Como assim, três? Utensílios que tocam no morto, e utensílios [que tocam] nos utensílios, são impuros com impureza de sete dias. O terceiro, seja pessoa seja utensílios, é impuro com impureza de véspera.
A mishná retoma a pergunta “como assim?” deixada em aberto pela anterior, agora para o caso de três elos. Diferentemente do caso de duas pessoas, aqui a cadeia começa por um utensílio que toca o morto diretamente — e, pela equiparação bíblica entre a espada homicida e o próprio cadáver, esse utensílio recebe a mesma gravidade máxima do morto, tornando-se avi avot hatumá (pai dos pais da impureza). Um segundo utensílio que toca nesse primeiro utensílio já contaminado torna-se av hatumá (pai da impureza), com impureza de sete dias. E o terceiro elo da cadeia — seja uma pessoa, seja outro utensílio — recebe apenas a impureza leve de véspera, exatamente como ocorria no segundo elo do caso anterior, de duas pessoas.
“E todo aquele que tocar, sobre a face do campo, em alguém morto pela espada, ou em um morto, ou em osso de homem, ou em sepultura, ficará impuro sete dias.” Rambam explica, apoiado na tradição recebida (Nazir 53b), que a menção de “morto pela espada” equipara a própria espada ao morto: quem toca na arma com que o morto foi morto fica impuro sete dias, exatamente como quem toca no cadáver — e o mesmo se estende, por analogia, a todo utensílio de metal e a todo utensílio sujeito a impureza que toque no corpo. É essa equiparação que explica por que um utensílio, e não apenas uma pessoa, pode ocupar o primeiro elo da cadeia de contaminação nesta mishná.
Rambam explica: disse o Eterno, sobre a impureza do morto, “e todo aquele que tocar, sobre a face do campo, em alguém morto pela espada, ou em um morto, ou em osso de homem, ou em sepultura, ficará impuro sete dias”. E veio a tradição recebida (Nazir 53b) que, ao dizer “morto pela espada”, a intenção é que a espada e o morto pela espada sejam equiparados, sem diferença entre morto pela espada, morto pela pedra ou morto pelo pau: quer dizer com isto que tudo o que tocar na espada com a qual o morto foi morto fica impuro sete dias, e da mesma forma os demais utensílios de metal e utensílios sujeitos a impureza, por analogia à espada, conforme já explicamos na introdução desta Ordem.
E ficou explicado com isso que os utensílios mencionados que tocaram no morto, e os segundos utensílios que tocam nesses utensílios, são impuros com impureza de sete dias. E já explicamos, na halachá anterior a esta, que tudo o que é impuro com impureza de sete dias, o mínimo que produz é fazer com que tudo o que toque nele fique impuro com impureza de véspera — e isto é o que diz (Bemidbar 19): “e a pessoa que tocar ficará impura até a tarde”. Por isso disse: “o terceiro, seja pessoa seja utensílios, é impuro com impureza de véspera”.
Sobre “utensílios que tocam no morto etc.”: tanto utensílios de metal quanto utensílios sujeitos a impureza e vestes se contaminam como o próprio morto, pois está escrito (ibidem) “em [alguém] morto pela espada, ou em um morto” — a espada é equiparada ao morto; e o mesmo vale para todos os demais utensílios. Por isso, os utensílios que tocam no morto tornam-se pai dos pais [avi avot], e os utensílios [que tocam] nos utensílios tornam-se pai da impureza [av hatumá] — pois os utensílios de segundo grau nunca se tornam iguais aos de primeiro grau.
Sobre “o terceiro, seja pessoa seja utensílios”: tornam-se de primeiro grau [rishon] e contaminam com impureza de véspera.