Abateu-o não para seus comensais e não para seus registrados, para incircuncisos e para impuros, é responsável. Para seus comensais e não para seus comensais, para seus registrados e não para seus registrados, para circuncidados e para incircuncisos, para puros e para impuros, é isento. — Se alguém abate o korban Pessach em Shabat com a intenção explícita de que ele seja consumido exclusivamente por pessoas inaptas a comê-lo — como incircuncisos ou impuros, sem incluir qualquer pessoa apta —, o sacrifício se torna totalmente inválido, e portanto o abate deixa de ser o ato de mitsvá que justificaria afastar o Shabat, tornando quem o fez responsável por chatat. Mas se a intenção incluiu tanto pessoas aptas quanto inaptas — comensais registrados e não registrados, circuncidados e incircuncisos, puros e impuros, misturados —, o korban Pessach continua válido, pois basta que haja entre os designados alguém apto para que o sacrifício se mantenha íntegro; sendo válido, o abate permanece um genuíno ato de mitsvá, e por isso quem o realizou é isento de chatat.
Abateu-o e foi encontrado com defeito, é responsável. Abateu-o e foi encontrado trefá em oculto, é isento. — Se, depois do abate em Shabat, descobre-se que o animal tinha um defeito físico que o desqualifica como korban Pessach — como um chifre quebrado ou uma perna cortada, algo visível a olho nu —, quem o abateu é responsável por chatat, pois deveria ter examinado o animal cuidadosamente antes de abatê-lo, e sua falha em fazê-lo não constitui uma circunstância imprevisível, mas um descuido evitável. Já se o animal tinha uma trefá oculta — uma lesão interna, como um pulmão perfurado, impossível de ser detectada sem o próprio abate —, quem o abateu é isento, pois se trata de uma circunstância verdadeiramente além de seu controle, sobre a qual não havia como ter previamente se precavido.
Abateu-o e soube-se que os donos retiraram sua mão, ou que morreram, ou que se contaminaram, é isento, porque abateu com permissão. — Se alguém abate o korban Pessach em Shabat e, somente depois, descobre-se que os donos designados para aquele animal já haviam desistido de participar dele antes do abate, ou já haviam morrido, ou se haviam contaminado — situações que, se conhecidas antes, teriam impedido legitimamente o abate em Shabat —, ainda assim quem abateu é isento de chatat, pois no momento em que realizou o abate, ele tinha plena permissão para fazê-lo: agiu de boa-fé, com base na situação que conhecia, e o fato de a situação ter mudado sem seu conhecimento não transforma retroativamente seu ato legítimo em uma transgressão.
Este versículo, que exige que o korban Pessach seja consumido apenas por pessoas previamente registradas para ele, é a fonte para a invalidade do sacrifício quando abatido exclusivamente para quem não pode comê-lo — incircuncisos, impuros ou não registrados —, e ao mesmo tempo mostra por que basta que exista entre os designados uma única pessoa apta para que o korban permaneça válido. Toda a primeira parte da mishná depende dessa exigência de registro prévio: quando a intenção do abate mistura aptos e inaptos, o versículo é satisfeito através dos comensais aptos, e o sacrifício se mantém pleno, ao passo que a intenção exclusiva por inaptos anula por completo a validade que este mesmo versículo exige.
O Rambam, no Perush HaMishná, remete ao perek anterior o princípio de que um Pessach abatido para aptos e inaptos misturados permanece válido, e distingue os graus de responsabilidade conforme o tipo de defeito descoberto.
Já explicamos no quinto perek que o Pessach abatido para aptos e inaptos é válido; por isso, quando o abateu em Shabat para circuncidados e incircuncisos, é isento. Mas quando o abateu em Shabat para inaptos, de modo que o Pessach seja inválido, se foi por engano é responsável por chatat, e se foi de propósito é responsável por apedrejamento. E o mesmo quando se encontra nele um defeito, pois deveria tê-lo examinado antes de abatê-lo em Shabat. E o mesmo quando se encontra nele uma trefá visível; mas se a trefá era oculta e não se soube dela até depois do abate, é isento.
Bartenura explica por que o Pessach continua válido mesmo abatido para aptos e inaptos misturados, e distingue defeito visível de trefá oculta; Rashi, na Guemará, confirma a mesma distinção e explica o caso final dos donos que desistiram, morreram ou se contaminaram.
"Abateu-o não para seus comensais e não para seus registrados, para incircuncisos etc.": já explicamos no quinto perek que o Pessach abatido para aptos e inaptos é válido; por isso, quando o abateu em Shabat para circuncidados e incircuncisos, é isento. Mas quando o abateu em Shabat para inaptos, de modo que o Pessach seja inválido, se foi por engano é responsável por chatat, e se foi de propósito é responsável por apedrejamento.
E o mesmo quando se encontra nele um defeito, pois deveria tê-lo examinado antes de abatê-lo em Shabat. E o mesmo quando se encontra nele uma trefá visível, como um furo na cabeça e as pernas cortadas e semelhantes. Mas se a trefá era oculta e não se soube dela até depois do abate, como um furo no coração e no pulmão e semelhantes, é isento. E o sentido de dizer "isento" em toda esta passagem é que está isento de trazer chatat.
"Para seus comensais e não para seus comensais, é isento etc." — pois este é um Pessach válido, já que dissemos no perek "Tamid Nishchat" que quem abate para inaptos e para aptos não invalida.
"Abateu-o e foi encontrado com defeito, é responsável" — pois é um erro, e não uma circunstância imprevisível, já que deveria tê-lo examinado. "Que os donos retiraram sua mão" — dele, antes do abate, e se registraram em outro. "Ou que morreram ou se contaminaram" — pois agora o Shabat não lhes foi dado para ser afastado por eles. "É isento" — pois é uma circunstância imprevisível, já que não sabia que assim era, e não tinha como verificar isso.
"Abateu-o não para seus comensais em Shabat" — pois é um Pessach inválido, e lhe escapou que era Shabat, ou pensou que fosse válido. "Não para seus comensais" — para um doente e para um idoso, é responsável por chatat, pois o Shabat não foi dado para ser afastado por este abate.
"Para seus comensais e não para seus comensais etc., é isento" — pois este é um Pessach válido, como ensinamos em "Tamid Nishchat", que uma parte dos comensais não invalida. "Abateu-o e foi encontrado com defeito, é responsável" — pois é um erro, e não uma circunstância imprevisível, pois deveria tê-lo examinado.
"Que os donos retiraram sua mão" — dele, antes do abate, e se registraram em outro. "Ou que morreram ou se contaminaram" — pois agora não foi dado para afastar o Shabat por causa dele. "É isento" — pois é uma circunstância imprevisível, pois não sabia que assim era, e não tinha como verificar isso.