Quem estava impuro ou em caminho distante e não fez o primeiro, fará o segundo. Quem errou ou foi forçado e não fez o primeiro, fará o segundo. — Tanto o impuro e quem estava longe demais para chegar a tempo, quanto quem simplesmente errou quanto à data ou foi impedido por alguma outra força maior, e por isso deixou de trazer o korban Pessach no seu horário próprio — no catorze de Nissan —, têm todos a mesma saída: trazer o Pessach Sheni, um mês depois, no catorze de Iyar.
Se assim é, por que se disse impuro ou que estava em caminho distante? Porque estes são isentos de carét, e aqueles são culpados de carét. — Já que ambos os grupos podem igualmente recorrer ao Pessach Sheni, a mishná pergunta por que a Torá precisou mencionar especificamente o impuro e o viajante distante, e não bastou falar em termos gerais de quem não trouxe o Pessach. A resposta está na pena: se o impuro ou o viajante distante também deixarem de trazer o segundo Pessach, não incorrem em carét, pois a Torá os isentou explicitamente já no primeiro Pessach; mas quem foi impedido por erro ou por outra força maior — e não por impureza ou distância — permanece sob a ameaça de carét, caso também não traga o Pessach Sheni.
Este par de versículos é a base direta de toda a distinção da mishná. O versículo 10 concede explicitamente ao impuro e a quem está em caminho distante o direito de trazer o Pessach Sheni, sem cominar pena alguma sobre eles caso também não o façam; já o versículo 13 reserva a pena de carét exclusivamente a "o homem que está puro, e não estava em caminho" — ou seja, quem não tinha nenhum dos dois impedimentos bíblicos explícitos — "e deixou de fazer o Pessach". É desse contraste preciso entre os dois versículos que a mishná deriva sua pergunta retórica: se de qualquer forma ambos os grupos recorrem ao mesmo Pessach Sheni, a menção específica do impuro e do viajante distante só pode servir para marcar que apenas eles ficam isentos de carét, deixando os demais impedidos — por erro ou força maior — sob a mesma ameaça do versículo 13.
O Rambam, no Perush HaMishná, explica a lógica por trás da isenção do impuro e do viajante distante, e a base bíblica da responsabilidade dos demais.
Quem estava impuro ou em caminho distante etc. Quando estava impuro ou em caminho distante no primeiro Pessach e não fez o segundo, não é culpado de carét, pois foi isento do primeiro Pessach — sobre o qual se disse a expressão de carét —, e foi remetido ao Pessach Sheni, sobre o qual não se disse a expressão de carét. Mas quando errou ou foi forçado no primeiro Pessach e não fez o segundo, é culpado de carét, pois a expressão da Torá é: todo aquele que não estava impuro nem em caminho distante e não fez o Pessach de forma alguma é culpado de carét. E isto é o que Ele, exaltado seja, disse: "mas o homem que está puro, e não estava em caminho" etc. E este é o sentido do que disseram aqui: estes são isentos de carét, e aqueles são culpados.
Bartenura resume a mesma lógica de forma concisa; Rashi, na Guemará, situa a pergunta retórica da mishná dentro do debate talmúdico sobre o alcance exato da expressão "por que se disse".
"Quem estava impuro" — porque estes são isentos de carét. O impuro, ou quem estava em caminho distante, o versículo os isentou de fazer o primeiro Pessach, e a raiz do carét está no primeiro Pessach; por isso, se não fizeram o Pessach Sheni, são isentos de carét.
"E estes são culpados de carét" — quem errou ou foi forçado já era culpado no primeiro Pessach, apenas que o erro e a força maior os impediram; e quando, tendo agido de propósito, não fizeram o Pessach Sheni, tornam-se culpados de carét, como está escrito "mas o homem que está puro, e não estava em caminho, e deixou de fazer o Pessach, será extirpada" — o que indica que, quanto a todos os demais erros e forças maiores ocorridos no primeiro Pessach, fora impureza e caminho distante, são culpados de carét se não fizerem o Pessach Sheni.
"Mishná: quem estava impuro" — "se assim é, por que se disse impuro" — na Guemará se pergunta: mas isso já era necessário, pois se quisesse fazer no primeiro, não poderia; a questão só recai sobre quem estava em caminho distante, que é considerado forçado por não poder fazê-lo. E também dizemos na Guemará que, se quiser fazê-lo por meio de um enviado, pode fazê-lo, segundo quem diz na Guemará que isso "se completa" — e por isso, já que os demais casos de força maior foram remetidos ao segundo, por que a Torá precisaria mencionar especificamente a força maior do caminho distante mais do que qualquer outra força maior? Porque o caminho distante é considerado força maior no sentido de que a pessoa não consegue entrar durante todo o horário de abate, como dizemos na Guemará, e isso vem nos ensinar que, mesmo que quisesse fazê-lo, não conseguiria.
"Porque estes são isentos de carét" — o impuro e quem estava em caminho distante, e quem errou e foi forçado; "e estes são culpados" — explica-se na Guemará.