Se lhe morre um morto, não sai da entrada de seu palácio. Rabi Yehudá diz: se quis seguir o leito, segue, pois assim encontramos a respeito de David, que seguiu o leito de Avner, como está dito: "e o rei David seguiu o leito" (Shmuel II 3:31). Disseram-lhe: a coisa não foi senão para aplacar o povo. — Segundo os Sábios, não convém à dignidade do rei acompanhar um cortejo fúnebre, mesmo de um parente próximo — ele permanece dentro de seu palácio. Rabi Yehudá contesta com o precedente explícito de David, que pessoalmente seguiu o leito de Avner, seu general assassinado. Os Sábios respondem que aquele gesto de David não estabelece uma regra geral: foi uma medida excepcional e pontual, destinada a convencer o povo de que a morte de Avner não havia sido ordenada por ele mesmo.
E quando o consolam, todo o povo se reclina sobre o chão, e ele se reclina sobre o dargash. — Assim como no caso do Sumo Sacerdote, quando o rei é consolado por ocasião de um luto, o povo se assenta no chão em sinal de partilha do pesar, mas o próprio rei se reclina sobre um assento distinto e mais honroso — o dargash — reservado normalmente como peça decorativa da casa, e usado nessa ocasião especial.
Rabi Yehudá apoia sua posição no relato explícito de Shmuel II sobre David seguindo pessoalmente o leito fúnebre de Avner ben Ner, seu general, assassinado por Yoav.
Rambam identifica o palácio real e o dargash, e confirma que a halachá segue os Sábios contra Rabi Yehudá. Bartenura explica por que seria uma desonra ao rei mostrar-se enlutado diante do povo.
Rambam identifica o "palterin" como o palácio real. Explica que "aplacá-lo" significa falar ao coração do povo e dar-lhes a conhecer que sua intenção não havia sido matar Avner. E define o "dargash" como um tipo de assento ou leito, maior e mais honroso que o "safsal" (o banco simples do Sumo Sacerdote) — e conclui que a halachá não segue Rabi Yehudá, mas sim os Sábios, que restringem o rei ao palácio mesmo no luto.
Bartenura explica que a razão pela qual o rei não sai do palácio, segundo os Sábios, é que seria desonroso ao rei mostrar sinais de angústia e luto diante do povo. Sobre o precedente de David, esclarece que o propósito daquele gesto foi apenas fazer o povo reconhecer que Avner não havia sido morto por conselho de David — não estabelecendo, portanto, uma regra geral. E confirma que a halachá não segue Rabi Yehudá. Define o "dargash" simplesmente como um tipo de leito.
Rashi, sobre a Guemará de Sanhedrin 20a, detalha as duas fases da reação do povo à morte de Avner, e explica o costume, a origem e o material do dargash.
Rashi explica a expressão da Guemará sobre a reação do povo em duas fases: no início, o povo se reunia para "condená-lo" — pois suspeitavam que a morte de Avner tivesse partido do próprio David — e ao final, para "consolá-lo" — quando ficou claro que Avner não fora morto por ordem de David. É precisamente por essa suspeita inicial que o gesto de acompanhar o leito se fez necessário, como explicam os Sábios na mishná. Sobre o dargash, Rashi conta seu costume: era hábito das casas manter um leito e uma mesa especiais, que não eram usados normalmente, mas ficavam dispostos apenas como sinal de sorte e prosperidade da casa — associados ao nome "Gad", a divindade pagã da sorte. Esse mesmo móvel, normalmente ocioso, era o assento sobre o qual o rei se reclinava quando consolado — precisamente por não ter sido usado antes, tornando-se apropriado a essa ocasião solene.