Há maior severidade nas palavras dos escribas do que nas palavras da Torá: quem diz "não há preceito de filactérios", para transgredir as palavras da Torá, está isento. Cinco compartimentos, para acrescentar às palavras dos escribas, é responsável. — A mishná isola um único caso, mas de alcance conceitual amplo: quem nega abertamente a própria existência do preceito de filactérios não é tratado como "ancião rebelde", pois sua posição é uma negação frontal e evidente de um mandamento explícito da Torá — reconhecível por qualquer pessoa como erro, e não uma interpretação legítima em disputa. Já quem aceita o preceito, mas discorda de um detalhe estabelecido pela tradição interpretativa dos escribas — como o número de compartimentos do filactério da cabeça, fixado tradicionalmente em quatro — e ensina, por exemplo, que deveriam ser cinco, é responsável como ancião rebelde: precisamente porque este é o tipo de controvérsia interpretativa fina para a qual a instituição do ancião rebelde foi criada.
Rambam faz uma distinção essencial que a própria mishná pressupõe, mas não explicita: a isenção vale apenas para quem reconhece que os filactérios são, de fato, obrigatórios, mas ensina publicamente a anulá-los — um ato grave, porém que a Torá não pune com a morte reservada ao ancião rebelde, pois ninguém é executado apenas por anular um preceito positivo. Adverte, porém, que se a negação for feita "por via de heresia" — isto é, negando genuinamente que o preceito existe, e não apenas incitando à sua transgressão consciente — a pessoa é executada por ser considerada hereje, e não por ser tecnicamente um ancião rebelde: duas categorias jurídicas distintas que a mishná não deve ser confundida como equiparando.
Bartenura explica com uma expressão idiomática por que negar a existência do preceito de filactérios não é sequer considerado "instrução" no sentido técnico exigido pela lei do ancião rebelde: trata-se de um erro tão evidente e básico que "basta ir estudar na escola" para corrigi-lo — não é uma opinião legítima em disputa entre sábios, mas um engano grosseiro reconhecível por qualquer criança que já tenha ido à escola. Já a posição sobre os cinco compartimentos é, sim, uma verdadeira instrução halachica, pois a exegese tradicional dos escribas extrai da própria grafia da palavra "totafot" no verso a exigência específica de quatro compartimentos — de modo que discordar desse número, embora pareça um detalhe menor "apenas" da tradição interpretativa, configura plenamente a rebeldia contra a decisão do tribunal.