelativo diminutivo "Ben Zakai" em vez de seu título completo. Explica o termo "עוקץ" — o caule pelo qual o fruto se prende à árvore. E esclarece a razão técnica da diferença central: um "não sei" em qualquer chakirá impede definitivamente a hazamá naquele ponto específico, e como a Torá exige que todos os elementos do testemunho sejam passíveis de refutação, um único elo quebrado invalida a cadeia inteira — mesmo que sejam cem testemunhas, pois testemunhas só se tornam "conspiradoras" (zomemin) quando todas, sem exceção, são refutadas juntas. Já nas bedikot, que nada têm a ver com o mecanismo da hazamá, o mesmo "não sei" não compromete nada.
Rashi confirma o pano de fundo do episódio: as testemunhas afirmavam ter visto o homicídio debaixo de uma figueira, e Ben Zakai perguntou se os caules dessa figueira eram grossos ou finos. Sobre a razão da diferença entre chakirot e bedikot, Rashi é preciso: as sete inquirições derivam diretamente dos versículos bíblicos, e é exatamente sobre elas que a Torá escreve o mecanismo da hazamá — de modo que, se falta a resposta em qualquer uma delas, essa hazamá se torna impossível, e cai o testemunho inteiro, mesmo que sejam cem testemunhas, pois testemunhas só se tornam conspiradoras quando todas, sem exceção, são refutadas em conjunto. Já as bedikot, que não têm ligação alguma com o mecanismo da hazamá, permanecem válidas ainda que todas as testemunhas respondam "não sabemos".