Seder Tehorot · Massechet Negaim · Perek Guimel · Mishná 8 de 8 — última do capítulo

Três semanas, o teto da lei

הַבָּתִּים
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Encerrando o Perek Guimel e a série de seis categorias, a mishná trata das casas — o regime mais longo de todos — e fecha com o princípio geral que emoldura toda a série: nenhuma praga dura menos de uma semana, nem mais de três

As casas tornam-se impuras em três semanas e por três sinais: pelo esverdeado, pelo avermelhado e pelo alastramento. Pelo esverdeado e pelo avermelhado — no início, ao fim da primeira semana, ao fim da segunda semana, ao fim da terceira semana, depois da isenção. E pelo alastramento — ao fim da primeira semana, ao fim da segunda semana, ao fim da terceira semana, depois da isenção. E tornam-se impuras em três semanas, que são dezenove dias. Não há, entre as pragas, menos de uma semana, nem mais de três semanas.

A última e mais extensa categoria da série encerra o Perek Guimel: a tzaraat das casas, cujos sinais — esverdeado e avermelhado, como nas vestimentas — são os mesmos, mas cujo regime temporal se estende a três semanas inteiras, dezenove dias, o período mais longo entre todas as categorias tratadas neste capítulo. A mishná fecha com uma frase que funciona como moldura de toda a sequência iniciada na terceira mishná: entre as seis categorias de tzaraat — pele da carne, furúnculo e queimadura, tinha, calvície, vestimentas e casas — o período mínimo de observação é uma única semana (furúnculo e queimadura) e o máximo é três semanas (casas); nenhuma praga bíblica, em nenhuma categoria, foge a esse intervalo. Com este fechamento estrutural, o Perek Guimel completa o mapeamento temporal de toda a lei da tzaraat, preparando o terreno para os perakim seguintes, que voltarão a cada categoria em maior detalhe.

הַבָּתִּים מִטַּמְּאִין בִּשְׁלשָׁה שָׁבוּעוֹת וּבִשְׁלשָׁה סִימָנִים, בִּירַקְרַק וּבַאֲדַמְדַּם וּבְפִשְׂיוֹן. בִּירַקְרַק וּבַאֲדַמְדַּם, בַּתְּחִלָּה, בְּסוֹף שָׁבוּעַ רִאשׁוֹן, בְּסוֹף שָׁבוּעַ שֵׁנִי, בְּסוֹף שָׁבוּעַ שְׁלִישִׁי, לְאַחַר הַפְּטוּר. וּבְפִשְׂיוֹן, בְּסוֹף שָׁבוּעַ רִאשׁוֹן, בְּסוֹף שָׁבוּעַ שֵׁנִי, בְּסוֹף שָׁבוּעַ שְׁלִישִׁי, לְאַחַר הַפְּטוּר. וּמִטַּמְּאִין בִּשְׁלשָׁה שָׁבוּעוֹת, שֶׁהֵן תִּשְׁעָה עָשָׂר יוֹם. אֵין בַּנְּגָעִים פָּחוֹת מִשָּׁבוּעַ אֶחָד, וְלֹא יוֹתֵר עַל שְׁלשָׁה שָׁבוּעוֹת:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Negaim 3:8
אמר בנגעי בתים שקערורות ירקרקות או אדמדמות…

Disse a respeito das pragas das casas: “cavidades esverdeadas ou avermelhadas”; e disse também a seu respeito: “e eis que a praga alastrou nas paredes da casa”. Quanto às três semanas, porém, não há a seu respeito um versículo explícito, mas é da tradição recebida — e é que disse: “e enclausurará a casa por sete dias”; em seguida ordenou que, se a praga for encontrada aumentada, raspem-se essas pedras, remova-se o reboco e reboque-se a casa uma segunda vez, o que é dito: “e tomará outro pó e rebocará a casa novamente”. Depois disso vem o versículo e diz: “e virá o sacerdote e verá, e eis que a praga alastrou na casa”. Ora, a tradição recebida ensinou que este versículo não veio a respeito da tzaraat que retorna à casa depois do reboco, pois nesse caso não seria necessário o alastramento — mas, quando vir nela tzaraat, demolirá a casa; e isto é o que se disse: “tzaraat maligna” por analogia verbal — assim como a tzaraat maligna dita a respeito das vestimentas torna impuro o que retorna ainda que não alastre, também a tzaraat maligna dita a respeito das casas torna impuro o que retorna ainda que não alastre. E este versículo que diz “e eis que a praga alastrou na casa” veio, então, a respeito de quando permaneceu inalterada na primeira semana e alastrou na segunda: pois quando a tzaraat aparece na casa e permanece sete dias sem alastrar, permanecerá mais sete dias, e adicionalmente; então raspam-se as pedras e constrói-se com outras pedras, e reboca-se a casa, e permanecerá uma terceira semana; e se depois disso a praga retornar, demole-se a casa — e sobre isto veio “e eis que a praga alastrou na casa”. E ainda ampliarei para ti esta explicação em seu lugar, neste mesmo tratado. Já se te explicou que não há entre nós enclausuramento, em nenhum dos tipos de pragas, menor que uma semana — e estas são o furúnculo e a queimadura —, nem maior que três semanas — e estas são as pragas das casas. E já se te explicou que todos os tipos de pragas são seis: pragas da pele da carne, pragas do furúnculo e da queimadura, pragas da cabeça e da barba, pragas da calvície posterior e frontal, pragas das vestimentas e pragas das casas; e que cada um desses tipos, quando aparece, torna impuro, e um único sinal os inclui a todos — e é o alastramento, que, quando aparece, torna impuro, e não ocorre senão depois de uma semana no mínimo. E tudo isto está explicado.

Bartenura · Negaim 3:8
תִּשְׁעָה עָשָׂר יוֹם…

Sobre “dezenove dias”: o primeiro e o sétimo dia da semana intermediária contam tanto para antes quanto para depois.

Sobre “menos de uma semana”: como o furúnculo e a queimadura.

Sobre “três semanas”: como as pragas das casas.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Negaim não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste capítulo.
הֲדַרָן עֲלָךְ הַכֹּל מִטַּמְּאִין

Com esta oitava mishná, encerra-se o Perek Guimel de Massechet Negaim — o perek que delimitou o campo de aplicação da lei da tzaraat e mapeou, categoria por categoria, o tempo exato de cada exame. A mishná 1 fixou quem é passível de impureza, quem está apto a examinar as pragas e a autoridade exclusiva do sacerdote para o veredicto, fechando com a regra de nunca examinar duas pragas simultaneamente. A mishná 2 concedeu um período de graça ao noivo em seus sete dias de banquete e a qualquer pessoa durante uma festividade. As seis mishnayot seguintes percorreram, uma a uma, as categorias de tzaraat definidas pela Torá: a pele da carne, com três sinais e duas semanas; o furúnculo e a queimadura, com dois sinais e apenas uma semana; as tinhas da cabeça e da barba, com pelo amarelo fino e duas semanas; a calvície posterior e frontal, com carne viva em vez de pelo branco; as vestimentas, primeira categoria a trocar tons de branco por cores — esverdeado e avermelhado — e a última mishná, as casas, com o regime mais longo de todos, três semanas, fechando com o princípio geral que emoldura toda a série: nenhuma praga dura menos de uma semana, nem mais de três.

O estudo da Mishná prossegue agora para o Perek Dálet de Massechet Negaim, que retomará com maior profundidade os sinais que certificam e os que isentam, aprofundando a mecânica de julgamento já esboçada neste capítulo.