Seder Tehorot · Massechet Negaim · Perek Zayin · Mishná 3 de 5

Isolar, isentar ou certificar

בַּהֶרֶת וְאֵין בָּהּ כְּלוּם
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Fixa o momento processual exato em que o sacerdote deve isolar, isentar ou certificar como impura uma mancha, conforme os sinais de impureza surgem ou desaparecem no instante mesmo em que ele se prepara para pronunciar o veredicto

Uma mancha sem nada nela: no início, ou ao fim da primeira semana, ele isola. Ao fim da segunda semana, ou depois da isenção, ele isenta. Se, enquanto ele ainda o está isolando ou isentando, nasceram nele sinais de impureza, ele certifica. Uma mancha em que há sinais de impureza, ele certifica. Se, enquanto ele ainda o está certificando, os sinais de impureza se foram: no início, ao fim da primeira semana, ele isola. Ao fim da segunda semana, ou depois da isenção, ele isenta.

Esta mishná deixa de lado a questão da origem e da cor das manchas para fixar, com precisão quase cronométrica, o momento processual em que o veredicto do sacerdote se torna definitivo. Uma mancha da cor exigida, mas sem nenhum dos três sinais secundários — pelo branco, carne viva ou alastramento —, leva o sacerdote a isolar o portador por uma semana, se o exame ocorre no início ou ao fim da primeira semana de isolamento anterior; mas, ao fim da segunda semana — ou já depois de uma isenção anterior —, ele o isenta definitivamente, pois o sistema não permite um terceiro isolamento. O caso interessante surge quando, entre o momento em que o sacerdote decide isolar ou isentar e o momento em que pronuncia essa decisão, nascem na mancha sinais de impureza: nesse caso, o veredicto muda no ato, e ele certifica como impuro — pois o sacerdote julga pelo que vê diante de si no instante da fala, não pelo que via um momento antes. Do mesmo modo, uma mancha que já apresenta sinais de impureza leva de imediato à certificação; mas, se esses sinais desaparecem exatamente enquanto o sacerdote se prepara para certificá-lo, o veredicto recua para isolamento ou isenção, seguindo as mesmas regras do início do capítulo — isolamento se ainda é a primeira semana, isenção se já é a segunda ou posterior. O princípio subjacente, esclarecido pelos comentadores, é que aquilo que impede o isolamento de quem já foi certificado como impuro não se aplica aqui, pois a certificação ainda não havia sido pronunciada quando os sinais desapareceram.

בַּהֶרֶת וְאֵין בָּהּ כְּלוּם, בַּתְּחִלָּה, בְּסוֹף שָׁבוּעַ רִאשׁוֹן, יַסְגִּיר. בְּסוֹף שָׁבוּעַ שֵׁנִי, לְאַחַר הַפְּטוּר, יִפְטֹר. עוֹדֵהוּ מַסְגִּירוֹ וּפוֹטֵר וְנוֹלְדוּ לוֹ סִימָנֵי טֻמְאָה, יַחְלִיט. בַּהֶרֶת וּבָהּ סִימָנֵי טֻמְאָה, יַחְלִיט. עוֹדֵהוּ מַחְלִיטוֹ וְהָלְכוּ לָהֶן סִימָנֵי טֻמְאָה, בַּתְּחִלָּה, בְּסוֹף שָׁבוּעַ רִאשׁוֹן, יַסְגִּיר. בְּסוֹף שָׁבוּעַ שֵׁנִי, לְאַחַר הַפְּטוּר, יִפְטֹר:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Negaim 7:3
כבר התבאר בג’ מזאת המסכת…

Já se explicou no terceiro capítulo deste tratado (mishná 3) que os sinais de impureza nas pragas de pele da carne são pelo branco, carne viva ou alastramento; e nas pragas de chaga e queimadura, pelo branco ou alastramento; e nas pragas de calvície e testa calva — que têm duas semanas — como já foi dito, e este é o mesmo raciocínio para as demais pragas.

E o propósito desta halachá é que ele estava pensando em certificar ou em isentar, e antes de falar isso — sem demora — surgiu na praga uma mudança do que ele pensava dizer, de modo que ele julga conforme a condição mais recente, e não fala conforme pensava antes; pois, se o julgamento fosse decidir e certificar, ele não poderia mais isolar — pois não se isola quem já foi certificado, como já se explicou em outros contextos.

Bartenura · Negaim 7:3
בַּהֶרֶת. מֵהַשְׁתָּא אַיְרֵי בְּבֶהָרוֹת טְמֵאוֹת…

Sobre “uma mancha”: a partir daqui trata-se de manchas impuras.

Sobre “sem nada nela”: nem carne viva, nem pelo branco.

Sobre “no início”: quando foi trazido ao sacerdote. E do mesmo modo, ao fim da primeira semana: se nada nasceu nela, ele isola.

Sobre “ao fim da segunda semana”: se nada nasceu nela, é isento. E do mesmo modo, depois da isenção: se nada nasceu nela, permanece nessa isenção por todos os seus dias, e não volta mais a isolá-lo.

Sobre “enquanto ele ainda o está isolando”: isto é, quando ele queria isolá-lo — seja no início, quando foi trazido ao sacerdote, seja ao fim da primeira semana — e não teve tempo de isolá-lo antes de nascerem sinais de impureza, como, no início, pelo branco e carne viva, e ao fim da primeira semana, pelo branco, carne viva e alastramento, ele certifica. Mas depois de já tê-lo isolado, já aprendemos acima, no início do terceiro capítulo, que não se certifica quem já foi isolado.

Sobre “e isentando”: isto é, ou o isentando, como ao fim da segunda semana. E mesmo depois da isenção, se nascerem sinais de impureza, ele certifica.

Sobre “enquanto ele ainda o está certificando”: quando ele estava vindo certificar e não teve tempo antes de os sinais de impureza desaparecerem.

Sobre “no início”: quando foi trazido ao sacerdote, ou ao fim da primeira semana: “ele isola”. Mas se, depois de já tê-lo certificado, os sinais desapareceram — como quando o certificou por pelo branco e o pelo branco se foi, mas a mancha permanece —, ele não o isola por causa dela, mas sim o isenta, e ele é puro.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Negaim não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste capítulo.