Tosquiou sobre o sacrifício e este se revelou impróprio, sua tosquia é inválida, e seus sacrifícios não lhe são contados. Tosquiou sobre a oferenda pelo pecado sem a designação correta, e depois trouxe seus sacrifícios com a designação correta, sua tosquia é inválida, e seus sacrifícios não lhe são contados. Tosquiou sobre a oferenda de ascensão ou sobre a de paz sem a designação correta, e depois trouxe seus sacrifícios com a designação correta, sua tosquia é inválida, e seus sacrifícios não lhe são contados. — A validade da tosquia final do nazireado depende diretamente da validade do sacrifício sobre o qual ela ocorreu. Se, por exemplo, o sangue do animal foi derramado antes de aspergido, ou o animal saiu do pátio do Templo, ou foi contaminado, o sacrifício se torna impróprio, e a tosquia realizada sobre ele é retroativamente invalidada — como se o nazireu tivesse sido tosquiado por bandidos, anulando os dias já cumpridos. O mesmo ocorre se o sacrifício foi abatido com a intenção mental voltada para outro propósito que não o do próprio sacrifício do nazireu: mesmo que, depois, ele traga os demais sacrifícios corretamente designados, a tosquia já realizada permanece inválida, e nenhum dos sacrifícios lhe é contado como cumprimento da obrigação.
Rabi Shimon diz: apenas aquele sacrifício não lhe é contado, mas os demais sacrifícios lhe são contados. E se tosquiou sobre os três e um deles se revelou válido, sua tosquia é válida, e deve trazer os demais sacrifícios. — Rabi Shimon discorda da regra geral de invalidação total, sustentando que apenas o sacrifício especificamente impróprio deixa de ser contado, mas os demais sacrifícios, trazidos posteriormente com a designação correta, ainda cumprem sua função — sem que a tosquia inteira seja invalidada por causa de um único sacrifício defeituoso. A mishná fecha com uma regra que vale mesmo segundo a opinião majoritária: se o nazireu tosquiou já tendo os três sacrifícios reunidos, sem que a tosquia dependesse de um deles em particular, e depois se descobre que ao menos um dos três era de fato válido, a tosquia inteira permanece válida, restando-lhe apenas trazer os demais sacrifícios que faltam.
A ligação entre a validade da tosquia e a validade do sacrifício sobre o qual ela ocorre deriva do próprio versículo, que apresenta a tosquia como parte integrante do procedimento sacrificial.
Ao vincular explicitamente a tosquia ao próprio ato sacrificial — tosquiando "sobre" um zévach específico, cujo fogo recebe o cabelo —, o texto bíblico estabelece uma dependência estrutural entre os dois atos, de modo que a invalidade do sacrifício necessariamente compromete a validade da tosquia realizada sobre ele. É essa dependência que a mishná explora nos diferentes cenários de sacrifícios impróprios ou mal designados.
Rambam explica o conceito de "shelo lishmah" — abate com intenção voltada para outro propósito — que invalida a tosquia.
Rambam explica que um dos fatores que invalida sacrifícios consagrados é o abate realizado com a intenção mental voltada para um propósito diferente daquele que o sacrifício deveria cumprir — o que a Guemará chama de "shelo lishmá", sem a designação correta. Esse é precisamente o defeito descrito nos cenários da mishná: o sacrifício foi abatido pensando-se em outro propósito, invalidando-o e, por extensão, a tosquia realizada sobre ele. Rambam decide que a halachá não segue Rabi Shimon, mantendo a regra de invalidação mais abrangente.
Perush de Rashi, Rambam e Bartenura.
Rashi esclarece a consequência prática da tosquia inválida: como se o próprio corte de cabelo tivesse sido feito por bandidos, o nazireu precisa recomeçar a contagem de trinta dias, e os sacrifícios que já havia separado não servem — precisará separar novos animais para trazer ao final desse novo período.
Rambam remete à regra final da mishná anterior, já ensinada, de que tosquiar sobre qualquer uma das três oferendas basta para cumprir a obrigação — regra que explica por que, no último caso desta mishná, quando um dos três sacrifícios se revela válido, a tosquia inteira permanece válida.
Bartenura exemplifica os modos pelos quais um sacrifício se torna impróprio — o sangue foi derramado, o animal saiu do pátio, ou foi contaminado — e confirma que, nesses casos, a tosquia se equipara à tosquia forçada por bandidos, exigindo recomeço da contagem. E nota que a regra final da mishná — tosquia válida quando um dos três sacrifícios se revela correto — vale segundo todas as opiniões, inclusive a maioria que discorda de Rabi Shimon nos casos anteriores.