Ankokelot (uvas que foram danificadas por uma praga antes de atingirem um terço de sua maturação), e os caroços de uva, e as cascas, e o vinho aguado deles (bebida feita adicionando água sobre os resíduos de uva já espremida, que ainda retêm gosto de vinho), a casca da romã e sua flor (a parte externa dura da romã e o resquício floral que fica em sua ponta), as cascas de nozes, e os caroços (de qualquer fruta, como tâmaras, azeitonas e pêssegos), são proibidos em orlá, e numa asherá, e ao nazireu, e permitidos em neta revai (distinção que a mishná não explica aqui, mas que os comentadores atribuem à natureza diferente da proibição de neta revai, que exige que o item seja próprio para consumo). E as [frutas] caídas [antes de amadurecer] (novelot, frutos que caem da árvore antes de completar sua maturação), todas são proibidas (em todas as quatro categorias — orlá, asherá, nazireu e neta revai — sem exceção).
A proibição de orlá se estende, segundo a tradição rabínica, não apenas ao próprio fruto, mas a tudo que é "acessório" a ele — critério distinto do usado na mishná anterior para folhas e brotos, que não são acessórios do fruto, mas partes vegetativas independentes.
Por que essas mesmas partes acessórias — proibidas em orlá — são permitidas em neta revai? A explicação, dada pelo Bartenura abaixo, está na natureza distinta da santidade de neta revai: diferentemente de orlá, que é uma proibição de consumo (issur hana'á), neta revai é tratado como possuindo santidade equivalente à do segundo dízimo (maasser sheni) — e a santidade de maasser sheni só recai sobre aquilo que é próprio para consumo humano direto. Caroços, cascas e resíduos, não sendo comestíveis por si mesmos, nunca chegam a adquirir essa santidade, e por isso ficam fora da proibição de neta revai, mesmo continuando proibidos em orlá.
O princípio de que a proibição de orlá inclui o que é acessório ao fruto está implícito na formulação geral do Rambam ao definir os frutos proibidos; o caso específico dos novelot (frutas caídas antes de amadurecer) é tratado como categoria à parte, sempre proibida.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
"Ankokelot": explicaram isto na Guemará [referindo-se à Guemará do Talmud Yerushalmi, já que Orlá não tem Bavli], que são as uvas que não amadureceram o suficiente, e um vento que prejudica as árvores as danificou — e é isso que dizem: "uvas que perderam [a chance de atingir] um terço [de seu amadurecimento]" (a expressão hebraica é um jogo de palavras técnico, "danificaram um terço delas"). E os caroços [charzanim] são os grãos internos, e as cascas [zagim] são as peles que estão sobre os bagos das uvas (o Rambam distingue os dois termos técnicos aramaicos usados na mishná para as partes internas e externas do bago de uva).
"São proibidos em orlá": pois está escrito (Vayikrá 19) "o seu fruto" [et piryo] — [incluindo, pela partícula et,] o que é acessório ao seu fruto. "E permitidos em neta revai": pois neta revai não é proibido em proveito [em geral], mas é comido pelos seus donos em Jerusalém como segundo dízimo, e não se santifica com a santidade do segundo dízimo senão aquilo que é próprio para consumo (caroços e cascas, não sendo comestíveis por si, nunca adquirem essa santidade específica). "Novelot": frutas que caem da árvore antes de completar seu amadurecimento. "Todas são proibidas": tanto em orlá quanto em neta revai quanto numa asherá quanto ao nazireu (diferentemente dos caroços e cascas, os novelot são frutas que, apesar de imaturas, já são consideradas fruto pleno, e por isso ficam proibidas em todas as categorias, sem a exceção de neta revai).