Um frasco cheio de líquidos puros: o frasco é impuro com impureza de sete dias, e os líquidos são puros. Mas, se os despejou em outro vaso, tornam-se impuros. A mulher que está amassando na gamela: a mulher e a gamela são impuras com impureza de sete dias, e a massa é pura. Mas, se a despejou em outro vaso, torna-se impura. Bet Hilel voltou a ensinar segundo as palavras de Bet Shamai.
Esta mishná aplica o princípio estabelecido na anterior — de que um vaso íntegro protege alimentos, líquidos e vasos de barro — a dois casos concretos, ambos situados sobre a arubá entre a casa e o sótão. No primeiro caso, um frasco (lagin) cheio de líquidos puros está colocado sobre a abertura; quando sobe a impureza da casa, o próprio frasco se torna impuro com a impureza de sete dias — a impureza plena do contato com a fonte de tumá —, mas o líquido em seu interior permanece puro, pois o frasco, como vaso de barro íntegro, protege o que está dentro dele. Se, porém, alguém despeja esse líquido em outro vaso, ele se torna impuro, pois deixou de estar protegido pelo frasco original. O segundo caso é paralelo, mas envolve uma pessoa: uma mulher está amassando pão numa gamela de madeira colocada sobre a mesma arubá. Tanto ela quanto a gamela se tornam impuras com impureza de sete dias — pois a impureza que sobe da casa as atinge diretamente, já que uma pessoa e um vaso de madeira não são protegidos pela “tampa hermética” do modo como o são os alimentos e os líquidos —, mas a própria massa, sendo um alimento, permanece pura, protegida pelo princípio da mishná anterior; e isso vale apenas enquanto ela não se separa da massa, pois se ela erguer as duas mãos e voltar a amassar, torna a massa impura ao tocá-la estando ela mesma impura. Se a massa for despejada em outro vaso, torna-se impura, pelo mesmo motivo do frasco. A mishná fecha repetindo que Bet Hilel voltou a ensinar segundo Bet Shamai — a mesma reviravolta já mencionada na mishná anterior, aqui aplicada a estes dois casos.
Esta halachá é semelhante, a título de exemplo, à norma anterior: já foi dito que tudo o que está no sótão é como as coisas que estão dentro de uma tampa hermética na tenda do morto. E, quando a panela — que é um vaso de barro — estava nessa arubá, e no sótão havia vasos de cobre, prata, ou semelhantes deles, dos vasos de metal, e nesse vaso [de metal] havia líquidos puros — os líquidos são puros, pois a panela os protege, mas o próprio jarro é impuro, pois a panela não o protege, por ser ele de metal, conforme já estabelecemos; isto segundo a opinião de Bet Shamai. Já segundo a opinião de Bet Hilel, os líquidos e os jarros são puros. E, se despejarmos esses líquidos desse vaso para outro dos vasos que estavam nesse sótão, os líquidos se tornam impuros ao tocarem um vaso impuro, pois todos os vasos que estão no sótão, exceto o vaso de barro, tornam-se impuros conforme o princípio; e não dizemos que o próprio vaso em que estavam os protegeria, pois, se assim fosse, seria impossível que os protegesse, já que já estabelecemos que ele protege alimentos e líquidos. E esta mesma lei se aplica à mulher que estava amassando numa gamela de madeira dentro do sótão, com a panela em sua arubá: a mulher e a gamela são impuras com impureza de sete dias, pois a panela de barro não as protege; e a massa é pura, porque é um alimento, e a panela protege alimentos. Já se explicou na Tosefta que a massa é pura enquanto ela está ocupada com a massa e não se separa dela, deixando-a. Mas, se ela erguer as duas mãos juntas da massa e voltar a amassar, ela torna a massa impura ao tocá-la, estando ela mesma impura. E tudo isso é segundo a opinião de Bet Shamai; já Bet Hilel dizem que a mulher, a gamela e a massa são puras.
Sobre “frasco” [lagin]: de madeira ou de metal, colocado nesse sótão sobre cuja arubá está a panela.
Sobre “o frasco é impuro com impureza de sete dias”: pois a panela não protege vasos de madeira e vasos de metal, como já dissemos.
Sobre “e os líquidos são puros”: pois a panela protege alimentos e líquidos.
Sobre “e se os despejou”: esses líquidos em outro vaso que está nesse mesmo sótão, o outro vaso os torna impuros, pois todos os vasos que estão no sótão são impuros, exceto os vasos de barro. Mas o primeiro vaso, em que os líquidos estavam, não os torna impuros, ainda que ele seja impuro com impureza de sete dias — pois, se dissesses o contrário, então a panela que está na arubá nunca protegeria os líquidos, e nós dizemos que ela protege alimentos e líquidos.
Sobre “a mulher e a gamela são impuras”: pois a panela de barro não as protege.
Sobre “e a massa é pura”: pois a panela protege os alimentos. E isso vale precisamente enquanto ela não se separou da massa; mas, se ela ergueu as duas mãos dela e voltou a amassar, isso torna a massa impura.