Como seu procedimento em dia comum, assim é seu procedimento em Shabat, exceto que os cohanim lavavam o átrio, sem a vontade dos Sábios. — Todo o cerimonial de abate em três turmas, a corrente de mãos dos cohanim e a aspersão junto ao fundamento seguia exatamente o mesmo padrão, quer a véspera de Pessach caísse em dia comum quer em Shabat — apesar de, em Shabat, normalmente ser proibido lavar pisos. A única diferença observada era que, devido à grande quantidade de sangue derramado no chão do átrio por causa do volume excepcional de sacrifícios, os cohanim costumavam lavá-lo mesmo em Shabat, uma prática que os Sábios não aprovavam, por considerá-la um trabalho evitável.
Rabi Yehudá diz: enchia um cálice com o sangue da mistura, e o jogava numa única aspersão sobre o altar; e os Sábios não concordaram com ele. — Rabi Yehudá sustentava que, quando parte do sangue de diferentes korbanot Pessach caía e se misturava no chão do átrio, era possível recolher essa mistura num cálice e aspergi-la sobre o altar de uma só vez, aproveitando assim o sangue derramado. Os demais Sábios discordaram, provavelmente por não confiarem que a mistura recolhida do chão realmente representasse sangue já validamente recebido em vasos de serviço.
A própria Torá prescreve um sacrifício adicional específico para o Shabat, prova de que o serviço do Templo — incluindo o abate, a oferenda e todas as operações necessárias, mesmo as que normalmente constituiriam trabalho proibido — afasta as restrições comuns de Shabat. É esse princípio geral de que "não há proibição rabínica de descanso dentro do Templo" que serve de pano de fundo para a disputa desta mishná: os cohanim entendiam que lavar o átrio, mesmo sendo uma atividade evitável, se enquadrava nessa licença ampla, enquanto os Sábios discordavam nesse ponto específico.
O Rambam, no Perush HaMishná, esclarece que a diferença entre dia comum e Shabat se resume exatamente à lavagem do átrio, e que a lei não segue Rabi Yehudá quanto ao sangue misturado.
Quanto ao que disse "como seu procedimento em dia comum, assim é seu procedimento em Shabat", explicou que isso era sem a vontade dos Sábios; e se fosse com a vontade dos Sábios, haveria diferença entre seu procedimento em dia comum e seu procedimento em Shabat, e essa diferença seria a lavagem do átrio, pois não a lavavam em Shabat. E a lei não segue Rabi Yehudá.
Bartenura descreve o funcionamento do canal de água que percorria o átrio e explica a disputa sobre o sangue misturado; Rashi, na Guemará, acrescenta o mesmo quadro técnico.
"Como seu procedimento em dia comum, assim é seu procedimento em Shabat, etc.": ao dizer "como seu procedimento em dia comum, assim é seu procedimento em Shabat", explicou que isso era sem a vontade dos Sábios; e se fosse com a vontade dos Sábios, haveria diferença entre seu procedimento em dia comum e seu procedimento em Shabat, e essa diferença seria a lavagem do átrio. E a lei não segue Rabi Yehudá.
"Os cohanim lavavam o átrio" — por serem os sangues numerosos, lavavam-no mesmo em Shabat. Pois um canal de água percorria o átrio, e quando queriam lavar, tapavam o orifício de saída, e as águas se espalhavam sobre todas as suas margens e lavavam todo o átrio, e depois abriam o orifício e as águas saíam.
"Do sangue da mistura" — o que estava lançado no piso. E a lei não segue Rabi Yehudá.
"Pois se se derramou o sangue de um deles" — na terra, e não foi aspergido dele ao altar, resulta que este cálice o torna apto — pois está misturado nele algo do que se derramou.
"Talvez não tenha sido recebido no vaso" — aquele que se quer tornar apto: talvez não tenha sido recebido no vaso, e então a aspersão não lhe aproveita mais.
"E eis que o sangue de gotejamento residual" — de muitos korbanot Pessach está misturado nele, e se se derramou o sangue de um, todo ele fica anulado por sua minoria — e de que adiantaria a aspersão, já que está anulado?