Quem virou suas azeitonas e lhe sobreveio luto ou força maior, ou os trabalhadores o enganaram, carrega a primeira viga e a deixa depois do Chol HaMoed — palavras de Rabi Yehudá. Rabi Yossei diz: derrama, termina e sela como de costume. — Virar as azeitonas é prepará-las, empilhadas no depósito, para serem levadas à prensa. Se, depois disso, sobreveio ao dono um luto — que o proíbe de trabalhar —, ou uma força maior qualquer, ou os trabalhadores contratados não vieram e o deixaram sem meios de prensá-las antes da festa, as azeitonas ficam expostas ao apodrecimento assim que chega o Chol HaMoed. Rabi Yehudá permite apenas o mínimo: carregar a viga da prensa uma única vez, para espremer o suficiente e evitar o prejuízo maior, deixando o resto do processo para depois da festa. Rabi Yossei é mais permissivo: permite completar todo o processo normal — derramar as azeitonas na prensa, espremê-las por completo e selar as jarras de azeite — exatamente como se faria em dia comum, pois um prejuízo já iniciado por circunstâncias alheias à vontade do dono justifica terminar o trabalho inteiro.
A proibição bíblica de trabalho aplica-se explicitamente ao sétimo dia de Pessach, mas a tradição oral a estende a todos os dias intermediários da festa, ainda que em grau mais leve. É justamente esse grau mais leve — trabalho permitido apenas para evitar prejuízo genuíno, davar ha-aved — que a mishná aplica ao caso das azeitonas: alguém impedido por circunstâncias alheias à sua vontade de completar antes da festa um trabalho já iniciado pode agir no Chol HaMoed na medida exata necessária para não perder o investimento.
Rambam explica os termos técnicos do processo de prensagem e confirma que a halachá segue Rabi Yossei.
Bartenura detalha por que este caso ensina que o luto é mais restritivo que o próprio Chol HaMoed; Rashi confirma o sentido técnico de cada verbo do processo.
A mishná diz "depois do Chol HaMoed" e não "depois do luto", para ensinar que coisas proibidas ao próprio enlutado fazer com as próprias mãos durante seus dias de luto tornam-se permitidas no Chol HaMoed. O luto, portanto, é mais restritivo do que os dias intermediários da festa — o que explica por que a mishná trata os dois casos (luto e força maior) sob a mesma leniência apenas quando o Chol HaMoed já chegou.
É costume das pessoas virar as azeitonas dentro do depósito onde estão empilhadas, quando querem levá-las ao lagar. Justamente daqui se aprende que coisas permitidas no Chol HaMoed são proibidas ao enlutado fazer com as próprias mãos durante seus dias de luto — mas outros podem carregar a viga por ele, já que o trabalho em si é permitido, apenas as mãos do enlutado estão restritas.
"Carrega a primeira viga" significa que ele coloca as azeitonas na prensa durante a própria festa e as espreme com a viga uma única vez — pois, se não fizer isso, haveria prejuízo ainda maior. "Derrama e termina como de costume" significa que ele coloca as azeitonas na prensa e espreme tudo, completando o processo inteiro sem se limitar ao mínimo — a posição mais permissiva de Rabi Yossei, que a halachá segue.