Quem diz "sou nazireu, cheio como a casa" ou "cheio como o cesto" — investiga-se essa pessoa. Se disse "por um voto grande jurei", é nazireu por trinta dias. E se disse "jurei sem especificar", olha-se para o cesto como se estivesse cheio de grãos de mostarda, e é nazireu por todos os seus dias. — A mishná lida com uma fórmula de voto que compara sua duração a algo que "enche" um recipiente — a casa ou o cesto —, sem dizer do quê. Diante dessa lacuna, os sábios não presumem automaticamente uma interpretação, mas investigam a pessoa sobre sua real intenção no momento em que formulou o voto. Se ela esclarece que quis dizer apenas "um voto grande" — usando a imagem da casa cheia ou do cesto cheio apenas como uma forma retórica de intensificar a ideia de "muito", sem pensar em unidades específicas —, o voto é tratado como o caso já visto na mishná anterior, e dura apenas trinta dias. Mas se ela admite que falou sem qualquer intenção específica em mente — nem "voto grande" nem qualquer outra coisa —, os sábios adotam a leitura mais extensa possível: tratam o cesto como se estivesse cheio do menor grão conhecido, o grão de mostarda, de modo que o número de itens (e, portanto, de nazireados implícitos) se torna praticamente incontável — resultando, tal como no caso do "cabelo da cabeça" da mishná anterior, num nazireado vitalício.
Assim como no caso do "voto sem especificação" da mishná 1:3, a base é o princípio de que "santo será" (kadosh yihyê) estabelece trinta dias como piso mínimo do nazireado — piso que aqui se aplica quando a pessoa esclarece que sua intenção era apenas de um "voto grande", sem uma quantidade específica em mente.
A investigação da intenção (bedika) descrita nesta mishná não é um mero interrogatório formal, mas reflete um princípio maior do direito dos votos: a linguagem do votante deve ser interpretada segundo o que ele realmente tinha em mente, e não segundo uma leitura literal isolada da fórmula empregada. Quando a pessoa esclarece sua intenção como sendo de um "voto grande" simples, aplica-se o piso mínimo de trinta dias derivado de "kadosh yihyê"; mas quando ela não consegue (ou não pode) especificar intenção alguma, a halachá adota a leitura mais rigorosa possível — o grão mais ínfimo, a mostarda —, produzindo um nazireado tão extenso que se torna, na prática, vitalício.
Rambam, no Perush HaMishná, explica que mesmo quando a pessoa pretendia um período longo, mas não a duração vitalícia, ela permanece limitada a trinta dias — o piso mínimo do voto sem especificação.
Rambam recorda o princípio já estabelecido de que o nazireado sem especificação dura trinta dias, mesmo quando a intenção da pessoa era de um período longo — desde que ela não tenha pretendido um voto vitalício. Assim, sempre que a pessoa esclarece "não pretendi ser nazireu para sempre, mas apenas por um tempo longo", ela permanece obrigada apenas aos trinta dias padrão. Somente quando ela não consegue especificar intenção alguma é que se adota a leitura extrema do grão de mostarda, resultando em nazireado vitalício, com corte de cabelo a cada doze meses.
Rashi explica o mecanismo da investigação e por que o grão de mostarda foi escolhido como referência; Bartenura confirma a leitura e destaca a frequência do corte de cabelo no caso vitalício.
Rashi explica que, quando a pessoa esclarece que quis dizer apenas "um voto grande", a expressão "cheio como a casa" é entendida meramente como uma forma de dizer "esse voto me pareceu tão longo quanto encher uma casa inteira" — uma hipérbole retórica, sem conteúdo numérico real, e por isso o voto permanece em trinta dias apenas. Mas quando ela declara ter falado "sem especificar" — sem qualquer intenção clara —, os sábios tratam o cesto como se estivesse cheio de grãos de mostarda, o menor grão conhecido, de modo que o número de nazireados implícitos se torna praticamente ininterrupto, resultando em nazireado vitalício sem qualquer pausa entre um período e outro.
Bartenura resume a distinção com clareza: se a pessoa esclarece que aceitou sobre si um único voto que lhe pareceu tão grande quanto uma casa cheia, é nazireu por trinta dias; mas se declara que falou sem especificação alguma — sem que essa fosse sua intenção no coração, mas apenas conforme os sábios viessem a julgar suas palavras —, torna-se nazireu para toda a vida, aparando o cabelo a cada doze meses, no regime padrão do nazireu eterno, e não a cada trinta dias como no caso da mishná anterior.