Aquele que foi votado a não desfrutar de seu companheiro e entra para visitá-lo, fica em pé, mas não se senta. E cura-lhe a cura da alma, mas não a cura dos bens. E banha-se com ele numa banheira grande, mas não numa pequena. E dorme com ele numa mesma cama. Rabi Yehudá diz: nos dias de calor, mas não nos dias de chuva, porque isso lhe traz benefício. E reclina-se com ele no leito, e come com ele à mesma mesa, mas não do mesmo prato coletivo; mas come com ele do prato coletivo que retorna. Não come com ele do cocho diante dos trabalhadores, e não trabalha com ele lado a lado, palavras de Rabi Meir. E os sábios dizem: trabalha a certa distância dele. — A mishná percorre uma série de situações concretas de convivência, aplicando o mesmo princípio subjacente ao capítulo inteiro: distinguir o que traz benefício mensurável do que não traz. Visitar o doente em pé é permitido porque não há costume de cobrar por isso, mas sentar-se, em lugares onde há costume de remunerar quem acompanha o doente sentado, constituiria benefício real. Curar a "alma" — o próprio corpo do doente — é permitido porque é mandamento bíblico obrigatório para qualquer israelita; curar seus "bens" — tratar diretamente o animal doente com as próprias mãos — não é obrigação pessoal do votado e, portanto, permanece vedado, embora ele possa indicar verbalmente qual remédio usar. A banheira grande não aumenta a água por causa do segundo banhista, mas a pequena sim, o que constitui benefício direto. Dormir na mesma cama é permitido no calor, mas Rabi Yehudá o proíbe no frio, quando o corpo do outro aquece. Comer à mesma mesa é permitido, mas comer do mesmo prato individual arrisca que um deixe a melhor porção para o outro; já o prato coletivo que "retorna" ao anfitrião elimina esse risco, pois nenhum dos dois controla o que sobra nele. Trabalhar lado a lado na colheita é proibido, segundo Rabi Meir, porque abrir espaço ao lado de alguém acelera seu trabalho; os sábios permitem, desde que a certa distância.
A permissão de curar o corpo do doente mesmo sob voto — "cura da alma" na linguagem da mishná — apoia-se no mandamento de restituir ao próximo o que ele perdeu, interpretado pelos sábios como incluindo a obrigação de cuidar de sua saúde.
Do verbo "e o devolverás" (וַהֲשֵׁבֹתוֹ), aplicado no contexto literal a objetos perdidos, a tradição rabínica deriva por extensão a obrigação de "devolver" também a saúde perdida do próximo — isto é, curá-lo quando adoece, tratando essa restituição como mandamento tão vinculante quanto devolver um bem perdido. É esse fundamento que permite à mishná tratar a cura do corpo do doente — "cura da alma" — como ato obrigatório e não como favor pessoal, exatamente pela mesma lógica que já havia permitido, na mishná anterior, devolver o achado perdido do companheiro: cumprir um mandamento independente da vontade das partes não configura o "desfrute" que o voto proíbe.
Rambam, no Perush HaMishná, explica o fundamento e o limite exato da obrigação de curar o companheiro, e por que a decisão prática segue Rabi Yehudá sobre dormir na mesma cama.
Rambam define os dois termos técnicos da mishná: "cura da alma" é curar o próprio corpo do doente, e "cura dos bens" é tratar diretamente o animal doente com as mãos. A obrigação de curar o corpo do companheiro é derivada explicitamente do versículo "e o devolverás a ele" — o médico tem, segundo Rambam, um dever bíblico de tratar o israelita doente sempre que puder salvá-lo, com seu corpo, seus bens ou sua sabedoria; esse dever prevalece sobre o voto. Já cuidar do animal alheio não é obrigação pessoal de ninguém, por isso o votado só pode indicar verbalmente o remédio adequado, nunca aplicá-lo com as próprias mãos. A halachá segue Rabi Yehudá quanto à cama compartilhada, permitida apenas nos dias quentes.
Rashi, na Guemará (Nedarim 38b-41b), discute em que circunstâncias exatas a mishná proíbe sentar-se na visita ao doente e explica o mecanismo do prato coletivo "que retorna"; Bartenura resume cada cláusula da mishná.
Rashi explica que a mishná pressupõe o caso em que os bens de quem visita estão proibidos ao doente — ou seja, é o visitante quem está sob voto de não desfrutar do doente; por isso ele pode ficar em pé (visita breve, sem costume de remuneração), mas não sentar-se, pois em lugares onde se paga por sentar-se junto ao doente, permanecer sentado sem cobrar seria conceder-lhe um desconto real. Sobre o banho, Rashi explica que a banheira pequena, ao receber um segundo corpo, eleva visivelmente o nível da água e também aumenta o vapor quente — dois benefícios físicos diretos —, o que não ocorre na banheira grande, cujo volume absorve a diferença sem qualquer efeito perceptível.
Rambam confirma que a distinção entre ficar em pé e sentar-se depende exclusivamente do costume local de remunerar quem acompanha o doente sentado. Sobre o prato individual compartilhado, ele explica o risco concreto que a mishná evita: ao comerem do mesmo recipiente, um dos dois — por respeito ou afeto — pode reservar a melhor porção para o outro, ou deixar de comer certo pedaço para que o companheiro o consuma, gerando benefício disfarçado; o prato coletivo que retorna ao anfitrião elimina esse risco, pois seu conteúdo não é controlado por nenhum dos dois comensais.
Bartenura resume as definições práticas: "cura da alma" é curar o corpo, e o dever de curar decorre de "e o devolverás a ele"; a mitsvá permite ao votado tratar o corpo do doente com as próprias mãos, mas não seu animal, apenas indicando o remédio adequado. Sobre trabalhar "em umán" — lado a lado na mesma fileira de colheita —, Bartenura explica que isso é proibido segundo Rabi Meir porque, ao encontrar o espaço já livre ao lado, o trabalhador termina sua tarefa mais rápido; os sábios discordam apenas quanto à distância exigida, não quanto ao princípio, e por isso permitem o trabalho conjunto desde que a certa distância um do outro.