Quem disse: eis que sou nazireu, e seu companheiro ouviu e disse: e eu, e eu — todos são nazireus. Foi liberado o primeiro, foram liberados todos. Foi liberado o último, o último está liberado e todos estão proibidos. — Quando uma pessoa assume o voto de nazireado dizendo "eis que sou nazireu", e um companheiro que a ouve responde "e eu", associando-se ao mesmo voto dentro do tempo de uma fala breve, e um terceiro faz o mesmo dizendo novamente "e eu", todos os que aderiram dessa forma tornam-se nazireus, cada um vinculado ao voto do que veio antes dele. Se um sábio liberta o primeiro de seu voto, por ter encontrado um motivo de arrependimento, todos os demais são libertados junto com ele, pois o voto de cada um dependia do voto do primeiro. Mas se é o último que é libertado, apenas ele fica livre, e todos os demais permanecem proibidos, pois o voto do último dependia do voto de todos os que vieram antes dele, e não o contrário.
Disse: eis que sou nazireu, e seu companheiro ouviu e disse: minha boca como a sua boca e meu cabelo como o seu cabelo — eis que este é nazireu. — Mesmo quando o companheiro não repete a fórmula padrão "e eu", mas se compara ao primeiro dizendo que sua boca há de ficar como a boca dele, quanto à abstenção de vinho, e seu cabelo como o cabelo dele, quanto à proibição de cortá-lo, essa comparação basta para constituí-lo nazireu, pois ele expressou, por meio dela, a intenção clara de assumir sobre si as mesmas restrições.
Eis que sou nazireu, e sua esposa ouviu e disse: e eu — ele anula o dela, e o dele permanece. Eis que sou nazireia, e seu marido ouviu e disse: e eu — ele não pode anular. — Quando o marido assume o voto de nazireado primeiro e a esposa, ao ouvi-lo, associa-se dizendo "e eu", o voto dela, embora válido, permanece sujeito ao poder de anulação do marido — pois todo voto de abstenção que a esposa assume continua sob esse poder, independentemente de como surgiu —, enquanto o voto dele, que não depende de ninguém, permanece firme. Mas quando é a esposa quem assume o voto primeiro e o marido, ao ouvi-la, associa-se dizendo "e eu", ele já manifestou, com essa mesma fala, sua concordância e satisfação com o voto dela, e por isso já não pode mais anulá-lo — pois quem confirma um voto perde o poder de depois anulá-lo.
O poder do marido de confirmar ou anular o voto de abstenção da esposa vem diretamente do texto de Bemidbar, e é essa mesma fonte que explica por que, no último caso da mishná, o marido perde o poder de anular ao dizer "e eu".
O mesmo versículo que dá ao marido o poder de anular o voto de abstenção da esposa também lhe dá o poder de confirmá-lo, e a mishná ensina que essa confirmação pode ocorrer de modo implícito. Quando o marido, ao ouvir o voto de nazireado da esposa, diz "e eu", associando-se a ele, essa fala expressa satisfação e aprovação — o que a Torá chama de "confirmar" — e, uma vez confirmado o voto, o marido já não pode mais anulá-lo. O caso inverso, em que é o voto do marido que existe primeiro e a esposa se associa a ele, não envolve esse mesmo mecanismo, pois o voto do marido nunca esteve sujeito ao poder de anulação de ninguém.
Rambam detalha, no Mishné Torá, o tempo exato de que dispõe quem quer se associar ao voto de nazireado de um companheiro.
Rambam explica que a associação de uma pessoa ao voto de nazireado de outra, por meio da fórmula "e eu", só é válida quando dita dentro do intervalo de uma fala breve — o tempo que leva para se dizer "shalom alecha rabi", saudação de um aluno ao seu mestre — contado a partir da fala anterior. Passado esse intervalo, a associação já não vincula o voto de quem fala ao voto de quem falou antes dele.
Perush de Rashi, Rambam e Bartenura, abrindo o Perek Dalet.
Rashi esclarece que a fórmula "e eu, e eu" da mishná refere-se a um segundo e um terceiro companheiro que se associam, cada qual dizendo "e eu" ao ouvir o que veio antes. E explica o mecanismo de dependência: quando o primeiro é liberado do seu voto por um sábio que encontrou motivo de arrependimento, todos os demais são liberados junto com ele, porque cada um deles vinculou seu próprio voto ao voto do primeiro.
Sobre a cláusula "minha boca como a sua boca e meu cabelo como o seu cabelo", Rashi observa que a pergunta da Guemará é se essa fórmula, que não menciona explicitamente a palavra "nazireu", ainda assim constitui um voto válido — e a mishná responde que sim, pois a comparação implícita basta.
Rambam precisa o intervalo de tempo em que a associação ao voto de outro é válida: o tempo de dizer "shalom alecha rabi", numa fala de ritmo normal. E acrescenta um detalhe importante: se uma mulher fizer o voto de nazireado e um terceiro se associar a ela dizendo "e eu", e depois o marido dela anular o voto dela, o voto do terceiro permanece de pé — pois quando o marido anula, ele anula apenas o que depende exclusivamente da esposa, e não o que um terceiro vinculou a ele.
Bartenura resume a condição essencial para que a associação valha: cada um dos que dizem "e eu" precisa fazê-lo dentro do tempo de uma saudação breve de aluno a mestre — "shalom alecha rabi" — contado a partir da fala do companheiro anterior. Passado esse tempo, a associação não se vincula mais ao voto alheio.