A caixa do armário: se tem em seu interior uma abertura de um palmo, mas sua saída não tem uma abertura de um palmo, [havendo] impureza em seu interior, a casa é impura. [Havendo] impureza na casa, o que está em seu interior é puro, pois o caminho da impureza é sair, e não é seu caminho entrar. Rabi Yosei declara [a casa] pura, porque ele pode retirá-la aos poucos, ou queimá-la em seu próprio lugar.
Esta mishná retoma, em miniatura, a estrutura do biv de 3:7: dentro do armário de madeira descrito na mishná anterior, costuma-se guardar uma caixa pequena, destinada a utensílios, alimentos e líquidos. Se essa caixa tem, em seu próprio vão, uma abertura de um palmo — de modo que a impureza ali guardada não fica oculta —, mas sua abertura de saída para fora da caixa é menor que um palmo, a regra segue o mesmo padrão do cano de esgoto: havendo impureza dentro da caixa, ela necessariamente acabará saindo por essa abertura estreita e se propagará para a casa, pois o caminho da impureza é sair; mas, havendo impureza na casa, o que está guardado dentro da caixa permanece protegido, pois não é caminho da impureza entrar por uma abertura tão estreita. Rabi Yosei discorda dessa conclusão e declara a casa pura em qualquer caso, com um argumento prático e não meramente estrutural: ao contrário do biv, cuja impureza só pode se mover de uma vez por toda a sua extensão, o conteúdo de uma caixa pequena pode ser removido por partes — retirando-se metade de cada vez, de modo que nunca haja, num único momento, a medida mínima de impureza passando pela abertura estreita —, ou pode simplesmente ser queimado dentro da própria caixa, sem nunca precisar atravessar essa saída. A halachá, porém, não segue Rabi Yosei.
Sobre “a caixa do armário”: é uma arca que se coloca dentro do armário. Disse Rabi Yosei que, mesmo que houvesse impureza dentro dessa arca, a casa seria pura, e não dizemos que a impureza sairá pela abertura que tem um palmo — pois já é possível que a impureza saia dessa caixa sem passar por essa abertura de um palmo pela qual [normalmente] sairia a impureza; e isso ocorre quando a retiram aos poucos, pelo caminho de sua saída, que não tem um palmo, de modo que não sai dali impureza [de uma vez]; ou quando a queimam dentro da própria arca. E, dessa forma, nunca sairá impureza da abertura dessa caixa para a casa. E não há halachá como Rabi Yosei.
Sobre “a caixa do armário”: costumam fazer caixinhas dentro de um armário de madeira, para guardar nelas utensílios, alimentos e líquidos.
Sobre “que tem em seu interior uma abertura de um palmo”: que há em seu vão uma abertura de um palmo, de modo que a impureza não fica oculta.
Sobre “mas sua saída não [tem]”: no buraco de sua abertura não há um palmo.
Sobre “havendo impureza em seu interior, a casa é impura”: ainda que sua abertura seja pequena — como se explica a razão: já que o caminho da impureza é sair, forçosamente ela acabará saindo por essa abertura; por isso, contamina desde já, através de sua saída.
Sobre “o que está em seu interior é puro”: visto que sua saída não tem uma abertura de um palmo, ela não traz a impureza.
Sobre “e não é seu caminho entrar”: pois não se costuma introduzir ali um morto.
Sobre “e Rabi Yosei declara pura”: pois talvez ela não acabe saindo por essa abertura de modo a ter a medida mínima de impureza, já que ele pode retirá-la aos poucos, ou queimá-la em seu próprio lugar. E não há halachá como Rabi Yosei.