Há quem mostre sua praga ao sacerdote e ganhe, e há quem mostre e perca. Como assim? Quem estava certificado, e se foram os sinais de sua impureza, e não teve tempo de mostrá-la ao sacerdote antes que florescesse em todo ele, é puro — pois, se a tivesse mostrado ao sacerdote, estaria impuro. Uma mancha em que não havia nada, e não houve tempo de mostrá-la ao sacerdote antes que florescesse em todo ele, é impuro — pois, se a tivesse mostrado ao sacerdote, estaria puro.
A mishná que fecha o Perek Chet reúne, num par de casos deliberadamente espelhados, o fio condutor de todo o capítulo: o momento exato em que a tzaraat floresce sobre o corpo inteiro, em relação ao momento do exame sacerdotal, decide entre pureza e impureza — às vezes a favor de quem se apressa a mostrar sua praga, às vezes contra. No primeiro caso, um homem já certificado impuro vê desaparecerem os sinais que o certificaram; se, antes que tivesse oportunidade de mostrá-la ao sacerdote para ser formalmente isentado, a tzaraat floresce sobre todo o seu corpo, ele é puro de imediato — um florescer a partir da impureza, como na mishná 1. Mas, se ele a tivesse mostrado ao sacerdote a tempo, o sacerdote o teria isentado formalmente; e um florescimento posterior a essa isenção seria, então, um florescer a partir da pureza — impuro. No segundo caso, o espelho exato: uma mancha comum, ainda sem nenhum sinal de impureza, que normalmente exigiria apenas enclausuramento; mas, antes que ele possa mostrá-la ao sacerdote, ela floresce sobre todo o corpo — e, por nunca ter sido examinada nem declarada impura, trata-se de um florescer a partir da pureza, e ele é impuro. Mas, se a tivesse mostrado a tempo, o sacerdote o teria enclausurado — e o enclausurado é impuro —, de modo que o florescimento posterior teria sido, então, um florescer a partir da impureza, e puro. Em ambos os casos, portanto, mostrar a praga ao sacerdote no momento certo determina, paradoxalmente, o resultado oposto ao que ocorreria se ele simplesmente deixasse o tempo passar.
Na primeira halachá: se o sacerdote o tivesse visto quando se foram os sinais de sua impureza, teria isentado-o; e quando a tzaraat floresce em todo o seu corpo depois disso, ele é impuro, segundo o que já estabeleci, que quem se torna todo branco a partir da isenção é impuro. E na segunda halachá: no momento em que havia nele a mancha e não havia nela nada, e o sacerdote não a viu, ele o teria enclausurado, conforme o que já precede nisto; e quando a tzaraat floresce em seu corpo depois disso, ele é puro, segundo o que se esclareceu, que quem se torna todo branco a partir do enclausuramento é puro. E quando ele mesmo se deixou, até que floresceu em todo ele, é impuro, conforme o que precede, que quem vem todo branco será enclausurado — e sabe-se que todo enclausurado é impuro.
Sobre “quem estava certificado”: por pelo branco, por carne viva ou por alastramento.
Sobre “não teve tempo de mostrar ao sacerdote”: pois os sinais de impureza se foram.
Sobre “pois, se a tivesse mostrado ao sacerdote”: quando se foram os sinais de impureza, ele o teria purificado; e se depois disso florescesse, estaria impuro, pois seria florescer a partir do puro. Mas agora é florescer a partir do impuro, e é puro.
Sobre “mancha em que não havia nada”: não havia nela nenhum dos sinais de impureza.
Sobre “até que floresceu em todo ele, é impuro”: isto é, precisa de enclausuramento, como quem veio todo branco no início. E se, desde o início, antes de florescer, a tivesse mostrado ao sacerdote, ele o teria enclausurado; e ao fim da semana, quando florescesse, seria florescer a partir do enclausuramento, e puro.
Com esta décima mishná, encerra-se o Perek Chet de Massechet Negaim — um capítulo inteiramente dedicado ao florescimento total da tzaraat (hafach kuló lavan) e às suas duas direções opostas. Abriu estabelecendo o princípio central: quem floresce a partir da impureza é puro, mas quem floresce a partir da pureza é impuro, com o retorno das pontas dos membros revertendo cada veredicto por trajetórias diferentes (8:1). Em seguida, aplicou esse princípio ao caso clássico de uma mancha do tamanho de um grão com carne viva de uma lentilha, com a disputa entre Rabi Yehoshua e os sábios sobre o pelo branco renascido (8:2), e estendeu-o ao pelo branco e ao alastramento, fixando a regra de que apenas o florescimento total, não o parcial, purifica (8:3) — regra que a mishná seguinte formulou como princípio geral (8:4). Tratou depois dos lugares do corpo aptos e inaptos a receber a mancha, e de como essa aptidão, no momento certo, decide se eles impedem o florescimento total (8:5); de duas manchas independentes, de pares de órgãos que parecem uma só mancha quando colados, e do bohak, sinal de impureza no início mas não no fim, com a disputa entre Rabi Meir e os sábios (8:6). Voltou-se então para quem chega perante o sacerdote já todo branco, com a lista dos sinais que revertem sua certificação (8:7), e esclareceu a diferença entre o florescimento gradual e o súbito, além das obrigações rituais distintas entre quem se purifica do enclausuramento e da certificação (8:8). Tratou de um caso híbrido — todo branco desde o início, mas já com carne viva —, com a disputa entre Rabi Yishmael e Rabi Elazar ben Azaria sobre a categoria que rege sua purificação (8:9); e fechou com dois casos espelhados, em que a ordem entre o exame sacerdotal e o florescimento total decide, de forma oposta, entre a pureza e a impureza (8:10).
O estudo da Mishná prossegue agora para o Perek Tet de Massechet Negaim, que continuará a examinar as regras da tzaraat e o processo de exame sacerdotal.