Temperos de trumá e de kilei hakerem que caíram na panela (paralelo exato de 2:14, mas agora com temperos numa panela de comida cozida, em vez de fermento numa massa de pão), não havendo nestes o suficiente para temperar, nem naqueles o suficiente para temperar (nenhum dos dois temperos, isoladamente, seria suficiente para dar sabor perceptível à panela), e se juntaram e temperaram (mas a soma dos dois, juntos, efetivamente deu sabor perceptível ao prato), é proibido aos não-cohanim, e permitido aos cohanim (exatamente o mesmo resultado misto de 2:14: proibido a quem a trumá seria proibida, permitido a quem ela seria permitida, pois o kilei hakerem, isolado, era insuficiente). Rabi Shimon permite aos não-cohanim e aos cohanim (a mesma posição de Rabi Shimon, consistente com sua rejeição da soma de "nomes diferentes" já vista em 2:10 e 2:14).
A mesma base bíblica de 2:14, agora aplicada à categoria de "temperar" (em vez de "fermentar") do princípio geral de 2:4.
Por que a Mishná repete quase literalmente a mesma disputa, mudando apenas "fermento e massa" para "tempero e panela"? Este é um padrão didático comum na Mishná: apresentar o mesmo princípio jurídico em dois contextos práticos ligeiramente diferentes, para deixar claro que a regra não é peculiar a um caso específico, mas reflete um princípio verdadeiramente geral. Como o próprio texto de 2:4 já havia agrupado "o que fermenta e o que tempera" na mesma categoria, era esperado que a Mishná, ao explorar as implicações mais sutis desse princípio (a soma de dois elementos insuficientes de nomes diferentes), o fizesse tanto para o caso de fermento quanto para o de tempero — confirmando que a lógica de "isto e aquilo causam", com sua divisão entre cohanim e não-cohanim, é simétrica nos dois cenários.
O Rambam trata este caso em conjunto com o da mishná anterior, dentro da mesma halachá de Hilchot Maachalot Assurot 16:13, que menciona explicitamente tanto o fermento quanto o tempero.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
A coisa toda já está explicada, mas [a mishná] nos informou que a disputa deles [dos Sábios] com Rabi Shimon [se aplica] nas duas declarações — ou seja, em fermento e em tempero — pois, se nos tivesse informado a disputa deles apenas em fermento, diríamos que é apenas em fermento (o Rambam explica precisamente por que esta mishná, aparentemente redundante, é necessária: sem ela, poder-se-ia supor que a disputa entre os Sábios e Rabi Shimon se aplica apenas ao caso de fermento e massa, e que, no caso de tempero e panela, talvez ambos concordassem com uma regra diferente — esta mishná fecha essa possibilidade, confirmando que a mesma disputa vale igualmente para os dois cenários).
"Temperos de trumá e de kilei hakerem": também aqui, os Sábios seguem sua própria lógica, e Rabi Shimon a sua. E a lei do tempero é como a lei do fermento (o Bartenura confirma, de forma concisa, exatamente o ponto observado pelo Rambam: esta mishná não introduz um novo princípio, mas estende, de forma explícita, a mesma disputa e a mesma decisão halachica ao caso paralelo de temperos).