Toda dúvida em pragas é pura, exceto esta, e mais uma outra. E qual é? Esta: aquele em quem havia uma mancha do tamanho de um grão, e ele a enclausurou; ao fim da semana, eis que ela está do tamanho de uma sela — há dúvida se é ela mesma, há dúvida se outra veio em seu lugar: é impuro.
A mishná abre o Perek Hei com um princípio geral que orienta toda a lei da dúvida em pragas — salvo duas exceções, toda dúvida é resolvida pela leniência, sendo o portador declarado puro. A primeira dessas exceções é apresentada de imediato: um homem que tinha uma mancha do tamanho de um grís (grão), medida mínima para tornar-se sinal de impureza, foi enclausurado por sete dias para observação. Ao fim da semana, o sacerdote encontra uma mancha do tamanho de uma sela — uma moeda, medida bem maior que a original. Surge então a dúvida: seria esta a mesma mancha original que simplesmente alastrou, caso em que o alastramento durante o enclausuramento certifica a impureza definitiva; ou seria uma mancha totalmente diferente, que substituiu a primeira em seu lugar, caso em que — não havendo alastramento de uma mancha já existente, mas sim uma mancha nova que ainda não completou sequer sua primeira semana de observação — a impureza não estaria ainda estabelecida. Apesar de essa ser exatamente o tipo de dúvida que, em princípio, deveria ser resolvida pela leniência, a mishná determina que aqui prevalece o rigor: é impuro. A segunda exceção prometida será explicada nas mishnayot seguintes deste mesmo perek.
“Exceto esta”: alude à dúvida anterior, que é se a mancha precedeu o pelo branco ou se o pelo branco precedeu a mancha; e esta é a segunda dúvida que se menciona, pois não se confirmou que aquela mancha que era do tamanho de um grão foi a mesma que aumentou até o tamanho de uma sela — caso em que seria impuro por alastramento — nem tampouco se disse que aquela primeira mancha já havia desaparecido, e esta que agora se vê é outra, maior que ela, que surgiu em seu lugar, caso em que a lei seria que se examinasse desde o início, conforme já foi explicado no capítulo anterior a este. E quando a dúvida surge, apenas nestas duas situações declara-se o homem impuro por pragas por dúvida.
Sobre “toda dúvida em pragas”, “exceto esta”: refere-se à dúvida se a mancha precedeu ou se o pelo branco precedeu — tratada ao final do capítulo anterior.
Sobre “eis que ela está do tamanho de uma sela”: tornou-se larga e grande como uma sela.
Sobre “há dúvida se é ela mesma”: e por isso apta a ser certificada impura definitivamente, pois alastrou.
Sobre “há dúvida se outra veio em seu lugar”: e a primeira desapareceu, e por isso apta a ser enclausurada, pois o alastramento não torna impuro no início.
Sobre “é impuro”: e o sacerdote a certifica impura definitivamente.