Cinco coisas são oferecidas em impureza, mas não são comidas em impureza: o Omer, os dois pães, o pão da Presença, os sacrifícios de paz da congregação, e os bodes de Rosh Chodesh. — Estas cinco oferendas compartilham uma característica que as distingue: são trazidas em nome de toda a congregação e têm um tempo fixo determinado pela Torá, e por isso, se a maioria da congregação ou dos cohanim se encontra impura, elas ainda assim são oferecidas, pois o serviço comunitário não pode ser adiado indefinidamente à espera de pureza — um indivíduo impuro é afastado de seu sacrifício até se purificar, mas a congregação como um todo não é afastada de seu tempo fixo. Ainda assim, embora possam ser oferecidas em impureza para que a congregação cumpra sua obrigação, elas não podem ser comidas por pessoas impuras, pois a permissão excepcional dada a essas oferendas se refere apenas ao ato de trazê-las, e não ao consumo posterior.
O Pessach que veio em impureza é comido em impureza, pois desde o início ele não veio senão para ser comido. — O korban Pessach é uma exceção ainda maior: quando trazido em impureza — como no caso em que a maioria da congregação está impura —, ele pode não apenas ser oferecido, mas também comido por pessoas impuras, ao contrário das cinco oferendas mencionadas antes. Isso porque a própria mitsvá do Pessach, desde sua origem no Egito, foi dada com a finalidade central de ser consumido pelas famílias na noite do Seder — "cada homem segundo o que come" —, e não apenas de ser oferecido no altar. Sendo a comida sua finalidade essencial e não incidental, quando a Torá autoriza que ele seja trazido em impureza para que a congregação não fique sem seu Pessach, essa mesma autorização se estende naturalmente ao seu propósito final: ser comido.
Deste episódio — em que homens impuros reclamam a Moshé por serem excluídos do Pessach — a tradição extrai que um indivíduo impuro é de fato afastado do primeiro Pessach para o segundo, mas que a congregação como um todo, quando impura em sua maioria, não é afastada, pois a expressão "em seu tempo fixo" aplicada ao Pessach se estende, por analogia, a todas as oferendas comunitárias com tempo fixo. É dessa mesma fonte que a mishná deriva tanto a regra geral das cinco oferendas — trazidas em impureza pela maioria, mas não comidas em impureza — quanto a exceção do próprio Pessach, cuja finalidade declarada de ser comido por cada família, "cada homem segundo o que come", justifica que a permissão de trazê-lo em impureza inclua também o direito de comê-lo.
O Rambam, no Perush HaMishná, explica por que a congregação, ao contrário do indivíduo, não é afastada para o segundo Pessach, e generaliza essa regra a todas as oferendas comunitárias com tempo fixo.
Disse o Nome: "e havia homens que estavam impuros por causa de um cadáver", e deu a lei de que eles são afastados do primeiro Pessach para o segundo Pessach. E a tradição é que isso se aplica porque eles são poucos; mas se toda a congregação estivesse impura, ou a maioria dela, oferecem o Pessach mesmo estando impuros. E assim disseram: indivíduos são afastados para o segundo Pessach, mas a congregação não é afastada para o segundo Pessach. E da mesma forma, todas as oferendas comunitárias são oferecidas em impureza quando a maioria delas está impura, pois aprendemos do Pessach para todas elas — já que o Nome disse sobre o Pessach "em seu tempo fixo", e disse sobre todas as oferendas comunitárias "estas fareis para o Eterno em vossos tempos fixos", dando a todas elas um tempo fixo.
Bartenura explica por que a mishná escolhe o número "cinco" para excluir a oferenda festiva do décimo quinto dia, e detalha cada uma das cinco oferendas; Rashi, na Guemará, resume os mesmos pontos com a razão do Pessach ser comido em impureza.
"Cinco coisas são oferecidas em impureza etc.": disse o Nome "e havia homens que estavam impuros por causa de um cadáver", e deu a lei de que eles são afastados do primeiro Pessach para o segundo Pessach; e a tradição é que isso se aplica porque eles são poucos, mas se toda a congregação estivesse impura, ou a maioria dela, oferecem o Pessach mesmo estando impuros. E assim disseram: indivíduos são afastados para o segundo Pessach, mas a congregação não é afastada para o segundo Pessach.
E disseram "cinco" e não disseram "estas coisas são oferecidas em impureza", para excluir a oferenda festiva do décimo quinto dia, cujo assunto ainda explicaremos, pois embora seja como uma oferenda comunitária — assim como não é oferecida em Shabat, como já explicamos — do mesmo modo não é oferecida em impureza.
"Cinco coisas" — não há na congregação oferenda comida senão estas, e a oferenda comunitária afasta a impureza, pois aprendemos do Pessach, sobre o qual está escrito "em seu tempo fixo", e afasta a impureza quando a maioria da congregação está impura, pois assim dizemos: "um homem quando estiver impuro" etc. — o indivíduo é afastado, mas a congregação não é afastada; e sobre as oferendas comunitárias está escrito "estas fareis para o Eterno em vossos tempos fixos", como está dito sobre o Pessach "em seu tempo fixo". E a mishná nos ensina que, embora sejam oferecidas em impureza para cumprir a obrigação da congregação, não são comidas em impureza.
"Sacrifícios de paz da congregação" — os cordeiros de Shavuot, pois não há outros sacrifícios de paz para a congregação. "E os bodes de Rosh Chodesh" — e não ensinou os bodes das festas, pois já que nos ensinou sobre os sacrifícios de paz da congregação, que são um tipo de oferenda de sangue e não são comidos em impureza, o mesmo vale para todos os demais tipos de oferendas de sangue.
"Pois desde o início ele não veio senão para ser comido" — pois quando foi ordenada a mitsvá principal do Pessach, foi ordenada para ser comido, como está escrito "segundo o que come".
"Mishná: cinco coisas são oferecidas em impureza etc." — não há oferenda comida senão estas, e a oferenda comunitária afasta a impureza, e a mishná nos ensina que, embora seja oferecida em impureza para cumprir a obrigação da congregação, não é comida em impureza.
"Sacrifícios de paz da congregação" — os cordeiros de Shavuot, pois não há outros sacrifícios de paz para a congregação. "O Pessach que veio em impureza" — como quando a maioria da congregação está impura.
"Pois desde o início ele não veio senão para ser comido" — pois quando foi ordenada a mitsvá principal do Pessach, foi ordenada para ser comido, como está escrito "segundo o que come"; e quando o Misericordioso permitiu que viesse em impureza — visto que o indivíduo é afastado e a congregação não é afastada —, foi com a intenção de que fosse comido que o permitiu.