Aquele sobre quem um dos sangues foi aspergido e se impurificou — Rabi Eliezer diz: anula tudo. E os sábios dizem: deve trazer os demais sacrifícios e se purificar. — A mishná anterior já havia estabelecido, segundo Rabi Shimon, que a aspersão de um único sangue já libera o nazireu para beber vinho; mas o que ocorre se, exatamente nesse intervalo — depois de um sangue aspergido, mas antes da conclusão de todo o procedimento — o nazireu se impurifica por contato com um morto? Rabi Eliezer, consistente com sua posição de que as restrições só cessam depois de completado todo o procedimento, sustenta que essa impureza anula retroativamente tudo o que já foi feito, exigindo recomeço completo do nazireado. Os sábios discordam: para eles, uma vez que ao menos um sangue já foi aspergido, o essencial do procedimento já está em curso, e a impureza posterior apenas exige que o nazireu, depois de se purificar da nova impureza, traga os sacrifícios restantes que ainda faltavam — sem anular o que já havia sido validamente realizado.
Disseram-lhe: houve um caso com Miriam a Tarmodita, sobre quem um dos sangues foi aspergido, e vieram e lhe disseram sobre sua filha, que estava em perigo de vida, e ela foi e a encontrou morta, e disseram os sábios: deve trazer os demais sacrifícios e se purificar. — Para sustentar sua posição contra Rabi Eliezer, os sábios invocam um precedente histórico real: o caso de Miriam a Tarmodita, uma mulher nazireia de origem em Tarmod, sobre quem já havia sido aspergido um dos três sangues de seus sacrifícios finais, quando lhe chegou a notícia de que sua filha estava gravemente enferma. Ao correr para junto dela, encontrou-a já morta, e por esse contato contraiu impureza. Diante desse caso concreto, os sábios decidiram que ela deveria simplesmente se purificar da nova impureza e trazer os sacrifícios restantes que ainda faltavam, sem anular o que já havia sido validamente cumprido — precedente que a mishná registra ao encerrar o Perek Vav, o maior capítulo do tratado sobre as três proibições centrais do nazireado.
A base da divergência remonta à mesma expressão "depois" já discutida na mishná anterior, cuja extensão determina também os limites da anulação por impureza.
Rabi Eliezer, fiel à sua posição de que as restrições do nazireado só cessam depois de concluído todo o procedimento sacrificial, aplica o princípio da anulação total mesmo a uma impureza ocorrida no meio do procedimento, tratando-a como se tivesse ocorrido antes de qualquer sacrifício; os sábios, seguindo a posição de que a aspersão de um único sangue já basta para iniciar a liberação, limitam a anulação apenas aos sacrifícios ainda pendentes.
Rambam explica o raciocínio de Rabi Eliezer e confirma que a halachá segue os sábios, apoiada no precedente de Miriam a Tarmodita.
Rambam esclarece que, quando Rabi Eliezer diz que a impureza "anula tudo", ele não se refere aos dias já cumpridos do nazireado em si, mas especificamente à invalidação de todos os sacrifícios, exigindo que sejam trazidos novamente por completo. Rambam confirma que a halachá segue os sábios, apoiada expressamente no precedente histórico de Miriam a Tarmodita, cujo caso concreto os próprios sábios da mishná invocam como prova decisiva.
Perush de Rashi, Rambam e Bartenura, encerrando o Perek Vav.
Rashi esclarece que Tarmod é o nome de um lugar de origem de Miriam, e confirma a sequência dos eventos do caso: a notícia da doença grave da filha, a corrida ao seu encontro, a descoberta de que já havia morrido, e a impureza contraída por esse contato — precedente sobre o qual os sábios basearam sua decisão.
Rambam acrescenta, com base na Tosefta, um ponto relacionado: mesmo o nazireu cujos dias já se completaram continua proibido de tosquiar, beber vinho ou se impurificar até que efetivamente realize a tosquia de pureza; se o fizer antes disso, ainda é punido com açoites, pois as restrições de seu voto permanecem em vigor até a conclusão formal do procedimento — reforçando a lógica por trás de toda a disputa desta mishná sobre o momento exato da liberação.
Bartenura confirma a leitura de Rambam sobre o alcance da expressão de Rabi Eliezer — refere-se à anulação dos sacrifícios, não dos dias do nazireado —, identifica Tarmod como o lugar de origem de Miriam, e conclui, encerrando o Perek Vav, que a halachá segue os sábios, cuja posição foi validada pelo precedente histórico registrado na própria mishná.