Serviram-lhe o terceiro copo, abençoa sobre sua refeição. — Depois de terminada a refeição principal do Seder, serve-se o terceiro copo, sobre o qual se recita o Birkat HaMazon — a bênção obrigatória depois de comer pão —, associando assim esse copo especificamente ao encerramento formal da refeição.
O quarto, completa sobre ele o Halel, e diz sobre ele a bênção do cântico. — No quarto e último copo, retoma-se e completa-se a recitação do Halel — a segunda metade, que havia sido deixada para depois da refeição —, e acrescenta-se ainda uma bênção adicional específica, chamada “bênção do cântico”, associada à conclusão festiva de toda a sequência de louvor.
Entre esses copos, se quiser beber, beba; entre o terceiro e o quarto, não beba. — Fora dos quatro copos obrigatórios do Seder, a pessoa tem liberdade para beber vinho adicional entre a maioria dos intervalos da noite; mas especificamente entre o terceiro e o quarto copo — o intervalo entre o fim da refeição e a conclusão do Halel — essa liberdade é suspensa, para evitar que a pessoa se embriague e perca a capacidade de completar devidamente a recitação do Halel que ainda falta.
É deste versículo que se deriva a própria obrigação bíblica do Birkat HaMazon, a bênção depois de comer pão até a saciedade — e é exatamente essa bênção que a mishná vincula ao terceiro copo do Seder. A associação de um copo de vinho a essa bênção específica não é acidental: como o Birkat HaMazon é, entre as quatro bênçãos associadas aos copos do Seder, a única de origem plenamente bíblica, os sábios lhe reservaram um copo próprio, distinto tanto do Kidush quanto da narrativa e do Halel, marcando o encerramento formal da refeição com a mesma solenidade que marca seu início.
O Rambam, no Perush HaMishná, explica a razão prática da proibição de beber entre o terceiro e o quarto copos, e identifica o texto exato da bênção do cântico.
Serviram-lhe o terceiro copo, abençoa sobre sua refeição etc. O motivo por que impusemos não permitir-lhe beber entre o terceiro e o quarto é para que não se embriague, pois o vinho tomado durante a comida não embriaga tanto quanto embriagaria sem comida. E “bênção do cântico” é “Nishmat Kol Chai” até seu fim, e também “Yehalelucha” até o fim se chama bênção do cântico; e se recitou ambas, é louvável.
Bartenura confirma a mesma identificação da bênção do cântico e explica por que o vinho consumido durante a refeição não embriaga da mesma forma que o vinho bebido depois.
“Bênção do cântico” — há quem diga “Nishmat Kol Chai”, e há quem diga “Yehalelucha Hashem Kol Maassecha”; e o costume é dizer ambas.
“Entre o terceiro e o quarto não beba” — para que não se embriague e depois não consiga terminar o Halel. E se disseres que já está embriagado, pois bebeu à vontade durante a refeição — o vinho bebido durante a refeição não embriaga, e o bebido depois da refeição embriaga.