Seder Tehorot · Massechet Negaim · Perek Yud-Guimel · Mishná 11 de 12

O metzorá que entra numa casa: os utensílios até as vigas

כְּדֵי הַדְלָקַת הַנֵּר
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Trata do metzorá que entra numa casa comum, contaminando todos os utensílios até as vigas do teto — ou só até quatro côvados, segundo Rabi Shimon — de imediato, ou apenas depois do tempo de acender uma vela, segundo Rabi Yehudá

Um metzorá que entrou numa casa — todos os utensílios que ali há tornam-se impuros, mesmo até as vigas. Rabi Shimon diz: até quatro côvados. Os utensílios tornam-se impuros de imediato. Rabi Yehudá diz: se demorou o tempo de acender uma vela.

Esta mishná trata de um caso distinto do da casa marcada: não uma casa cujas próprias paredes contraíram tzaraat, mas uma casa comum, ainda pura, na qual entra uma pessoa já certificada como metzorá. A lei aqui deriva do princípio de que "a morada" do metzorá é impura, aplicado agora não a uma árvore, como na mishná 7, mas a um teto inteiro: uma vez que o metzorá entra sob o mesmo teto, toda a casa é considerada sua morada, e todos os utensílios que ali se encontram — até mesmo os pousados junto às vigas do teto, na altura máxima da casa — tornam-se impuros. Rabi Shimon discorda quanto à extensão, limitando essa impureza a uma altura de quatro côvados a partir do chão, por entender que, acima dessa altura, o espaço já não é considerado "domínio" do metzorá, já que uma pessoa de estatura mediana, com os braços e pernas estendidos, não alcança além dessa medida. Quanto ao tempo, a mishná esclarece que os utensílios tornam-se impuros de imediato, sem exigir a medida de tempo vista nas mishnayot anteriores — que se aplicava apenas aos objetos vestidos ou carregados pela própria pessoa que entra, não aos utensílios já presentes na casa. Rabi Yehudá discorda também neste ponto, exigindo que o metzorá permaneça o tempo necessário para acender uma vela antes que os utensílios se tornem impuros, ao menos quando ele entra sem permissão do dono da casa.

מְצֹרָע שֶׁנִּכְנַס לְבַיִת, כָּל הַכֵּלִים שֶׁיֶּשׁ שָׁם טְמֵאִין, אֲפִלּוּ עַד הַקּוֹרוֹת. רַבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר, עַד אַרְבַּע אַמּוֹת. כֵּלִים, מִיָּד טְמֵאִין. רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר, אִם שָׁהָה כְדֵי הַדְלָקַת הַנֵּר:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Negaim 13:11
אֵין הֲלָכָה כְּרַבִּי שִׁמְעוֹן וְלֹא כְּרַבִּי יְהוּדָה

A lei não segue nem Rabi Shimon nem Rabi Yehudá.

Bartenura · Negaim 13:11
עַד אַרְבַּע אַמּוֹת…

Sobre "até quatro côvados": entende Rabi Shimon que, acima de quatro côvados, é outro domínio, pois a estatura de uma pessoa mediana é de três côvados, e mais um côvado para estender as mãos e os pés. E a lei não segue Rabi Shimon.

Sobre "os utensílios tornam-se impuros de imediato": isto é, os utensílios de que falamos, até as vigas segundo o tanna anônimo, e até quatro côvados segundo Rabi Shimon, tornam-se impuros de imediato quando o metzorá entra com eles na casa marcada.

Sobre "o tempo de acender uma vela": quando entra com permissão, Rabi Yehudá concorda que se tornam impuros de imediato, e só discorda quando o metzorá entra sem permissão — pois a morada do metzorá contamina, como dissemos, e quando entra com permissão, o lugar torna-se de imediato a sua morada; mas quando entra sem permissão, o lugar só se torna a sua morada se ele se demorar o tempo de acender uma vela e não for tirado dali — pois o fato de não o terem tirado se deve a estar ocupado em acender a vela do crepúsculo ou dos dias úteis, e não poderem tirá-lo.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Negaim não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste capítulo.