Seder Tehorot · Massechet Negaim · Perek Yud-Guimel · Mishná 7 de 12

O lugar do impuro sob a árvore, e a pedra marcada pousada

הַטָּמֵא עוֹמֵד תַּחַת הָאִילָן
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Trata do impuro parado sob uma árvore enquanto o puro passa por baixo dela, e do caso paralelo de quem carrega uma pedra marcada, distinguindo passar de parar

O impuro que está parado sob a árvore, e o puro que passa — impuro. O puro que está parado sob a árvore, e o impuro que passa — puro. Se parou, impuro. E assim também com a pedra marcada — puro. E se a pousou, eis que este é impuro.

Esta mishná aplica ao caso da árvore o princípio segundo o qual "o lugar" de um metzorá se torna impuro, derivado do versículo que descreve a morada do metzorá fora do acampamento (Vayikrá 13:46). Quando uma pessoa impura permanece parada sob uma árvore, o próprio espaço sob a copa passa a ser considerado "seu lugar", contaminando qualquer pessoa pura que ali passe, mesmo sem tocar o impuro diretamente. Mas se, ao contrário, é a pessoa pura que está parada sob a árvore, e o impuro apenas passa por ali sem se deter, o espaço não chega a se tornar "lugar" do impuro, e a pessoa pura permanece pura — a menos que o impuro também pare ali, ainda que por um instante, caso em que o lugar se torna impuro e contamina quem estiver parado. A mishná estende exatamente o mesmo princípio ao caso de uma pedra marcada por tzaraat: se alguém a carrega passando sob a árvore, sem detê-la, quem está parado ali permanece puro; mas se a pedra for pousada no chão, ainda que momentaneamente, o lugar se torna impuro, contaminando quem ali estiver.

הַטָּמֵא עוֹמֵד תַּחַת הָאִילָן וְהַטָּהוֹר עוֹבֵר, טָמֵא. הַטָּהוֹר עוֹמֵד תַּחַת הָאִילָן וְהַטָּמֵא עוֹבֵר, טָהוֹר. אִם עָמַד, טָמֵא. וְכֵן בְּאֶבֶן הַמְנֻגַּעַת, טָהוֹר. וְאִם הִנִּיחָהּ, הֲרֵי זֶה טָמֵא:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Negaim 13:7
אָמַר הַשֵּׁם בְּמְצוֹרָע…

Disse o Eterno a respeito do metzorá (Vayikrá 13:46): "fora do acampamento será a sua morada", e veio a tradição de que a sua morada é impura; por isso, quando ele se senta sob a árvore, aquele lugar já se torna impuro, e se alguém entrar sob aquela sombra, torna-se impuro. Mas se um puro estava sentado sob a sombra, e o metzorá passou sob essa cobertura, andando, o puro não se torna impuro — a menos que o metzorá pare ali, e então aquele lugar volta a ser a sua morada, e torna-se impuro. E assim também a pedra marcada e os utensílios marcados, quando repousam sob uma cobertura, tornam-se impuros, e todo aquele que entrar ali junto com eles, sob a cobertura, torna-se impuro.

Bartenura · Negaim 13:7
וְהַטָּהוֹר עוֹבֵר טָמֵא…

Sobre "e o puro que passa, impuro": pois está escrito a respeito do metzorá "fora do acampamento será a sua morada", donde se aprende que a sua morada é impura. Por isso, quando o impuro está parado sob a árvore, o lugar da árvore torna-se a sua morada, e o puro que ali passa é impuro; mas quando o impuro passa sem parar para descansar ali, isso não se chama a sua morada, e ainda que o puro esteja sentado ali, permanece puro e não recebe impureza.

Sobre "e se parou": o impuro, torna-se impuro o lugar da árvore, e torna-se impuro o puro que ali passa.

Sobre "e assim também com a pedra marcada": se a pessoa que a carrega passa sob a árvore, o puro que ali está parado não se torna impuro.

Sobre "e se a pousou, impuro": e o mesmo vale ainda que não a tenha pousado, mas apenas parado quem a carrega.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Negaim não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste capítulo.