Fermento de trumá e de kilei hakerem que caíram dentro de uma massa (dois fermentos proibidos, de fontes distintas, caindo na mesma massa), não havendo neste o suficiente para fermentar, nem naquele o suficiente para fermentar (nenhum dos dois, isoladamente, teria capacidade de fazer a massa fermentar), e se juntaram e fermentaram (mas a soma dos dois fermentos, juntos, efetivamente fez a massa fermentar — o mesmo cenário de causa combinada de 2:11), é proibido aos não-cohanim, e permitido aos cohanim (diferente de 2:11, aqui o resultado não é simplesmente "permitido" — porque um dos dois elementos, a trumá, é proibida apenas aos não-cohanim, mas permitida aos próprios cohanim; por isso, a massa resultante da combinação segue essa mesma distinção: proibida a quem a trumá seria proibida, permitida a quem ela seria permitida). Rabi Shimon permite aos não-cohanim e aos cohanim (Rabi Shimon discorda inteiramente, seguindo sua posição já vista em 2:10 — de que "dois nomes diferentes" [aqui, trumá e kilei hakerem] não se somam para completar a proibição, tornando a massa permitida a todos).
A mishná combina o princípio de "isto e aquilo causam" (2:11) com a distinção entre "nomes iguais" e "nomes diferentes" (2:10), aplicada ao caso específico de trumá com kilei hakerem.
Por que o resultado desta mistura de trumá com kilei hakerem não é simplesmente "proibido a todos", já que kilei hakerem por si só proíbe a todos? A resposta está na natureza específica de "isto e aquilo causam": como nenhum dos dois elementos, isoladamente, era suficiente para fermentar a massa, o resultado (a fermentação) não pode ser atribuído exclusivamente a nenhum deles — é um produto genuinamente combinado. Como a massa fermentada "herda" as duas identidades combinadas, ela também herda as duas permissões parciais: como a trumá, sozinha, seria permitida aos cohanim, e como o kilei hakerem contribuiu apenas parcialmente (sem ser, por si só, suficiente), a lógica de "isto e aquilo causam" aqui não resulta em permissão total (como em 2:11, onde ambos os elementos eram tratados igualmente), mas numa permissão parcial e proporcional à identidade de cada contribuinte.
O Rambam codifica este caso em Hilchot Maachalot Assurot 16:13.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
"Proibido aos não-cohanim": porque a proibição de trumá recai sobre eles, e do mesmo modo o fermento de kilei hakerem, e já se completou a fermentação a partir de algo proibido para eles (o Rambam explica: para o não-cohen, tanto a trumá quanto o kilei hakerem são fontes de proibição — por isso, do ponto de vista dele, a fermentação foi "causada" por dois elementos, ambos proibidos para ele). Mas para os cohanim, é para eles como fermento de alimento comum e de trumá que caíram numa massa de um Israel [alimento comum + trumá, que para o cohen ambos são permitidos] (do ponto de vista do cohen, a trumá não é proibida — por isso, para ele, apenas o kilei hakerem seria o elemento proibido, mas como este sozinho era insuficiente para fermentar, aplica-se a lógica de "isto e aquilo causam" na sua forma permissiva, tornando a massa permitida para ele).
"Proibido aos não-cohanim": os Sábios seguem sua própria lógica, já expressa acima [2:10], de que temperos [ou fermentos] de dois ou três nomes se somam para proibir a coisa temperada (o Bartenura conecta explicitamente esta mishná à posição já estabelecida em 2:10 sobre soma de "nomes diferentes"). "E permitido aos cohanim": pois a trumá lhes é permitida, e não há no kilei hakerem, sozinho, o suficiente para fermentar (a explicação direta do resultado: como, do ponto de vista do cohen, apenas o kilei hakerem seria relevante, e ele sozinho é insuficiente, a massa permanece permitida para ele). "Rabi Shimon permite aos não-cohanim": seguindo sua lógica de que dois ou três nomes de um único tipo não se somam.