E nas taanyot, de machos, curvos, e sua boca revestida de prata, e duas trombetas no meio. — Nos dias públicos de jejum, o shofar usado era feito de chifre de carneiro macho — curvo, ao contrário do shofar reto de Rosh Hashaná — com a boca revestida de prata em vez de ouro; e, diferentemente do arranjo de Rosh Hashaná, as duas trombetas ficavam posicionadas no centro, entre os dois shofarot, um de cada lado.
O shofar encurta e as trombetas prolongam, pois a mitzvá do dia está nas trombetas. — Nesses dias de jejum, a relação se inverte: é o toque do shofar que se encerra primeiro, enquanto as trombetas continuam soando — pois nos dias de súplica pública por causa de alguma calamidade, a obrigação central recai sobre as trombetas, e não sobre o shofar.
É este o verso que fundamenta o papel central das trombetas nos dias de jejum público. A Torá associa explicitamente a trombeta — e não o shofar — ao clamor por salvação em tempos de angústia coletiva, seja guerra, seca ou qualquer outra calamidade que atinja a comunidade. Como o jejum público não é, em sua essência, senão uma resposta a alguma aflição da comunidade, é natural que sua mitzvá central recaia sobre o instrumento que a própria Torá vincula a esse clamor. Já o shofar reto de Rosh Hashaná, revestido de ouro e com som predominante, remete ao verso de Tehilim que fala em aclamar "perante o Rei" — uma tocada de coroação e majestade, não de súplica emergencial — o que explica a completa inversão entre os dois cerimoniais.
Bartenura detalha o arranjo físico dos instrumentos e conecta a centralidade das trombetas ao verso de Bamidbar, notando ainda que shofar e trombetas nunca se combinam fora do Templo.
"E duas trombetas no meio" — havia dois shofarot, um de um lado e outro do outro lado, e as trombetas ficavam posicionadas ao centro, entre os dois. "Pois a mitzvá do dia está nas trombetas" — porque o jejum público, em geral, é decretado por causa de alguma aflição da comunidade, e está escrito "contra o adversário que vos oprime, tocareis as trombetas". E é especificamente no Templo que se procede assim, combinando ambos os instrumentos; mas fora dele, quando há shofar não há trombetas, e quando há trombetas não há shofar — os dois instrumentos combinados nunca se ouvem fora do serviço do Templo.
E fora do Templo, nos dias de jejum, não se toca senão as trombetas sozinhas. E é por isso que a mitzvá central do dia de jejum está nas trombetas — pois o jejum não existe senão por causa das aflições que atingem a comunidade, e o próprio D'us disse: "contra o adversário que vos oprime, tocareis as trombetas, e sereis lembrados".
Rashi identifica o arranjo dos dois shofarot e das trombetas centrais, e reforça a razão pela qual a mitzvá do dia de jejum recai sobre as trombetas.
"E nas taanyot" — como se diz em Massechet Taanit: "toquem os sacerdotes, toquem". "De machos" — carneiros, cujo chifre é normalmente curvo. "E duas trombetas no meio" — havia dois shofarot para eles, um de um lado e outro do outro, e as trombetas ficavam entre eles. "Pois a mitzvá do dia está nas trombetas" — porque se trata simplesmente de uma convocação da assembleia, e toda convocação se faz com trombetas, como está escrito: "e elas te servirão para a convocação da congregação".