Rabi Eliezer diz: desde que o Templo foi destruído, Atzeret [Shavuot] é como Shabat. Rabán Gamliel diz: Rosh HaShaná e Yom Kipur são como as festas de peregrinação. E os Sábios dizem: nem como as palavras deste, nem como as palavras daquele, mas Atzeret é como as festas de peregrinação, e Rosh HaShaná e Yom Kipur são como Shabat. — Enquanto o Templo existia, quem não conseguia trazer sua oferenda de Chagigá no primeiro dia de Shavuot podia compensar durante os sete dias seguintes, tornando a festa, para efeitos práticos, semelhante em duração às festas de sete dias de Pessach e Sucot. Rabi Eliezer sustenta que, com a destruição do Templo e o fim dessa compensação, Shavuot voltou a ser, na prática, um único dia — e por isso, quanto ao luto, funciona apenas como o Shabat, somando um dia à contagem sem interromper o restante. Rabán Gamliel argumenta na direção oposta quanto a Rosh HaShaná e Yom Kipur: por serem dias de tamanha santidade e transformação espiritual, equiparam-se às festas de peregrinação também para efeito de interromper o luto. Os Sábios rejeitam ambas as posições extremas e propõem uma distinção diferente: Shavuot, por ser uma festa de peregrinação genuína mesmo com um único dia, interrompe o luto como Pessach e Sucot; já Rosh HaShaná e Yom Kipur, que não são festas de peregrinação, equiparam-se apenas ao Shabat.
A Torá chama Shavuot de "chag" — a mesma palavra usada para Pessach e Sucot —, colocando-a formalmente entre as três festas de peregrinação, apesar de sua duração de um único dia diferir da semana inteira das outras duas. É exatamente essa tensão entre a categoria de "festa de peregrinação" e a duração de apenas um dia que gera a disputa da mishná: enquanto havia compensação no Templo ao longo de sete dias, essa diferença de duração era irrelevante para o luto; sem ela, Rabi Eliezer sustenta que a duração real prevalece, os Sábios sustentam que a categoria bíblica de "chag" prevalece — e a halachá segue os Sábios.
Rambam confirma que a halachá segue a posição intermediária dos Sábios, aplicada tanto a Rosh HaShaná e Yom Kipur quanto a Sucot.
Bartenura explica o raciocínio histórico de Rabi Eliezer sobre a compensação no Templo; Rashi confirma a mesma leitura a partir da Guemará.
Rambam ilustra a aplicação prática da regra com um cálculo detalhado: se alguém enterra seu morto mesmo uma hora antes de Pessach, o luto intenso já se anula, e os sete dias da própria festa contam como se fossem os sete dias de luto — restando apenas dezesseis dias adicionais depois da festa para completar os trinta. O mesmo raciocínio, ajustado à duração de cada ocasião, aplica-se a Shavuot, Sucot, Rosh HaShaná e Yom Kipur, segundo a categoria que a halachá atribui a cada uma.
Bartenura explica a lógica histórica por trás da posição de Rabi Eliezer: enquanto o Templo existia, quem não conseguia oferecer sua Chagigá no primeiro dia de Shavuot tinha até sete dias para compensar — assim como em Pessach — o que dava a Shavuot, na prática, o status pleno de uma festa de sete dias, inclusive para efeito de interromper o luto. Com a destruição do Templo e o fim dessa possibilidade de compensação, Rabi Eliezer sustenta que a lei de festa de peregrinação se perdeu, e Shavuot passou a valer, quanto ao luto, apenas como o Shabat, que soma seu único dia à contagem sem interromper o restante.
Rashi cita um cálculo da Guemará que ilustra o alcance prático da posição de que Atzeret conta como as festas de peregrinação: se alguém enterra seu morto mesmo um único dia antes de Shavuot, esse dia sozinho já é considerado equivalente a sete dias de luto — pois a própria festa que se segue, contando como sete, some-se a ele —, totalizando quatorze dias de luto anulados de uma só vez, exatamente como qualquer outra festa de peregrinação.