Fermento de alimento comum e de trumá que caíram dentro de uma massa, não havendo neste o suficiente para fermentar, nem naquele o suficiente para fermentar (nenhum dos dois fermentos, isoladamente, teria capacidade de fazer a massa fermentar), se juntaram e fermentaram (mas juntos, os dois fermentos somados efetivamente fizeram a massa fermentar), Rabi Eliezer diz: sigo o último (Rabi Eliezer resolve o caso atribuindo o efeito exclusivamente ao fermento que caiu por último: se foi o de trumá que caiu por último, a massa é proibida — ele "completou" o processo; se foi o comum, a massa é permitida). E os Sábios dizem: seja caindo o proibido no início, seja no fim, nunca proíbe, a menos que haja nele, sozinho, o suficiente para fermentar (os Sábios rejeitam o critério de ordem cronológica de Rabi Eliezer: para eles, o que importa é apenas se o fermento proibido, isoladamente, teria capacidade de fermentar a massa; como neste caso ele não tinha essa capacidade sozinho, a massa permanece permitida, independentemente da ordem em que os fermentos caíram).
A disputa entre Rabi Eliezer e os Sábios introduz um princípio rabínico central — "zeh vezeh gorem" (isto e aquilo causam) — que também apareceu em 1:9 no contexto do enxerto de galho de orlá.
Por que os Sábios recusam o critério de "seguir o último" de Rabi Eliezer, e como isso se conecta ao princípio já visto em 1:9? Em Orlá 1:9, os comentadores explicaram que quando um resultado depende da combinação de duas causas — uma proibida e uma permitida —, nenhuma delas isoladamente é responsável pelo resultado final; o produto que emerge da combinação de ambas não herda a proibição de nenhuma delas. Os Sábios aplicam exatamente esta lógica aqui: como nenhum dos dois fermentos, isoladamente, teria causado a fermentação, o resultado (a massa fermentada) é visto como produto de "isto e aquilo" — uma causa mista — e por isso permanece permitido. Rabi Eliezer discorda porque, para ele, o fermento que "completa" o processo (o último a cair) é que efetivamente causa a transformação final, tornando-se, assim, o responsável exclusivo pelo resultado.
O Rambam decide a halachá como os Sábios, contra Rabi Eliezer, seguindo o mesmo princípio de "zeh vezeh gorem mutar" já codificado em Hilchot Maachalot Assurot 15 e aplicado aqui de forma consistente.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná e o princípio de "zeh vezeh gorem".
"Sigo o último": seu sentido, como te direi, é que se caiu fermento de trumá por último, é proibido, ainda que não haja nele o suficiente para fermentar sozinho; e se caiu fermento de alimento comum por último, é permitido (a lógica de Rabi Eliezer: o último elemento a entrar em contato com a massa é considerado o agente final da transformação, e por isso determina sozinho o status halachico do resultado)... Mas se não removeu [o fermento anterior], tudo é proibido segundo Rabi Eliezer, pois ele entende que "isto e aquilo causam" é proibido (o Rambam esclarece uma nuance: mesmo para Rabi Eliezer, sua posição depende de o primeiro fermento ter sido removido antes do segundo cair; se ambos permanecem simultaneamente ativos, mesmo Rabi Eliezer concorda que se trata de uma causa mista, mas ele — ao contrário dos Sábios — considera essa causa mista proibida, não permitida).
"Sigo o último": se o fermento de trumá caiu por último, toda a massa se torna medumá [proibida]; e se o de alimento comum caiu por último, tudo é permitido (a formulação clara da posição de Rabi Eliezer, na leitura do Bartenura). [Sobre a posição dos Sábios] "Nunca proíbe, a menos que haja nele o suficiente para fermentar": pois "isto e aquilo causam" é permitido. E a halachá é como os Sábios (o Bartenura confirma a decisão final, citando explicitamente o princípio de "zeh vezeh gorem mutar" como o fundamento da posição vencedora).