Quem diz à sua esposa: konam, a obra de tuas mãos sobre mim; konam, ela sobre minha boca; konam, ela para minha boca — fica proibido em suas trocas e em seus produtos derivados. Eu não como, eu não provo — está permitido em suas trocas e em seus produtos derivados, em coisa cuja semente se esgota; mas em coisa cuja semente não se esgota, mesmo os produtos derivados dos produtos derivados ficam proibidos. — O marido tem, pela própria condição do casamento, direito ao produto do trabalho de sua esposa — incluindo, por exemplo, o que ela planta e cultiva. Se ele formula o konam diretamente sobre "a obra de tuas mãos" — o objeto do direito em si —, a proibição se estende, como no caso anterior, às trocas comerciais desse produto e a tudo que dele cresça como derivado agrícola. Mas se ele formula o voto apenas como ato pessoal — "eu não como, eu não provo" —, a proibição fica restrita ao consumo direto, liberando trocas e produtos derivados, com a mesma ressalva técnica de antes: essa liberdade vale apenas para o que a esposa planta de semente que se esgota na terra; para o que ela planta de semente que não se esgota, como bulbos, a proibição persiste por todas as gerações de crescimento, pois a identidade do item original nunca se dissolve completamente.
O elogio da mulher virtuosa em Mishlei celebra precisamente "a obra de suas mãos" como fruto que se colhe e se compartilha — o mesmo direito do marido ao produto do trabalho da esposa que a mishná agora regula quanto ao voto.
O elogio final do "Eshet Chayil" nomeia explicitamente "peri yadeha" — o fruto de suas mãos — como algo que se dá e se reconhece publicamente, precisamente a mesma "obra das mãos" (maasê yadayich) que a mishná agora trata como direito legal do marido dentro do casamento. Esse mesmo termo bíblico, que celebra o valor econômico e moral do trabalho da mulher, é a base da instituição halachica pela qual o marido recebe o produto do trabalho de sua esposa em troca do sustento que lhe provê; e é justamente esse direito que ele pode voluntariamente vedar a si mesmo por meio do konam, com o alcance técnico que esta mishná precisa.
Sem citação direta correspondente na Mishné Torá para o caso específico das trocas e derivados, Bartenura explica a extensão do voto sobre a obra das mãos da esposa ao que ela planta e cultiva.
Bartenura explica que a expressão "obra de tuas mãos" abrange tudo o que a esposa produz e prepara para o marido, e que, se durante esse período ela plantou uma árvore, o próprio crescimento dessa árvore fica proibido para ele — aplicando à obra da esposa o mesmo princípio de que o produto derivado herda a condição do direito original votado.
Rambam remete ao princípio já fixado na mishná anterior para os termos técnicos de semente que se esgota e não se esgota, e Bartenura fecha com a extensão do voto ao plantio realizado pela esposa.
Rambam aplica à mishná sobre a obra das mãos da esposa o mesmo princípio botânico já explicado na mishná anterior — semente que se esgota versus semente que não se esgota — remetendo novamente ao seu comentário sobre Massechet Orlá para a fundamentação técnica completa, agora estendida ao caso concreto do direito do marido ao trabalho agrícola de sua esposa.
Bartenura enfatiza que o voto sobre "a obra de tuas mãos" é amplo o suficiente para incluir qualquer atividade produtiva da esposa, inclusive o plantio de uma árvore — e que, seguindo o mesmo princípio geral da mishná anterior, o crescimento dessa árvore ao longo do tempo permanece sob a mesma proibição que recaiu sobre o direito original votado pelo marido.