Se o primeiro saiu morto e o segundo vivo, o vivo é puro. Se o primeiro saiu vivo e o segundo morto, o vivo é impuro. Rabi Meir diz: se estavam num único saco, é impuro; se em dois sacos, é puro.
Esta quinta mishná continua o tema do parto, tratando agora do nascimento de gêmeos, um deles morto. Como já estabelecido, um feto dentro do corpo da mãe não transmite impureza por contato antes de sair para o ar do mundo. A diferença entre os dois casos da mishná decorre da própria dinâmica do parto: uma criança viva se movimenta e se impulsiona para fora por si mesma, sustentada até o fim pela força da natureza; já o corpo morto, abandonado por essa força, é apenas empurrado para fora pelo peso que exerce. Por isso, quando o primeiro gêmeo sai morto, entende-se que foi a própria natureza que o empurrou para fora, sem que ele tenha empurrado ou tocado o irmão vivo em sua própria saída — de modo que este permanece puro. Mas, se o vivo sai primeiro, o gêmeo morto que vem atrás é necessariamente arrastado por ele, pois nada mais o sustenta; ele sai, no momento da abertura do útero, grudado e arrastado atrás do vivo, e por isso o impurifica no instante da saída. Rabi Meir acrescenta uma distinção: se os dois gêmeos estavam dentro de um único saco amniótico [shafir], o vivo é impuro (pois nesse caso ambos saem unidos, tocando-se um ao outro); mas, se estavam em dois sacos separados, mesmo saindo em sequência, o vivo permanece puro. Mas não é a halachá como Rabi Meir.
Quando dizem “puro” e “impuro”, referem-se ao que nasceu vivo. E a diferença entre a saída do vivo primeiro ou a saída do morto primeiro é o que vou te explicar, depois que souberes primeiro que, quando ele o toca ainda dentro do corpo, isso não o impurifica, a menos que o toque depois que saiu para o ar do mundo. E isto porque a criança viva se impulsiona a si mesma e se contorce em sua saída, e antes disso a natureza a sustinha até que se completasse; já o morto, porém, a natureza já o abandonou e não o sustinha mais, mas o empurra para fora quando ele lhe pesa e a comprime. E, quando o primeiro filho sai morto, dizemos que a natureza o empurrou, e ele não empurrou o vivo para a saída, nem tocou no morto no momento de sua própria saída. Mas, se o vivo saiu primeiro, então este morto certamente o arrasta consigo, pois a força da natureza não o sustinha; ele saiu, ao se abrir o útero, arrastado atrás do vivo e grudado a ele, e por isso o impurifica no momento da saída.
E hei de explicar-te, em Nidá (perek 5), o que disseram: um bebê de um dia impurifica por contato com um morto. E shafir, ali, é a placenta em que está a criança. E não é a halachá como Rabi Meir.
Sobre “se o primeiro saiu morto”: o primeiro filho saiu morto e o segundo filho saiu vivo.
Sobre “é puro”: o segundo, o vivo, é puro da impureza do morto, se retiraram o morto da casa antes do nascimento do segundo. Pois, enquanto ele ainda estava nas entranhas de sua mãe, não se impurificou, ainda que o túmulo já tivesse se aberto, pois a impureza engolida [dentro do corpo] não impurifica.
Sobre “o primeiro vivo e o segundo morto, é impuro”: e ainda que tenham retirado o vivo da casa antes de nascer o morto. Pois, desde que saiu o vivo, o túmulo se abriu e ele se impurificou de imediato, já que a impureza acabará saindo.
Sobre “num único saco, é impuro”: isto é, se ambos saíram como que num único saco, saindo de uma só vez, é impuro. Shafir é a placenta em que a criança é colocada.
Sobre “em dois sacos”: isto é, como que em dois sacos, um após o outro, ainda que o primeiro vivo e o segundo morto. Sobre “é puro”: pois Rabi Meir entende que, mesmo que o túmulo já tenha se aberto, não impurifica até que saia para o ar do mundo. E não é a halachá como Rabi Meir.