Temperos de dois ou três nomes de um só tipo, ou de três tipos [com nome comum] (um prato recebe vários temperos proibidos — por exemplo, de orlá, de kilei hakerem e de trumá —, cada um em quantidade pequena demais para, isoladamente, temperar o prato perceptivelmente, mas todos pertencendo ao mesmo tipo geral de tempero, ou a variedades diferentes que compartilham um nome comum), é proibido, e se somam (mesmo que nenhum deles isoladamente bastasse para dar sabor perceptível, a soma de todos eles é suficiente, e por isso o prato inteiro fica proibido). Rabi Shimon diz: dois ou três nomes de um só tipo, ou dois tipos de um só nome, não se somam (Rabi Shimon discorda parcialmente: para ele, apenas quando os temperos compartilham exatamente o mesmo nome — ainda que de tipos ligeiramente diferentes — é que eles se somam; quando são nomes distintos, mesmo do mesmo tipo geral, cada um deve ser avaliado isoladamente, e nenhum, sendo insuficiente por si só, proíbe).
A mishná trata de um princípio rabínico de soma de proibições relacionadas, sem introduzir nova fonte bíblica.
Por que a soma de vários temperos, cada um insuficiente, pode ainda assim tornar o prato proibido? O princípio geral de "tempera em qualquer quantidade" (2:4) não exige que um único tempero, isoladamente, dê sabor perceptível — ele exige apenas que o sabor final do prato seja perceptivelmente afetado pelo elemento proibido em seu conjunto. Se três temperos diferentes — todos relacionados o suficiente para serem tratados como "a mesma categoria proibitiva" — juntos alcançam esse limiar de percepção, o prato fica proibido, ainda que nenhum deles, isolado, o alcançasse. A disputa com Rabi Shimon gira em torno de quão "relacionados" os temperos precisam ser para justificar essa soma: para o tanna kama, basta serem do mesmo tipo geral (ou mesmo nome, mesmo com tipos diferentes); para Rabi Shimon, o critério é mais estrito, exigindo exatamente o mesmo nome específico.
O Rambam codifica este princípio, decidindo contra Rabi Shimon, em Hilchot Maachalot Assurot 16:14-15.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
Diz [a mishná] que quando há dois nomes de temperos, ou três, e todos são de um único tipo — como a especiaria chamada em árabe kakulá [cardamomo], da qual há uma variedade grande e uma pequena... tudo que estiver deste modo, seja de kilei hakerem, orlá ou trumá, e temperar o todo, torna-se proibida aquela coisa que foi temperada por eles, ainda que não haja em nenhum deles, isoladamente, o suficiente para temperar (o Rambam ilustra com o exemplo do cardamomo — uma especiaria com variedades reconhecidamente diferentes, mas pertencentes à mesma planta —, mostrando concretamente o que significa "um só tipo, nomes diferentes").
"Temperos de dois ou três nomes": três proibições distintas entre si são chamadas de "três nomes", como pimenta de orlá, de asherá e de trumá (o Bartenura esclarece a expressão "nomes" como se referindo às diferentes categorias de proibição — não a variedades botânicas, mas a diferentes fontes de proibição — todas atuando sobre o mesmo tipo de tempero, a pimenta). [Sobre a posição de Rabi Shimon] "Ou dois tipos de um só nome": como gengibre e pimenta, ambos de orlá, ou ambos de trumá (o caso que Rabi Shimon permite somar: dois temperos de tipos botânicos diferentes — gengibre e pimenta —, mas ambos vindos exatamente da mesma fonte de proibição, o mesmo "nome" de restrição). E não é lei como Rabi Shimon.