Seder Tehorot · Massechet Negaim · Perek Yud-Bet · Mishná 7 de 7

A demolição da casa que retorna, e as medidas do alastramento

וְנָתַץ אֶת הַבַּיִת
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Fecha o Perek Yud-Bet com a demolição completa da casa cuja marca retorna após o reboco, e as medidas do alastramento próximo, distante e recorrente nas casas

Vem ao fim da semana e vê: se voltou, derruba a casa — suas pedras, suas madeiras e toda a terra da casa — e leva para fora da cidade, a um lugar impuro (ali). O alastramento próximo é impuro em qualquer medida. E o distante, como um grão. E o que retorna nas casas, como dois grãos.

Esta última mishná do capítulo trata do estágio final do processo: depois que as pedras marcadas foram arrancadas e substituídas, e a casa rebocada com pedras e terra novas, o sacerdote retorna ao fim da semana para uma nova inspeção. Se a marca reaparecer nesse estágio — sinal de que a impureza não foi removida com a substituição parcial —, a casa inteira deve ser demolida: não apenas as pedras marcadas, mas todas as suas pedras, suas madeiras e toda a sua terra, que devem ser levadas para fora da cidade, a um lugar impuro. A mishná fecha estabelecendo as três medidas de alastramento (pisyon) aplicáveis às casas, paralelas às já vistas para a pele e para as vestimentas: o alastramento contíguo à marca original é impuro em qualquer medida, por menor que seja; o alastramento que aparece separado, sem contiguidade, precisa ter ao menos o tamanho de um grão; e a marca que retorna depois de já ter sido considerada curada precisa ter, desde o início, o tamanho de dois grãos — a mesma medida mínima exigida para a primeira aparição de uma marca de casa.

בָּא בְסוֹף שָׁבוּעַ וְרָאָה, אִם חָזַר, וְנָתַץ אֶת הַבַּיִת אֶת אֲבָנָיו וְאֶת עֵצָיו וְאֵת כָּל עֲפַר הַבָּיִת וְהוֹצִיא אֶל מִחוּץ לָעִיר אֶל מָקוֹם טָמֵא (שם). הַפִּסְיוֹן הַסָּמוּךְ, כָּל שֶׁהוּא. וְהָרָחוֹק, כַּגְּרִיס. וְהַחוֹזֵר בַּבָּתִּים, כִּשְׁנֵי גְרִיסִין:

Fontes bíblicas · מְקוֹרוֹת מִן הַתּוֹרָה

Vayikrá 14:45
וְנָתַץ אֶת הַבַּיִת אֶת אֲבָנָיו וְאֶת עֵצָיו וְאֵת כָּל עֲפַר הַבָּיִת וְהוֹצִיא אֶל מִחוּץ לָעִיר אֶל מָקוֹם טָמֵא

“E derrubará a casa, suas pedras, suas madeiras e toda a terra da casa; e levará para fora da cidade, a um lugar impuro” (Vayikrá 14:45).

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Negaim 12:7
זֶה כְּמוֹ שֶׁקָּדַם בְּנִגְעֵי בְגָדִים וְזֶה שֶׁבָּא בְּנִגְעֵי בָתִּים גַּם כֵּן…

Isto é como o que já precedeu nas marcas das vestimentas, e o mesmo vale também para as marcas das casas: eis que a marca alastrou nas paredes da casa; e quando o alastramento nas paredes da casa não é contíguo à marca original, é necessário que haja uma marca do tamanho de um grão, como explicamos. E disse também, quanto à marca que retorna (Vayikrá 14:43): “e se a marca voltar a brotar na casa” — que se segue a medida das marcas das casas, que é de dois grãos de comprimento e um grão de largura, conforme estabelecemos neste capítulo.

Bartenura · Negaim 12:7
בָּא בְסוֹף שָׁבוּעַ. אַחֲרֵי הִטּוֹחַ הַבַּיִת, חוֹזֵר וּמַסְגִּירוֹ…

Sobre “vem ao fim da semana”: depois de rebocar a casa, volta e a isola novamente; e se, ao fim da semana, a marca retornou, derruba a casa.

Sobre “o alastramento próximo”: que alastrou próximo à marca.

Sobre “e o que retorna, como dois grãos”: pois está escrito “e se a marca voltar” — como alguém que diz “fulano voltou ao seu lugar”; e a marca das casas, no início, só contrai impureza com dois grãos, como dissemos.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Negaim não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste capítulo.
הֲדַרָן עֲלָךְ כָּל הַבָּתִּים

Com esta sétima mishná, encerra-se o Perek Yud-Bet de Massechet Negaim. O capítulo abriu passando da tzaraat das vestimentas para a tzaraat das casas, estabelecendo que somente as casas de judeus em Eretz Israel contraem essa impureza, e excluindo as formas de construção não fixadas à terra ou sem quatro paredes (12:1). Exigiu que as quatro paredes sejam feitas de material apto à impureza, e que a casa já esteja constituída de pedras, madeiras e terra no momento em que a marca aparece (12:2). Registrou o debate entre Rabi Yishmael, Rabi Akivá e Rabi Elazar bar Rabi Shimão sobre o número mínimo de pedras suscetíveis (12:3), e completou as medidas mínimas de madeira e terra, excluindo as paredes de cocho e de divisão, e também Jerusalém e o território fora da terra de Israel (12:4). Descreveu o procedimento de inspeção da casa — a linguagem cautelosa do dono ao sacerdote e o esvaziamento prévio de todo o conteúdo, com o debate entre Rabi Yehudá, Rabi Shimão e Rabi Meir sobre sua razão (12:5). Detalhou o isolamento feito à entrada da casa, sem que o sacerdote entre nela, e a remoção e substituição das pedras marcadas, com a máxima sobre o vizinho que ajuda a arrancar as pedras mas não o reboco (12:6). E fechou com a demolição completa da casa cuja marca retorna, e as medidas do alastramento próximo, distante e recorrente (12:7).

O estudo da Mishná prossegue agora para o Perek Yud-Guimel de Massechet Negaim, que continuará as leis da tzaraat das casas.