Dois jarros, e neles há como que dois meios de azeitona, cercados com tampa bem ajustada e colocados dentro da casa: eles permanecem puros, e a casa fica impura. Se um deles foi aberto, ele e a casa ficam impuros, e o outro permanece puro. E o mesmo vale para dois quartos que se abrem para a casa.
Esta sexta e última mishná do Perek Chet encerra o capítulo com um caso que ilustra, de modo preciso, os limites da proteção de tzamid patil — a tampa bem ajustada que, segundo a Torá (Bemidbar 19:15), protege o que está dentro de um vaso selado contra a impureza que já está presente na casa onde ele se encontra. Aqui, dois jarros de cerâmica, cada um contendo meia porção de cadáver do tamanho de meia azeitona — portanto, abaixo da medida mínima de um azeitona inteiro que impurificaria por si só —, estão selados com tampa bem ajustada e colocados dentro de uma mesma casa. Enquanto ambos permanecem fechados, cada jarro protege seu próprio conteúdo: nenhum dos dois se torna impuro, pois a impureza do meio-azeitona do jarro vizinho não consegue penetrar através da tampa selada. Mas a casa como um todo não goza dessa mesma proteção: como os dois meios-azeitona, somados, completam a medida de um azeitona inteiro, e essa soma ocorre no espaço comum da casa que os contém a ambos, a casa inteira se torna impura, ainda que nenhum de seus dois jarros o seja. Se, porém, um dos jarros for aberto, ele perde a proteção do tzamid patil e se torna impuro junto com a casa, mas o outro jarro, ainda selado, permanece puro — pois cada jarro é julgado por sua própria condição de fechamento. A mishná fecha comparando este caso a dois quartos fechados que se abrem para uma mesma casa: também aqui, os meios-azeitona de cada quarto se somam para impurificar a casa comum, ainda que os quartos, enquanto fechados, permaneçam eles próprios protegidos.
Já se estabeleceu anteriormente que meia medida não impurifica, e já se estabeleceu também que, quando há numa casa um azeitona de cadáver — seja ele cortado em pedaços, seja um corpo único —, a casa fica impura, e tudo o que está nela se impurifica, a menos que esteja cercado com tampa bem ajustada, conforme sua condição. E já explicamos, no oitavo capítulo de Massechet Kelim, que, quando a impureza está debaixo de uma tampa bem ajustada, ela mesmo assim impurifica a casa, ainda que a tampa a proteja da impureza. Tendo em mente estes princípios, o caso dos dois jarros desta mishná fica claro.
Já quanto ao que se diz sobre os dois quartos, é um lugar de dúvida que passo a explicar: assim como, nesses dois jarros, meio-azeitona de um jarro se soma ao meio-azeitona do outro jarro para impurificar o que está fora deles — mas não para impurificar o vaso que contém o meio-azeitona —, assim também é a regra de um quarto dentro da casa: se havia meia medida no quarto e meia medida na casa, soma-se a meia medida do quarto à meia medida da casa para impurificar a casa que está fora do quarto, mas não para impurificar o quarto, tal como dissemos aqui: “a casa é impura e o jarro é puro”.
E a redação da Tosefta sobre este assunto é a seguinte: se havia três casas, uma dentro da outra e outra dentro da outra, com meio-azeitona na interna ou na do meio, e meio-azeitona na externa — a externa é impura, e a interna e a do meio são puras. Com meio-azeitona na interna e meio-azeitona na do meio — a interna é pura, e a externa e a do meio são impuras. E assim já se explicou tudo o que mencionamos.
Sobre “como que dois meios de azeitona”: meio-azeitona neste jarro e meio no outro.
Sobre “a casa fica impura”: pois a tampa bem ajustada não salva a impureza que está debaixo dela de impurificar a casa; e, ainda que estejam em dois jarros, sendo ambos dentro da casa, eles se somam para completar a medida e impurificar a casa. Mas os jarros permanecem puros, pois a impureza do meio-azeitona que está no jarro vizinho não entra dentro do outro, uma vez que está cercado com tampa bem ajustada.
Sobre “e o mesmo vale para dois quartos que se abrem para a casa”: com suas portas trancadas, e meio-azeitona neste quarto e meio-azeitona naquele quarto: a casa fica impura, pois a impureza, no fim, sai; e os quartos permanecem puros, pois não é costume a impureza entrar.
Com esta sexta mishná, encerra-se o Perek Chet de Massechet Ohalot, dedicado a uma classificação sistemática de todos os objetos do mundo diante da impureza de ohel, organizados em quatro categorias exaustivas.
O capítulo abriu (8:1) enunciando as quatro categorias — o que traz e bloqueia, o que traz e não bloqueia, o que bloqueia e não traz, o que não faz nenhuma das duas coisas — e apresentou a primeira lista: vasos grandes o bastante para conter quarenta seá, coberturas armadas como tendas, rebanhos e ninhos de animais parados, o abrigo entre as espigas, plantas de folhas largas e alimentos puros, com a exceção de Rabi Yochanan ben Nuri quanto ao bolo de figos secos. A mishná 8:2 continuou essa mesma lista com as saliências, sacadas, pombais e demais projeções de um muro ou rocha, exigindo que consigam sustentar uma camada de argamassa — fina, segundo Rabi Meir, ou mediana, segundo os sábios, cuja opinião prevalece. A mishná 8:3 passou à segunda categoria, retomando os mesmos vasos e coberturas da primeira mishná, agora pequenos demais ou não armados como tenda, e acrescentou o gado e os animais selvagens mortos, os alimentos já habilitados a receber impureza, e o moinho manual. A mishná 8:4, a mais breve do capítulo, tratou da terceira categoria: a teia ainda estendida no tear, as cordas da cama, os cestos de estrume e as grades das janelas, que bloqueiam sem trazer, por ainda não serem vasos acabados. A mishná 8:5 fechou o círculo das quatro categorias com o que não traz nem bloqueia — sementes e verduras ligadas ao solo, granizo, neve, gelo e sal, o que salta ou voa, o manto que esvoaça e o barco que flutua livremente —, mostrando como a fixação de um desses objetos, amarrando o barco ou prendendo o manto com uma pedra, basta para que ele passe a trazer a impureza, com a ressalva de Rabi Yosei sobre a cabine do barco. E, por fim, esta mishná (8:6) encerrou o capítulo com o caso dos dois jarros selados com tampa bem ajustada, cujos dois meios-azeitona se somam para impurificar a casa que os contém, ainda que cada jarro, enquanto fechado, permaneça puro por si mesmo — princípio estendido também a dois quartos fechados que se abrem para uma mesma casa.
O estudo de Massechet Ohalot prossegue agora para o Perek Tet, que continuará a explorar, ao longo dos dez perakim que ainda restam, as inúmeras ramificações da impureza transmitida por ohel.