Árvore que foi arrancada, e nela há um mergulhão (um galho ainda ligado à árvore, enterrado no solo em outro ponto, formando raízes próprias enquanto ainda recebe seiva da árvore-mãe), e ela [a árvore-mãe] vive dele (passa a se sustentar através do mergulhão, depois de arrancada de seu local original), a [árvore] velha volta a ser como o mergulhão (juridicamente, a árvore-mãe e o mergulhão se tornam uma só unidade, contando os anos de orlá a partir do momento em que a árvore-mãe passou a depender do mergulhão). Se mergulhou [um novo galho] ano após ano, e [o galho anterior] foi cortado (desligado da árvore-mãe depois de já ter enraizado), conta-se a partir do momento em que foi cortado (cada mergulhão sucessivo recomeça sua própria contagem de orlá apenas quando se desliga definitivamente da árvore original). O entrelaçamento de videiras, e entrelaçamento sobre entrelaçamento (uma técnica em que se estica um ramo comprido de uma videira até outra videira vizinha, entrelaçando-o com ela), mesmo que os tenha entrelaçado [ainda ligados] na terra, é permitido (ficam isentos de orlá, enquanto permanecerem ligados à videira original). Rabi Meir diz: no lugar onde sua força é boa, é permitido; e no lugar onde sua força é ruim, é proibido (distinguindo conforme o ramo entrelaçado ainda depende nutricionalmente da videira-mãe ou já se sustenta por si mesmo). E assim também o mergulhão que foi cortado e está cheio de frutos: se acrescentou em duzentos [uma parte em duzentas] (se o crescimento posterior ao corte representa menos de um duzentos avos do total), é proibido (o pequeno acréscimo posterior ao corte não anula o restante, que já era permitido).
A técnica da mergulhia levanta uma questão especial sobre o próprio conceito de "plantio" no versículo fundador do tratado: enquanto o galho permanece ligado à árvore-mãe, ele não é, tecnicamente, uma nova plantação.
Por que a proporção de "duzentos" aparece aqui, no caso dos frutos do mergulhão cortado? O princípio de que um produto proibido, misturado a uma quantidade muito maior de produto permitido, pode ser anulado por essa maioria (bitul) é central em várias leis alimentares judaicas, e a proporção de "um em duzentos" é uma das medidas clássicas de anulação usadas para orlá e casos análogos, desenvolvida com mais detalhe na mishná seguinte (1:6). Aqui, ela é aplicada aos frutos que já haviam crescido no mergulhão antes do corte (permitidos, pois cresceram enquanto ligado à árvore-mãe) e ao crescimento adicional depois do corte (proibido, pois já é considerado orlá de um novo plantio) — se esse acréscimo posterior for menor que a proporção de anulação, o total permanece proibido, pois ainda não atingiu a maioria necessária para ser anulado.
O Rambam trata da mergulhia (haavracá) em Hilchot Maaser Sheni veNeta Reva, capítulo 10, halachot 14-18, com maior detalhe do que o resumo da mishná.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
Quando se tomam ramos da árvore e os esticam até a terra e os enterram sob a terra, esses ramos certamente produzem fruto, e têm raízes na terra, mas sua base ainda está ligada à árvore original. Esses ramos que criaram raízes na terra são chamados de "mergulhão" [bricá], e a árvore original é chamada de "velha" [zkená] (a terminologia técnica que a mishná usa ao longo de todo o caso, e que o Rambam esclarece aqui para o leitor).
"Entrelaçamento de videiras": costume dos agricultores de pegar um ramo comprido de uma videira e esticá-lo até a videira vizinha, entrelaçando o ramo na [outra] videira — e isto se chama "entrelaçamento" [sipuk], e fica isento de orlá. "No lugar onde sua força é boa, é permitido": se o ramo que entrelaçaram na videira tem boa força e suga [nutrientes] da videira da qual foi tomado, é permitido e isento de orlá. E não é lei como Rabi Meir (a halachá segue os sábios anônimos, que não fazem essa distinção entre "lugares de força boa ou ruim", tratando o entrelaçamento como permitido enquanto durar a ligação física com a videira original).