Seder Moed · Massechet Rosh Hashaná · Perek Bet · Mishná 4 de 9

E de onde acendiam os fachos

וּמֵאַיִן הָיוּ מַשִּׂיאִין מַשּׂוּאוֹת
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Fechando a descrição do sistema de fachos, a mishná traça a rota geográfica concreta da cadeia de sinais, do Monte da Unção em Jerusalém até o último posto na fronteira com a Babilônia, de onde o sinal se espalhava livremente por toda a diáspora.

E de onde acendiam os fachos?Depois de descrever a técnica de confecção e aceso do facho, a mishná pergunta agora pela rota concreta que o sinal percorria.

Do Monte da Unção a Sartabá, de Sartabá a Grofiná, de Grofiná a Chavrán, de Chavrán a Beit Baltín, e de Beit Baltín não se moviam dali.O sinal partia do Monte das Oliveiras, junto a Jerusalém, e passava por uma sequência fixa de postos de montanha, cada um retransmitindo ao seguinte, até chegar a Beit Baltín, o último ponto fixo da cadeia, situado já próximo à fronteira da diáspora babilônica.

Mas moviam para lá e para cá, para cima e para baixo, até que via toda a diáspora diante de si como uma fogueira.Dali em diante não havia mais um posto fixo seguinte: o encarregado agitava o facho repetidamente até que, olhando ao longe, via toda a extensão da diáspora responder com suas próprias fogueiras, formando um único grande incêndio de luzes — sinal de que a notícia já se espalhara por toda parte.

וּמֵאַיִן הָיוּ מַשִּׂיאִין מַשּׂוּאוֹת, מֵהַר הַמִּשְׁחָה לְסַרְטְבָא, וּמִסַּרְטְבָא לִגְרוֹפִינָא, וּמִגְּרוֹפִינָא לְחַוְרָן, וּמֵחַוְרָן לְבֵית בִּלְתִּין, וּמִבֵּית בִּלְתִּין לֹא זָזוּ מִשָּׁם, אֶלָּא מוֹלִיךְ וּמֵבִיא וּמַעֲלֶה וּמוֹרִיד עַד שֶׁהָיָה רוֹאֶה כָל הַגּוֹלָה לְפָנָיו כִּמְדוּרַת הָאֵשׁ:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Yeshayahu 18:3
כָּל יֹשְׁבֵי תֵבֵל וְשֹׁכְנֵי אָרֶץ, כִּנְשֹׂא נֵס הָרִים תִּרְאוּ, וְכִתְקֹעַ שׁוֹפָר תִּשְׁמָעוּ.
Todos os habitantes do mundo e moradores da terra, quando se erguer um sinal nos montes, vereis; e quando se tocar o shofar, ouvireis.

O verso descreve exatamente a lógica geográfica que sustenta o percurso desta mishná: um sinal erguido nos montes é visível a todos os que habitam a terra ao redor, mesmo os mais distantes. Assim como o profeta imagina uma mensagem que alcança "todos os habitantes do mundo" por meio de um sinal visual erguido no alto, a mishná descreve com precisão geográfica exatamente como isso era feito na prática: monte por monte, do Monte das Oliveiras junto a Jerusalém até Beit Baltín, na fronteira da diáspora, e dali em diante — já sem postos fixos — até que a mensagem alcançasse "toda a diáspora" reunida diante do olhar do último mensageiro, como uma só fogueira. A rota nomeada da mishná é a realização concreta e histórica da imagem profética de um sinal que sobe do monte e se torna visível a todos.

Halachot · הֲלָכוֹת

Bartenura identifica os lugares mencionados e explica a expressão "como uma fogueira".

Bartenura · Rosh Hashaná 2:4
מֵהַר הַמִּשְׁחָה. הַר הַזֵּיתִים שֶׁהוּא נֶגֶד יְרוּשָׁלַיִם בְּמִזְרָחָהּ: כָּל הַגּוֹלָה. בְּנֵי בָּבֶל: כִּמְדוּרַת אֵשׁ. שֶׁכָּל אֶחָד וְאֶחָד נוֹטֵל אֲבוּקָה וּמַעֲלָהּ לְרֹאשׁ גַּגּוֹ.

"Do Monte da Unção" — o Monte das Oliveiras, que fica diante de Jerusalém, a leste dela. "Toda a diáspora" — os filhos da Babilônia. "Como uma fogueira" — porque cada um dos habitantes tomava uma tocha e a erguia no topo de seu próprio telhado, de modo que o conjunto de todas essas luzes pequenas parecia, de longe, uma única grande fogueira.

Rambam · Perush HaMishná, Rosh Hashaná 2:4
זֶה מַמְשִׁיךְ בֵּאוּר עִנְיַן הַמַּשּׂוּאוֹת שֶׁהִתְחִיל בַּמִּשְׁנָה הַקּוֹדֶמֶת, בְּפֵרוּט הַמָּקוֹמוֹת שֶׁדֶּרֶךְ בָּהֶם הָיָה עוֹבֵר הָאוֹת.

Esta mishná dá continuidade à explicação do assunto dos fachos, iniciada na mishná anterior, detalhando agora os lugares específicos pelos quais o sinal passava em seu percurso de Jerusalém até a diáspora.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rashi confirma a identificação do Monte da Unção e do destinatário final do sinal — os habitantes da Babilônia.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Rosh Hashaná 23a-b
וּמֵאַיִן הָיוּ מַשִּׂיאִין מַשּׂוּאוֹת — מַה שֵּׁם הֶהָרִים: מֵהַר הַמִּשְׁחָה — מַתְחִילִין הוּא הַר הַזֵּיתִים שֶׁלִּפְנֵי יְרוּשָׁלַיִם עַד שֶׁרוֹאִין שֶׁעוֹשִׂין כֵּן בְּהַר סַרְטְבָא: אֶת הַגּוֹלָה — בְּנֵי בָּבֶל, אַנְשֵׁי פּוּמְבְּדִיתָא, וְהֵמָּה מוֹדִיעִין לְכָל בְּנֵי מְדִינַת בָּבֶל: כִּמְדוּרַת אֵשׁ — מְפֹרָשׁ בַּגְּמָרָא, מְדוּרַת אֵשׁ לְשׁוֹן הֶסֵּק גָּדוֹל.

"E de onde acendiam os fachos" — qual era o nome dos montes. "Do Monte da Unção" — começam no Monte das Oliveiras, diante de Jerusalém, até que veem que fazem o mesmo no Monte de Sartabá, e assim sucessivamente. "A diáspora" — os filhos da Babilônia, os homens de Pumbedita, que informavam a todos os habitantes da província da Babilônia. "Como uma fogueira" — a Guemará explica que "medurat esh" é uma expressão de grande fogueira, um ajuntamento de muitas luzes pequenas que, à distância, parecem um único incêndio.