"Konam, vinho que eu não provo, porque o vinho é ruim para os intestinos" — disseram-lhe: "Mas o vinho envelhecido é bom para os intestinos" — fica liberado quanto ao envelhecido. E não apenas quanto ao envelhecido fica liberado, mas quanto a todo o vinho. "Konam, cebola que eu não provo, porque a cebola é ruim para o coração" — disseram-lhe: "Mas a cebola cufri é boa para o coração" — fica liberado quanto à cufri. E não apenas quanto à cufri fica liberado, mas quanto a todas as cebolas. Houve um caso, e Rabi Meir o liberou quanto a todas as cebolas. — O votante formula seu voto como uma generalização médica: todo vinho é ruim para os intestinos, toda cebola é ruim para o coração. Quando lhe mostram uma exceção concreta — o vinho envelhecido, a cebola cufri — que contradiz essa generalização, sua premissa inteira se revela um erro, não apenas quanto ao caso específico da exceção. Pela mesma lógica de Rabi Akiva vista nos casos anteriores, a descoberta de que uma parte da categoria vedada não se encaixa no motivo declarado desfaz o voto inteiro, porque o próprio fundamento da generalização original já não se sustenta.
A refutação da premissa "o vinho é ruim" pela existência do vinho envelhecido, que alegra o corpo, ecoa a descrição bíblica clássica do vinho como dádiva que alegra o coração do homem — o oposto exato do que o votante alegou como motivo de seu voto.
O versículo que descreve o vinho como aquilo que "alegra o coração do homem" é a contrapartida bíblica exata da premissa que o votante alegou — que o vinho seria "ruim" — e ilustra por que bastou uma única exceção concreta, o vinho envelhecido, para que os sábios desmontassem inteiramente sua generalização. A tradição reconhece o vinho, sobretudo o envelhecido e bem guardado, como benéfico ao corpo e ao espírito, e é precisamente esse reconhecimento amplamente compartilhado que torna a alegação original do votante "o vinho é ruim para os intestinos" tão facilmente refutável — e, uma vez refutada em um caso, refutada por completo.
Rambam, no Perush HaMishná, explica que a distinção decisiva está em qual fórmula exata o votante usou ao expressar sua condição, determinando se a liberação parcial se estende a tudo.
Rambam explica que "ruim para os intestinos" e "ruim para o coração" são expressões usadas por comparação, não afirmações médicas técnicas exatas, e que o resultado depende da resposta do próprio votante: se ele admite que, sabendo do vinho envelhecido, jamais teria jurado contra vinho algum, a liberação cobre tudo, sem sequer precisar de consulta formal a um sábio; mas se ele responde que teria formulado o voto de outro modo — permitindo apenas o vinho envelhecido e proibindo o resto — então a liberação fica restrita apenas ao envelhecido.
Rashi não trata diretamente desta mishná no daf principal; Rambam e Bartenura esclarecem a lógica da generalização refutada e o motivo pelo qual a mishná não aceita a objeção óbvia de que "não é ruim" já bastaria.
Rashi levanta e resolve uma dificuldade textual: por que a mishná precisa provar que o vinho envelhecido é "bom", quando bastaria mostrar que ele simplesmente "não é ruim" para já invalidar a premissa do voto como erro? Rashi responde que a mishná escolhe deliberadamente o caso mais forte — provando que o vinho envelhecido não é apenas neutro, mas positivamente benéfico — precisamente para deixar claro que a exceção não é um caso de fronteira, mas uma refutação completa e inequívoca da generalização original, do mesmo modo que, no caso paralelo da mulher feia do próximo capítulo, a mishná não fala de alguém que deixou de ser feia, mas de alguém que já era bonita desde o início.
Rambam explica que as expressões "ruim para os intestinos" e "ruim para o coração" são formulações populares aproximadas, não diagnósticos médicos técnicos, e que por isso o resultado da abertura depende inteiramente da resposta específica do votante sobre o que ele teria feito de modo diferente — se soubesse do vinho envelhecido ou da cebola cufri — no momento exato de seu voto.
Bartenura confirma a mesma condição decisiva já apontada por Rambam: a liberação total só ocorre quando o votante confirma que sequer teria feito o voto, ou que teria formulado a proibição de modo invertido — permitindo o envelhecido e proibindo apenas o novo. Se, ao contrário, ele afirma que teria mantido a proibição sobre todo o vinho exceto o envelhecido, então apenas o envelhecido é liberado, e o restante do voto permanece inteiramente de pé.