Todos os kinuyim (substitutos) do nazireado valem como o nazireado. Quem diz "serei", eis que é nazireu; ou "serei belo", é nazireu. "Naziq", "naziach", "paziach" — eis que é nazireu. "Eis que sou como este", "eis que aliso", "eis que deixo crescer", "assumo sobre mim soltar a cabeleira" — eis que é nazireu. "Assumo sobre mim aves" — Rabi Meir diz: é nazireu. E os sábios dizem: não é nazireu. — A mishná abre o tratado distinguindo dois mecanismos verbais que obrigam alguém ao nazireado sem usar a fórmula explícita "sou nazireu". O primeiro são os kinuyim: palavras como "naziq", "naziach" e "paziach", deformações de "nazir" na boca de povos estrangeiros que conviviam com Israel, cujo som ainda remete claramente ao termo original. O segundo são as yadot ("alças", no sentido de pegar um objeto pela sua alça em vez do próprio corpo): expressões que não mencionam o nazireado diretamente, mas o indicam por contexto — como alguém que vê um nazireu passar e diz "serei [como ele]", ou que segura seu próprio cabelo e diz "serei belo [assim]", assumindo implicitamente o crescimento do cabelo próprio do voto. O caso das aves fica em disputa: Rabi Meir entende que, como as duas aves oferecidas são justamente o sacrifício do nazireu que se impurificou, dizer "assumo sobre mim aves" já revela intenção de nazireado; os sábios discordam, e a pessoa apenas se obriga a trazer duas aves como oferenda voluntária, sem se tornar nazireu.
A parashá do nazireado abre com a fórmula "quando um homem ou uma mulher se distinguir, votando o voto de nazireu, para se abster para o Eterno" — o próprio texto bíblico já reconhece que o voto pode ser expresso de formas variadas, desde que "se distinga" com clareza de intenção.
O verbo "yafli" (se distinguir, fazer algo extraordinário) é a base textual que a tradição oral usa para admitir formas variadas de expressão do voto. A Torá não prescreve uma fórmula fixa e única para assumir o nazireado — ela fala apenas de alguém que "se distingue" ao votar esse voto específico. É essa abertura textual que permite à tradição reconhecer tanto os kinuyim (palavras de outros povos, foneticamente aparentadas a "nazir") quanto as yadot (expressões hebraicas alusivas, que "seguram" o voto pela sua alça, por assim dizer, sem pronunciar o termo técnico) como formas válidas de constituir o nazireado, desde que a intenção subjacente seja inequívoca.
Rambam, no Perush HaMishná, explica o mecanismo das yadot — como elas revelam a intenção mesmo sem usar o termo técnico "nazir" — e detalha a origem dos kinuyim como corruptelas da fala de estrangeiros que viviam entre o povo de Israel.
Rambam explica que "serei" é uma yad (alça) porque a pessoa, ao vê-la, entende que se refere a "serei nazireu" — e a mishná ensina algo notável: não se exige que a boca e o coração estejam plenamente alinhados na formulação verbal explícita; basta que a intenção esteja clara no coração, ainda que a boca não a expresse com prova cabal, para que a pessoa fique obrigada ao nazireado. Sobre os kinuyim, Rambam acrescenta que eram deformações da palavra "nazir" na boca de estrangeiros misturados a Israel, cuja fala corrompida se popularizou ao ponto de o próprio povo usá-la, dizendo "naziq", "naziach" e "paziach" em vez de "nazir".
Rashi explica a etimologia dos kinuyim e o mecanismo preciso das yadot; Rambam detalha os requisitos de intenção; Bartenura reconstrói a estrutura elíptica da mishná, que pressupõe uma frase implícita antes de listar os exemplos.
Rashi explica que os kinuyim são um vocabulário próprio que os sábios reconheceram como equivalente a "nazir", ainda que quem os pronuncie não tenha dito a palavra técnica com os próprios lábios. Sobre a expressão "serei", Rashi acrescenta a imagem que dá nome à categoria das yadot: assim como uma pessoa segura um utensílio pela sua alça (yad) e, ao erguer a alça, ergue o utensílio inteiro, também aqui quem diz "serei" — sem mencionar explicitamente o nazireado — "segura" o voto inteiro por essa expressão parcial, e o voto completo se ergue junto com ela.
Rambam explica os termos técnicos: "mesalsel" é alisar o cabelo brincando com ele na mão, e "mechalkel" é deixá-lo crescer — ambos termos ligados ao cuidado com a cabeleira que caracteriza o nazireado. Sobre a disputa das aves, Rambam esclarece o raciocínio de Rabi Meir: como as duas aves (tórtolas ou pombos) são precisamente a oferenda do nazireu que se impurificou, e um nazireu passava diante de quem fez a declaração, isso é prova suficiente de que a pessoa tinha em mente o nazireado. Rambam conclui que a lei segue os sábios — a pessoa não se torna nazireu, mas deve trazer as duas aves como oferenda voluntária.
Bartenura observa que a mishná está formulada de modo elíptico: seu texto completo, subentendido, seria "todos os kinuyim do nazireado valem como o nazireado, e todas as yadot do nazireado valem como o nazireado — estas são as yadot: quem diz 'serei', 'serei belo'; e estes são os kinuyim: naziq, naziach, paziach." Bartenura também explica que "mesalsel" é alisar o cabelo e cita o paralelo talmúdico de Nidá 52b para "mechalkel" como crescimento capilar, e conclui que a lei segue os sábios quanto às aves — a pessoa não se torna nazireu, mas cumpre seu voto trazendo as duas aves.