Não se diminui de dez Malchuyot, de dez Zichronot, de dez Shofarot. Rabi Yochanan ben Nuri diz: Se disse três de cada uma delas, cumpriu. — Segundo a opinião anônima, cada uma das três bênçãos especiais de Rosh Hashaná deve incluir, no mínimo, dez versos bíblicos relacionados a seu tema. Rabi Yochanan ben Nuri discorda, considerando suficiente que se cite apenas três versos em cada bênção — sendo esta a opinião que a halachá segue.
Não se menciona lembrança, realeza e shofar de castigo. — Ao selecionar os versos para essas três bênçãos, é preciso evitar aqueles que retratam a lembrança divina, a realeza divina ou o toque do shofar num contexto de punição ou castigo — pois o espírito das bênçãos de Rosh Hashaná é de súplica por misericórdia, não de evocação de julgamento severo.
Começa-se pela Torá e conclui-se pelo Profeta. Rabi Yosei diz: Se concluiu pela Torá, cumpriu. — A ordem canônica dos versos citados em cada bênção segue a hierarquia das três divisões da Bíblia hebraica — Torá, depois os demais Escritos, e finalmente os Profetas — começando pela Torá e encerrando pelos Profetas. Rabi Yosei discorda quanto à necessidade estrita dessa ordem para o versículo final, considerando que a mitzvá se cumpre igualmente se o último verso citado for da própria Torá.
Estes três versos exemplificam exatamente o que a mishná proíbe: uma lembrança de castigo (Tehilim), um toque de shofar de alarme e destruição (Hoshea) e uma proclamação de realeza acompanhada de ameaça (Yechezkel). Cada um desses versos contém, tecnicamente, a palavra-chave correspondente a cada bênção — lembrança, shofar, realeza — mas em um contexto de julgamento severo e punição, incompatível com o espírito de súplica misericordiosa que deve permear as bênçãos especiais de Rosh Hashaná. Da mesma forma, a mishná exclui uma "lembrança individual", como o pedido de Nechemiá "lembra-te de mim, meu D'us, para o bem" — pois, apesar de tratar-se de uma lembrança positiva, ela é pessoal demais, faltando-lhe o caráter universal e comunitário que essas bênçãos exigem.
Bartenura detalha a distribuição dos dez versos entre as três partes da Bíblia e confirma que a halachá segue tanto Rabi Yochanan ben Nuri quanto Rabi Yosei.
"De dez Malchuyot" — três versos da Torá, três dos demais Escritos, três dos Profetas, e um verso adicional da Torá que conclui a série. "Três de cada uma" — a versão reduzida de Rabi Yochanan ben Nuri exige um verso de cada uma das três divisões: um da Torá, um dos Escritos, um dos Profetas; e a halachá segue essa opinião mais branda. "Rabi Yosei diz: se concluiu pela Torá, cumpriu" — e a halachá também segue Rabi Yosei nesse ponto específico, permitindo encerrar a série com um verso da própria Torá, e não necessariamente dos Profetas.
E "lembrança, shofar e realeza de castigo" são exemplificados por versos como "e lembrou-se de que eram carne" etc., "tocai o shofar em Guivá", "se não com mão forte e braço estendido" etc. E da mesma forma, uma "lembrança individual", como "lembra-te de mim, meu D'us, para o bem", não desobriga ninguém de sua obrigação — pois, embora positiva, ela carece do caráter coletivo exigido pela estrutura dessas bênçãos.
Rashi remete o leitor à Guemará para o detalhamento exato da opinião de Rabi Yosei sobre a ordem dos versos.
"Nossa mishná: não se diminui de dez Malchuyot" etc.; "nossa mishná: não se menciona lembrança" etc. — Rashi introduz cada cláusula da mishná como base para a discussão detalhada que a Guemará desenvolve a seguir, incluindo a explicação precisa da posição de Rabi Yosei sobre a conclusão da série de versos pela Torá em vez dos Profetas.