Yoezer, homem de Habirá, era dos discípulos de Beit Shamai (identificação do transmissor, paralela à de Dostai em 2:5 — outro sábio da escola de Shamai que, mesmo assim, testemunha uma tradição que reforça a posição vencedora dos Sábios), e disse: perguntei a Rabán Gamliel o Velho, estando ele junto à Porta Oriental (um relato de encontro direto e específico — o local, a Porta Oriental do Pátio do Templo, ancora a tradição num contexto histórico concreto), e ele disse: nunca proíbe, a menos que haja nele o suficiente para fermentar (a resposta de Rabán Gamliel confirma exatamente a posição dos Sábios na mishná anterior — que o critério decisivo é a capacidade do próprio fermento proibido, isoladamente, de fermentar a massa, e não a ordem cronológica de sua queda).
Como em 2:5, esta mishná não introduz um novo tema halachico, mas uma tradição de confirmação sobre a mishná anterior.
Por que a mishná encerra a disputa de 2:11 com um testemunho pessoal, em vez de simplesmente declarar "e a halachá é como os Sábios"? Este é um padrão retórico recorrente na Mishná: quando uma posição precisa de reforço adicional de autoridade, a tradição recorre a um testemunho direto de um sábio anterior — aqui, nada menos que Rabán Gamliel o Velho, uma das figuras mais respeitadas da liderança rabínica do período do Segundo Templo. O fato de o transmissor, Yoezer, ser um discípulo da escola de Shamai (a escola tipicamente mais rigorosa) e ainda assim relatar uma resposta que confirma a posição mais lenient dos Sábios, reforça duplamente a autoridade da decisão: ela não vem apenas da maioria, mas é confirmada até por uma fonte da escola potencialmente inclinada a discordar.
Como em 2:5, não há uma halachá dedicada específica do Rambam para este testemunho — a halachá prática já foi fixada na mishná anterior (2:11), e este relato apenas confirma, através de uma segunda fonte independente, que a posição dos Sábios remonta à autoridade de Rabán Gamliel o Velho.
O que os comentadores dizem sobre esta breve mishná de transmissão.
Trouxe as palavras de Yoezer, homem de Habirá, como reforço às palavras dos Sábios, e já dissemos que a halachá é como os Sábios (o Rambam identifica precisamente a função retórica desta mishná: ela não introduz conteúdo novo, mas serve exclusivamente para reforçar, através de uma tradição de autoridade adicional, a decisão halachica já fixada na mishná anterior).
O Bartenura não comenta esta mishná especificamente — como em 2:5, provavelmente por considerá-la autoexplicativa, uma vez que seu conteúdo é idêntico ao da posição dos Sábios já explicada na mishná anterior, restando apenas o valor de reforço histórico da tradição.