Estas coisas, se são deficientes, são puras: um azeitona [de carne] do morto; um azeitona de nezel; um punhado de rekev; um quarto [de log] de sangue; um osso do tamanho de um grão de cevada; e um membro do vivo cujo osso é deficiente.
Esta mishná curta funciona como uma nota de rodapé metodológica às duas primeiras mishnayot do capítulo: ali se estabeleceram as medidas mínimas para que a carne, o nezel, o rekev e o sangue contaminassem, e para que o osso do tamanho de um grão de cevada contaminasse por contato. Agora a mishná esclarece que essas medidas não são apenas o limiar para a via mais grave — a cobertura — mas o limiar para toda e qualquer impureza: abaixo delas, essas substâncias não contaminam nem sequer por contato ou carregamento. Isso as distingue precisamente do membro completo do morto ou do vivo, que, como se viu em 1:7–1:8, contamina por contato e carregamento mesmo quando lhe falta a medida normal, desde que ainda seja identificável como membro. O último item da lista prolonga essa distinção para o próprio membro do vivo: se o que falta nele é o osso — e não apenas a carne — ele se torna inteiramente puro, pois um membro sem osso completo já não tem a estrutura de um membro verdadeiro.
Tudo isto já está explicado. E a mishná estipulou, quanto ao membro do vivo, que lhe falte o osso — e não disse que lhe falte a carne, porque, se lhe falta a carne mas resta sobre ele o suficiente para que uma ferida pudesse cicatrizar, ele contamina, conforme já se explicou antes neste capítulo. Mas, se faltam alguns dos ossos desse membro — ainda que reste toda a sua carne, e nessa carne haja mais que um azeitona — ele não contamina em nenhuma das espécies de impureza; e mesmo o que resta do osso do membro, [ainda que] haja nele o tamanho de um grão de cevada, não se pode compará-lo ao osso do tamanho de um grão de cevada de um morto. E esta é a diferença entre o membro do vivo e o membro do morto: pois, no membro do morto, um azeitona de carne que dele se separa é impuro, e um osso do tamanho de um grão de cevada que dele se separa é impuro — conforme fundamentamos no sexto [capítulo] de Eduyot, e já explicamos ali até o fim.
Sobre “e estas, se são deficientes, são puras”: porque não têm a medida [necessária].
Sobre “um azeitona do morto”: pois assim é o início da formação de uma pessoa — num azeitona.
Sobre “e um quarto de sangue”: pois, no início da formação da criança, não há nela menos que um quarto de log de sangue.
Sobre “e um membro do vivo cujo osso é deficiente”: mesmo um osso longo grande do qual falta uma parte qualquer do osso, não contamina como membro do vivo. Mas, se lhe falta da carne, ele sempre contamina, até que lhe falte o suficiente para que se pudesse produzir carne nova [sobre uma ferida]. E o membro do morto: um azeitona de carne que dele se separa é impuro, e também é impuro o osso do tamanho de um grão de cevada que dele se separa.