Como acendiam os fachos? — A mishná passa a descrever, em detalhe técnico, o procedimento que fora apenas mencionado na mishná anterior.
Traziam varas longas de cedro, canas, madeira de oliveira e estopa de linho, e amarravam com um cordão. — Reuniam-se materiais que ardem bem e produzem chama visível a longa distância: madeiras longas e resistentes de cedro para dar sustentação e altura, canas e madeira de oliveira que alimentam bem o fogo, e estopa de linho que se incendeia rapidamente — tudo amarrado em um só feixe com um cordão.
E subia ao topo do monte e acendia com eles o fogo, e movia para lá e para cá, para cima e para baixo, até ver seu companheiro fazendo o mesmo no topo do segundo monte, e assim no topo do terceiro monte. — O responsável subia ao pico e ateava fogo ao feixe, agitando-o em várias direções — um movimento distinto de um simples incêndio acidental, que servia de código visual reconhecível a distância. Só prosseguia depois de confirmar visualmente que o encarregado do monte seguinte havia recebido o sinal e o retransmitia, e assim sucessivamente de monte em monte.
Já na guerra contra Guivá, na época dos Juízes, Israel usava um sinal de fumaça combinado entre unidades distantes para coordenar uma ação no momento exato — o mesmo tipo de linguagem visual codificada que a mishná descreve para a corrente de fachos entre os montes. Em ambos os casos, o sinal não é um fogo qualquer, mas um sinal com protocolo: uma quantidade, um padrão de movimento ou um momento que o distingue de qualquer fogo acidental e o torna reconhecível a quem já sabe o que procurar. A mishná herda essa mesma lógica militar e a converte em uso pacífico — não mais para coordenar uma emboscada, mas para levar, da forma mais rápida possível a longa distância, a notícia de que o mês foi santificado.
Bartenura detalha os materiais escolhidos e sua função de aumentar a chama; Rambam remete o desenvolvimento técnico ao contexto da mishná anterior.
"Varas" — madeiras longas e altas; o Targum traduz "nes" (bandeira, sinal) por "kelonás". Para que fossem vistas de longe. "E canas, madeira de oliveira e estopa de linho" — todos esses materiais aumentam a chama.
Já explicamos o assunto dos fachos na mishná anterior; aqui a mishná detalha o modo prático de sua confecção e uso, descendo do princípio geral do sistema para sua execução material e concreta.
Rashi identifica o termo francês antigo para os materiais e a técnica de amarração do feixe de fachos.
"Varas" — em francês antigo. "Longas" — para que fossem vistas de longe. "E canas, madeira de oliveira e estopa de linho" — todos esses materiais aumentam a chama. "E as amarra com um cordão" — em francês antigo, amarra-as com um fio de cordão nas pontas das varas, formando um só feixe compacto capaz de arder por tempo suficiente para completar o sinal em cada estação da corrente.