Por estas impurezas o nazireu tosquia: pelo morto, e por um azeitona de carne do morto, e por um azeitona de nétzel e por um punhado de rakav, pela coluna e pelo crânio e por um membro do morto e por um membro do vivo que tenha sobre si carne suficiente, e por meio kav de ossos e por meio log de sangue — por seu contato, por seu carregamento e por sua cobertura —, e por um osso do tamanho de um grão de cevada, por seu contato e por seu carregamento. — A mishná enumera, com precisão técnica, todas as formas pelas quais um contato com restos humanos pode impurificar um nazireu a ponto de exigir tosquia: o cadáver inteiro; uma porção mínima de carne do tamanho de uma azeitona; o nétzel, líquido de decomposição que escorre do corpo; um punhado de rakav, o pó restante de um corpo inteiramente decomposto em local fechado; a coluna vertebral e o crânio, mesmo sem carne; um membro destacado — de um morto ou até de um ser vivo — que ainda tenha carne suficiente para, teoricamente, poder cicatrizar se reimplantado; meio kav de ossos, ou meio log de sangue, impurificando por contato direto, por carregá-los, ou mesmo por estar sob o mesmo teto (cobertura, ohel); e, por fim, um osso do tamanho de um grão de cevada, que impurifica apenas por contato e carregamento, mas não por cobertura.
Por estas o nazireu tosquia e é aspergido no terceiro e no sétimo dia, e anula os dias anteriores, e não começa a contar senão depois de se purificar, e traz seus sacrifícios. — A mishná resume o efeito jurídico completo de toda a lista anterior: cada uma dessas impurezas obriga o nazireu a passar pelo processo completo de purificação — aspersão da água de purificação no terceiro e no sétimo dia depois do contato — e, além disso, anula retroativamente todos os dias de nazireado já cumpridos até então, forçando-o a recomeçar a contagem inteira do zero somente depois de estar purificado, e a trazer os sacrifícios de impureza previstos na Torá. Esse é o efeito mais severo previsto para a impureza do nazireu, e a mishná seguinte contrastará essas impurezas "maiores" com uma segunda lista de impurezas "menores", que exigem apenas a aspersão, sem anular os dias nem exigir tosquia ou sacrifício.
O gatilho para toda essa lista de impurezas graves é a expressão da Torá sobre a morte súbita ao lado do nazireu, que impõe tosquia no sétimo dia e anula os dias anteriores.
A Torá fala apenas de "morrer alguém junto a ele" em termos gerais, sem especificar quais tipos de contato com restos humanos ativam essa consequência; coube à tradição oral, transmitida como halachá reveladora a Moshé no Sinai em vários dos detalhes técnicos — como a medida exata de meio kav de ossos, ou o efeito peculiar do osso do tamanho de um grão de cevada —, precisar exatamente onde termina o "morto" que gera a tosquia e começa a categoria mais branda examinada na mishná seguinte. É por isso que Rambam, no Perush HaMishná, remete repetidamente ao segundo capítulo de Massechet Oholot para a base técnica completa dessas medidas.
Rambam esclarece, no Perush HaMishná, o sentido técnico de cada termo da lista e localiza sua base sistemática nas leis de impureza de Massechet Oholot.
Rambam explica que "o morto" na lista não se refere apenas ao corpo inteiro — o que seria óbvio —, mas inclui também os ossos, seja pela maioria de seu número (rov minyan), seja pela maioria de sua estrutura física (rov binyan), mesmo que não completem a medida de um quarto de kav. O nétzel é o líquido que escorre do corpo quando a carne já entrou em decomposição; o rakav é o pó que resta depois que todo o líquido do corpo já se dissipou — e esse pó só impurifica quando o morto foi sepultado inteiro, sem faltar nenhum membro, em um recipiente fechado sem outra fonte de decomposição.
Perush de Rashi sobre a Guemará, além de Rambam e Bartenura.
Rashi observa que a definição exata do nétzel será explicada mais adiante na própria Guemará, e esclarece que "carne suficiente" num membro amputado significa a quantidade que, teoricamente, permitiria ao membro cicatrizar e se recuperar se fosse reimplantado — ainda que essa carne não chegue à medida de uma azeitona. Sobre a medida de meio log de sangue, Rashi a converte em termos equivalentes: duas rebiot, unidade de medida líquida usada em outras leis de pureza.
Rambam identifica a coluna vertebral como o conjunto das vértebras do dorso, e o crânio como o osso da cabeça, cada um impurificando separadamente mesmo sozinho. Ele remete o leitor ao segundo capítulo de Massechet Oholot para o tratamento sistemático completo de todas essas categorias de impureza — por cobertura, contato e carregamento —, e explica ali as razões técnicas de cada uma das medidas, incluindo por que o osso do tamanho de um grão de cevada impurifica por contato e carregamento, mas não por cobertura.
Bartenura destaca um ponto importante: embora apenas um quarto de kav de ossos já baste para impurificar por cobertura (ohel) segundo as leis gerais de pureza, a halachá recebida no Sinai exige uma medida maior — meio kav — para que essa mesma impureza obrigue especificamente a tosquia do nazireu; o mesmo vale para o sangue, cuja medida geral de impureza por cobertura é menor que meio log. Já o osso do tamanho de um grão de cevada segue a lógica oposta: impurifica por contato e carregamento, mas nunca por cobertura, pois essa é sua natureza mesmo fora do contexto do nazireado.